porque para além de poesia experimental também existem experiências poéticas ... todas as actividades de escrita estão em igual alcance do homem como ele deveria estar com a natureza ... aequum : equidade, imparcialidade, igualdade
segunda-feira, 21 de março de 2011
as sílabas do diálogo
sábado, 19 de março de 2011
Obnubilações
onde o ser se mistura com o não ser,
onde não há género e o número é plural,
onde encontro o que perdi sem procurar
Aqui,
onde as cores do inconsciente se pintam,
onde é fácil atingirmos o difícil,
onde não há esquecimento por nada terminar
Oiço,
( Professora- "Vicente, dê-me um exemplo de um arquifonema.")
Não oiço,
há conceitos que não transitam,
há conceitos que não passam a fronteira
Aqui,
há ilusões que iludem conceitos,
estados mentais que obnubilam o real,
Há sensações por definir em sentidos,
Respondo,
( Eu- "O mundo é um arquifonema".)
noite de lua cheia de...
a neblina do que pode ser
as nuvens do que já foi (constantemente a chover)
surge a lua cheia de esperanças e conclusões falsas
quinta-feira, 17 de março de 2011
Poema dos 30 segundos
Paleio técnico
O sector do parâmetro
Fugiu a correr da pluralidade cultural.
Encontrou o âmago do gráfico
Que o arrastava com valor sentimental.
A dívida passou a ser soberana;
Uns à rasca, outros na mama, todos nem tanto.
No entretanto, pergunto-me o que aconteceu à informação
Que com tanta atenção, se tornou automática.
Coitadas das declarações normativas,
que são tudo menos positivas.
O PIB chegou ao déficit, esmurrou-lhe a cara e excluiu-o da rede social.
Desta feita acho que nem chega ao Natal.
Quando tudo terminar, não existirão tecnicismos que nos valham.
Restaremos nós.
Quando nos encontrarmos, saberemos que tudo está bem.
Rodrigo Antão [17-02-2011]
A existência
A vazia existência não existe.
Eu existo
Tu existes
Ele existe. Ela existe.
Nós existimos
Vós existis
Elas existem. Eles existem.
Existem factos. Existem letras. E palavras.
Vamos existindo pelas avenidas da existência.
Fazemos coisas. Existimos.
Por favor arranjem-me um conceito que exista.
O que é isto?
Rodrigo Antão [17-03-2011]
terça-feira, 15 de março de 2011
A árvore que me estreia.
reinava a sombra, a sombra do verde
que ocultava a luz,
nos pés a prova da virgindade
que percorria,
trilhos virgens anunciavam estalando,
o romper do hímen,
a fina película que norteia
o ponto em que o desconhecido
se conhece
Cortei ramos e folhas,
pisei ervas e calquei musgos,
equilibrei-me sobre frágeis
estruturas rochosas,
bebi da água que corria
montanha abaixo,
como se saída das nuvens,
bálsamo das feridas que o
meu corpo alimentava,
as chagas de um Deus que perdi
ao procurar-te.
No desânimo avistei-te
no desespero encontrei-te,
oásis de luz e sol
no que é da sombra,
perdida numa imensidão desértica
de areia,
que corrompe a fecundidade
desta selva que é
de musgo
e de ervas
e de ramos
e de árvores, e tu
plantada, à espera
da boca que alimentas,
ó árvore do que eu
vivo.
(Desconheço a maioria dos colaboradores do AEQUUM, no entanto, agrada-me a ideia de os ir conhecendo através das palavras, como se fossem elos que nos ligam ao desconhecido. Talvez as palavras sejam o único que importa conhecer de alguém. Obrigado João.)
sábado, 12 de março de 2011
inv/ferno
com a almofada falo eu em lágrimas
os pesadelos gritam-me ao ouvido
o peso, as nuvens, o frio, sussuram-me ironias
o sarcasmo dos dias de chuva
a idiotice do pessimismo
enquanto o dia me fala em "molha tolos"
eu respondo com o bater de teclas
porque me doi demasiado a garganta para poder gritar
terça-feira, 8 de março de 2011
De volta ao básico
Mas é estéril o meu pensamento, tão vazio e tão oco, nas suas paredes ainda pende, oscilante o meu tormento, que de tanto sei tão pouco, de algo que não se aprende.
Se de mim não sei nada, por mim tudo quero saber. Ó deserto o que me sopras ao ouvido? Como posso eu aprender se o que me dizes não faz sentido?
Estou nú, crú. Quero começar de novo. Quero sair...já aqui!
E é agora, nesta precisa hora, que me vou libertar, que vou poder dizer: Finalmente! Renasci!
sábado, 5 de março de 2011
tens as pernas esticadas, uma manta que a conforta
os canitos, cadelinhas na verdade, equivalem na senhoria
olham-me com olhos ternos
traduzem-me a calmaria e a paz de me encontrar noutra casa que posso chamar com esse nome
comi carne
comi carne porque a simplicidade com que ma oferecem
ultrapassa qualquer "fundamentalismo" ideológico que me possa passar pela cabeça
porque é impossível resistir a tamanha humanidade
acabei vindo sozinho - de certa forma -
e sinto-me tão acompanhado
afinal,
a minha casa, a minha pátria,
está em qualquer canto desta península paradísiaca
como amo a vida nestes momentos
quinta-feira, 3 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
tu voltavas do trabalho
massajava-te os pés em frente à televisão
fuma um cigarro com a gata ao colo
e sonhava um sonho que não conhecia
e depois...
mudava a bilha do gás de um selector para o outro
tomava um banho quente quanto baste
e dormia, finalmente, sem qualquer dificuldade
e a cama agarrava-me até aos últimos minutos possíveis da manhã do teu sorriso
isso ... já nunca perco
terça-feira, 1 de março de 2011
perdendo peças do motor que a alma constitui
queria pura e simplesmente clicar no DELETE
e encontrar na RECICLAGEM forma de mudar a vida
defino-me todo em palavras e perco a simplicidade das coisas:
distância: troço físico que se traça de um local ao outro ... medido por km, m, etc.
distância: foda-se como me dói estar, ser, distante todos os dias
ausência: falta de presença de um elemento num "plano físico e palpável"
ausência: (...)! ? ---- !? eterno constrangimento !?!? perca do controlo de mim...! . ¡'¡'¡¿?¿?¿ procura eterna de tornar presente o que dói pela distância.
amar: acto, a nível humano, descrito por milhares de anos de filosofia, história, ciência, sexo, lágrimas, dores, sorrisos (---) e a lista continua
amar: se soubesse quão simples é o amor não precisava de tanta palavra supérfula, que no fim só me complica a defenição de algo que só um cheiro, um toque, um calor, consegue descrever
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Na Grécia...
Sou inapto à sua sociedade e deverei ser castigado por desejar demasiado, demasiado para o homem que com tão pouco da vida vive...
Mergulho na minha noite intranquilo e sôfrego, e ainda fico sem respirar perante a dor que o sistema provoca, e a minha noite aclara um pouco...
Culpe-me senhor padre que pecarei até morrer!
Culpe-me senhor político que voto em branco!
Culpem-me que sou culpado de desejar demasiado, sou homem para vós desajustado...
Culpem-me por desejar demasiado para o homem que é pobre da sua riqueza... culpem-me se desejo caminhar contra a corrente... é que custa ser obediente... é este desejo de viver a humanidade em pleno que não me abandona...
Culpe-me doutor juiz que sou culpado!
Considere-me louco demasiado para habitar na vossa triste realidade. Despir o casaco de economista e a gravata de político que costumamos usar, prefiro mil vezes enlouquecer em cada segundo da minha vida a vestir tais trapos... Desculpe mas preciso de mais tempo para enlouquecer um pouco mais, ainda as entranhas de onde nasci se esvaem em sangue espesso... mas sei que conseguirei ser um louco, bebo do néctar da demência... Mantenha-se o doutor nessa prisão se é que me percebe... ou então, depois que apodreça e eu consigo de igual, talvez já não se sinta tão inchado e me entenda melhor...
É que a verdade tarda sempre à justiça das coisas... (ecoava)
Verdade papal e sistémica, e moleza das vidas fartas, desalinhado não quer ser soldado, nem tempo tenho para enlouquecer...
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
cru
e demasiado primitivo para ser falso!
“[fala] diz...” diz quando eu for...
“cansas-te?”
E quem estará do teu lado quando no cansaço o vazio te abraçar?
E como se fosse outra coisa qualquer ainda respiras palavras no meu ombro vermelho!? Rasgas a pele e a noite também... e quem me sustem perante um cansaço maior que ninguém suspeita quando vem.... ó noite maior tu cansas-me!
“descansa [deita-te]”, permaneço deitado numa almofada sem fada até que chegues... e tu que dizes se eu não estiver, nem quando sentido houver,
ri-te ainda mais alto para mim,
“no meio de tanta pessoa” ecoa, ecoa como uma inspiração sôfrega a tua ausência, não voltaste,
e com o tempo
“perdes a essência” e não voltarás...
...“para me confirmar o regresso” crava-me no peito as lâminas da verdade...
...e deixa-me respirar o ar da noite “como se a manhã tivesse caído”...
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
e /
ficasses/
só
demasiado negro para ser verdadeiro /
isso que queria...
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
surgiu também uma lembrança tua.
Escureceu de repente, e não há barulho
não há surpresas, nem prendas só o embrulho.
Eu, embrulhado de frio. Sem laço.
Sem cobertor ou agasalho.
Sem senãos. Sem te segurar as mãos.
Bocejo mais uma vez antes de me aconchegar
e adormeço sabendo que não existes,
mas um dia vais chegar.