quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"soneto libertado" ou "fim do mundo, onde a terra começa"

cheguei ao pico do mundo
e dei com uma porta trancada
e não há quem saiba o que é uma chave por aqui
cheguei tarde ao pico do mundo

cheguei tarde e sinto o peso do atraso todos os dias
talvez aqui estivesse a chave se fosse mais cedo
e a luz da lua não me ofuscasse contra o chão
talvez se chegasse mais cedo

e há tanto que eu queria conhecer neste fim da terra
há tanta solidão dentro da saudade de voltar ao princípio da vida
é um impulso abraçador da morte que nos faz querer viver

e vejo o teu cabelo, os restos espalhados no chão
há quase uma forma desenhada de seu resto e fusão com a nova imagem de ti
tiro a fotografia cá dentro, dos cabelos faço chave, entro e fico-me no topo