quinta-feira, 17 de março de 2011

Poema dos 30 segundos

Quero informar
todos os caros leitores
que todas as palavras
que aqui poderiam estar
são da inteira responsabilidade
de quem as lê.
Obrigado.

Rodrigo Antão [17-03-2011]

Paleio técnico

O sector do parâmetro

Fugiu a correr da pluralidade cultural.

Encontrou o âmago do gráfico

Que o arrastava com valor sentimental.


A dívida passou a ser soberana;

Uns à rasca, outros na mama, todos nem tanto.

No entretanto, pergunto-me o que aconteceu à informação

Que com tanta atenção, se tornou automática.


Coitadas das declarações normativas,

que são tudo menos positivas.

O PIB chegou ao déficit, esmurrou-lhe a cara e excluiu-o da rede social.

Desta feita acho que nem chega ao Natal.


Quando tudo terminar, não existirão tecnicismos que nos valham.

Restaremos nós.

Quando nos encontrarmos, saberemos que tudo está bem.


Rodrigo Antão [17-02-2011]

A existência

A vazia existência não existe.

Eu existo

Tu existes

Ele existe. Ela existe.

Nós existimos

Vós existis

Elas existem. Eles existem.


Existem factos. Existem letras. E palavras.

Vamos existindo pelas avenidas da existência.

Fazemos coisas. Existimos.


Por favor arranjem-me um conceito que exista.

O que é isto?


Rodrigo Antão [17-03-2011]

terça-feira, 15 de março de 2011

A árvore que me estreia.

Eram húmidos os passos que dava,
reinava a sombra, a sombra do verde
que ocultava a luz,
nos pés a prova da virgindade
que percorria,
trilhos virgens anunciavam estalando,
o romper do hímen,
a fina película que norteia
o ponto em que o desconhecido
se conhece

Cortei ramos e folhas,
pisei ervas e calquei musgos,
equilibrei-me sobre frágeis
estruturas rochosas,
bebi da água que corria
montanha abaixo,
como se saída das nuvens,
bálsamo das feridas que o
meu corpo alimentava,
as chagas de um Deus que perdi
ao procurar-te.

No desânimo avistei-te
no desespero encontrei-te,
oásis de luz e sol
no que é da sombra,
perdida numa imensidão desértica
de areia,
que corrompe a fecundidade
desta selva que é
de musgo
e de ervas
e de ramos
e de árvores, e tu
plantada, à espera
da boca que alimentas,
ó árvore do que eu
vivo.

(Desconheço a maioria dos colaboradores do AEQUUM, no entanto, agrada-me a ideia de os ir conhecendo através das palavras, como se fossem elos que nos ligam ao desconhecido. Talvez as palavras sejam o único que importa conhecer de alguém. Obrigado João.)

sábado, 12 de março de 2011

inv/ferno

enquanto a noite me fala em choviscos
com a almofada falo eu em lágrimas

os pesadelos gritam-me ao ouvido
o peso, as nuvens, o frio, sussuram-me ironias

o sarcasmo dos dias de chuva

a idiotice do pessimismo

enquanto o dia me fala em "molha tolos"
eu respondo com o bater de teclas

porque me doi demasiado a garganta para poder gritar

terça-feira, 8 de março de 2011

De volta ao básico

No deserto que é o meu ser, na aridez que me povoa, procuro nessa infertilidade, a água para beber, a sombra do grifo que voa, a semente que me fez crescer.

Mas é estéril o meu pensamento, tão vazio e tão oco, nas suas paredes ainda pende, oscilante o meu tormento, que de tanto sei tão pouco, de algo que não se aprende.

Se de mim não sei nada, por mim tudo quero saber. Ó deserto o que me sopras ao ouvido? Como posso eu aprender se o que me dizes não faz sentido?

Estou nú, crú. Quero começar de novo. Quero sair...já aqui!
E é agora, nesta precisa hora, que me vou libertar, que vou poder dizer: Finalmente! Renasci!

sábado, 5 de março de 2011

a senhora tem um canito ao colo
tens as pernas esticadas, uma manta que a conforta

os canitos, cadelinhas na verdade, equivalem na senhoria
olham-me com olhos ternos
traduzem-me a calmaria e a paz de me encontrar noutra casa que posso chamar com esse nome

comi carne

comi carne porque a simplicidade com que ma oferecem
ultrapassa qualquer "fundamentalismo" ideológico que me possa passar pela cabeça
porque é impossível resistir a tamanha humanidade

acabei vindo sozinho - de certa forma -
e sinto-me tão acompanhado

afinal,
a minha casa, a minha pátria,
está em qualquer canto desta península paradísiaca

como amo a vida nestes momentos

quinta-feira, 3 de março de 2011

"(...) perguntava o homem da gravata - estás a tirar um curso de quê? - o moço respondeu - de literatura! - e o homem indiferente - e isso serve para quê? - responde então o moço agitado - serve para ser agricultor, então voçê não ouviu já falar do ecostress?! É quando uma pessoa vai para o campo à espera que as alfaces nasçam à velocidade do supermercado e depois entra em stress e culpa-se porque a alface não cresce mais rápido. É necessário saber ler compreende?! (...)"

quarta-feira, 2 de março de 2011

e depois...
tu voltavas do trabalho

massajava-te os pés em frente à televisão

fuma um cigarro com a gata ao colo
e sonhava um sonho que não conhecia

e depois...
mudava a bilha do gás de um selector para o outro

tomava um banho quente quanto baste
e dormia, finalmente, sem qualquer dificuldade

e a cama agarrava-me até aos últimos minutos possíveis da manhã do teu sorriso
isso ... já nunca perco

terça-feira, 1 de março de 2011

e no entanto vou-me desgastado em regressos
perdendo peças do motor que a alma constitui

queria pura e simplesmente clicar no DELETE
e encontrar na RECICLAGEM forma de mudar a vida

defino-me todo em palavras e perco a simplicidade das coisas:
distância: troço físico que se traça de um local ao outro ... medido por km, m, etc.
distância: foda-se como me dói estar, ser, distante todos os dias

ausência: falta de presença de um elemento num "plano físico e palpável"
ausência: (...)! ? ---- !? eterno constrangimento !?!? perca do controlo de mim...! . ¡'¡'¡¿?¿?¿ procura eterna de tornar presente o que dói pela distância.

amar: acto, a nível humano, descrito por milhares de anos de filosofia, história, ciência, sexo, lágrimas, dores, sorrisos (---) e a lista continua
amar: se soubesse quão simples é o amor não precisava de tanta palavra supérfula, que no fim só me complica a defenição de algo que só um cheiro, um toque, um calor, consegue descrever

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Na Grécia...

Culpe-me doutor juiz que sou culpado!

Sou inapto à sua sociedade e deverei ser castigado por desejar demasiado, demasiado para o homem que com tão pouco da vida vive...

Mergulho na minha noite intranquilo e sôfrego, e ainda fico sem respirar perante a dor que o sistema provoca, e a minha noite aclara um pouco...

Culpe-me senhor padre que pecarei até morrer!

Culpe-me senhor político que voto em branco!

Culpem-me que sou culpado de desejar demasiado, sou homem para vós desajustado...

Culpem-me por desejar demasiado para o homem que é pobre da sua riqueza... culpem-me se desejo caminhar contra a corrente... é que custa ser obediente... é este desejo de viver a humanidade em pleno que não me abandona...

Culpe-me doutor juiz que sou culpado!

Considere-me louco demasiado para habitar na vossa triste realidade. Despir o casaco de economista e a gravata de político que costumamos usar, prefiro mil vezes enlouquecer em cada segundo da minha vida a vestir tais trapos... Desculpe mas preciso de mais tempo para enlouquecer um pouco mais, ainda as entranhas de onde nasci se esvaem em sangue espesso... mas sei que conseguirei ser um louco, bebo do néctar da demência... Mantenha-se o doutor nessa prisão se é que me percebe... ou então, depois que apodreça e eu consigo de igual, talvez já não se sinta tão inchado e me entenda melhor...

É que a verdade tarda sempre à justiça das coisas... (ecoava)

Verdade papal e sistémica, e moleza das vidas fartas, desalinhado não quer ser soldado, nem tempo tenho para enlouquecer...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

toca-me com os teus dedos a escala em desalinho que sou
se desafinares a culpa não é tua é do tempo que leva a entender-me

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"demasiado negro para ser verdadeiro"...
cru
e demasiado primitivo para ser falso!

“[fala] diz...” diz quando eu for...
“cansas-te?”
E quem estará do teu lado quando no cansaço o vazio te abraçar?

E como se fosse outra coisa qualquer ainda respiras palavras no meu ombro vermelho!? Rasgas a pele e a noite também... e quem me sustem perante um cansaço maior que ninguém suspeita quando vem.... ó noite maior tu cansas-me!

“descansa [deita-te]”, permaneço deitado numa almofada sem fada até que chegues... e tu que dizes se eu não estiver, nem quando sentido houver,
ri-te ainda mais alto para mim,

“no meio de tanta pessoa” ecoa, ecoa como uma inspiração sôfrega a tua ausência, não voltaste,
e com o tempo
“perdes a essência” e não voltarás...

...“para me confirmar o regresso” crava-me no peito as lâminas da verdade...
...e deixa-me respirar o ar da noite “como se a manhã tivesse caído”...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

[fala] diz...
cansas-te?
descansa [deita-te]
no meio de tanta pessoa
perdes a essência

vá... [fala]
diz... [repete]
cansa-me
deixa-me descansar
vai-me falando baixinho
para me confirmar o regresso
Leste tudo sem coçar a mão primeiro
e há quem não queira nem sequer saber

vai
reconstrói-te
como se a manhã tivesse caído

e /
ficasses/




/ num vazio /


demasiado negro para ser verdadeiro /
isso que queria...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Surgiu a noite, surgiu a lua
surgiu também uma lembrança tua.
Escureceu de repente, e não há barulho
não há surpresas, nem prendas só o embrulho.
Eu, embrulhado de frio. Sem laço.
Sem cobertor ou agasalho.
Sem senãos. Sem te segurar as mãos.
Bocejo mais uma vez antes de me aconchegar
e adormeço sabendo que não existes,
mas um dia vais chegar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Boa Noite

agora/ que o sono se pendura nas pestanas e anda de baloiço nos meus olhos/ agora/ que as palavras respiram mais devagar e as costas esperguiçam a noite/ agora/ que quero sorrir ao dia de amanhã mas está escuro, ainda, e só as estrelas se acendem pirilampicamente a querer dizer bom dia, mas é noite/ agora/ que tempo será este que não há quente a derreter os sonhos e por momentos congelo todos os momentos/ agora/ é apenas hora de ir...de ir...de ir....mais tarde volto. não //agora//. V

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Serenamente

Sereno. A quietude das searas ficou no sul do meu peito. Rudes os granitos desta terra que me acolhe e me enche os olhos de branco. Sereno. Falta-me o cheiro da terra dourada a dançar no calor do horizonte. Falta-me o que ficou na memória, e já só é isso apenas, memória. Sereno. Porque os meus sorrisos todos juntos lavam-me as lágrimas. Deito-me e deleito-me nas palavras e voo, voo muito alto para além de mim. Regresso ao hoje e…Sereno.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

contaminaçoes

"visto as calças do pijama como se me vestisse de ti" ... e a pele estala com o calor que o frio arrefece. A neve passa a ter uma luz própria e a distância perde-se na geada "um retorno real - dizem-me as paredes" mas a resposta não é única, nem fica por um parágrafo apenas.
amachuquei os papéis que me ditam as horas "e eu já nem nas molas os vejo retidos". pendurei-me no estendal às seis da manhã para ficar em ponto de congelamento real ... e fiquei, gelado, a ver a cama de esguelha ... cheio de pressa de apanhar o sol de vez.
Contaminam-so os caminhos das frases que sobraram dos papéis "colgados", e as palavras cospem-se mutuamente. "oye! te queda mucho?" nao ... ja estou de saída

em itálico - citaçoes - Nuno Cacilhas

joao