terça-feira, 15 de maio de 2012


A lenta combustão da manhã…


despertar sobre extintos quartos
numa planície abandonada por deuses e chuvas,
paisagens tombadas sobre o grito que alguém
uivou perante os silêncios erguidos no mar
e em terra cristalizados nos interstícios de sonhos
de extintos dedos sobre velas ainda acordadas.
Há uma canção ardendo a meus pés
e lençóis bailando na ausência de ar
interno, nesses estranhíssimos quartos de vidro…
Transformar a irrealidade em milagre
e o fogo em coisa amada
colora de ondas o braço rudimentar
de uma carícia violenta,
tinge de espasmo a mão fechada
que deslumbra a eternidade
no ínfimo gesto de se manter inalterável.
Dormindo e acordando se restabelecem fôlegos
colhidos em bocas caladas que se beijam
- que se anulam em vectores de línguas -
e em pálpebras branquíssimas
esmagadas por um pecado primeiro
edificado a extremos e cravado a profundidades impossíveis.
Há um quarto onde despertas em chamas
e há as chamas que a mim me despertam…
um mar que se ergue nos lençóis
que traíste …
E há um bilhete no chão, escrito com a tua letra,
e nele um grito sem ar descuidado na pontuação….

Provavelmente será teu o branco incêndio…
…ou talvez a memória dessas impossíveis pálpebras…

Número 2 da Revista

https://sites.google.com/site/daequum/home/numero-2-maio-junho-2012

Pessoal, estou a compor o 2º da revista D'AEQUUM,

preciso de fotos, sugestões gráficas e sempre TEXTOS vossos e de amig@s vossos.

Saudações,

j

"as pautas têm tudo menos o mais importante!"

sentado, naquela posição que vem adquirindo, torto mas confortável.
saboreia um gole de café solúvel, diliuído em água e receios.
pousa as folhas no chão, cheias de colcheias e apogiaturas que não entende.
compassos compostos, marcados a três, que lê, um de cada vez.
ligaduras que fazem a prolongação de um mundo para outro, e que acabam num acorde diminuto, difícil de explicar.
assim como todo o seu ser, que choca em todas as tonalidades e segue de cromatismo em cromatismo.
há-de haver um ponto de repouso, uma suspensão , um uníssono, ou uma simples reverberação.
evitar repetir as quintas paralelas, assim como os mesmos erros, ainda que em oitavas diferentes.
o metrónomo da vida marca-lhe um andamento lento, pesado, com acentuação nos tempos fracos.,
mas ainda com escalas por construir e arpejos por desvendar.
e no meio das cordas, perdido nos trastes, vê nas folhas de outros a vida que quer.
folhas que são mais do que músicas, são pedaços de vida, sempre com uma vida nova.