sábado, 1 de outubro de 2011

Festejamos?


   Combinámos encontrar-nos. Já não era sem tempo, afinal, há um ano que não nos conhecíamos. O local era amplo, civilizado, claro, mas expunha, orgulhoso, pequenos apontamentos naturais ao redor dos quais pontuavam exemplos da naturalidade com que o homem convive com a natureza: alguns papéis, copos plásticos e um ou outro vestígio do que fora uma refeição.
   Claro que não era o melhor dos espaços, mas a criatividade é fodida e quando aliada à obrigação dá-nos o seu pior. Já não há locais para os poetas desde que Valter Hugo Mãe disse que o Herberto Hélder devia estar numa praça para ser adorado. Agora é vê-las, as praças, atulhadas de invenções em honra do bombeiro, do marceneiro, do trolha e até do velho que, quando crianças, nos vendia as câmaras-de-ar com mais furos do que tinha a que lhe levávamos. Mas poetas, nada. Por isso, pensei, talvez não fosse fruto do acaso aquele local que combináramos ser o ponto que nos juntaria. A primeira vez.
   Carregaríamos ao peito um poema nosso. Sim, uma pequena honra ao célebre “ Põe-me um poema no peito para te ter sempre presente” do João Sousa, e através da leitura do poema colocaríamos à prova a nossa intimidade, e saberíamos então se realmente nos conhecemos pelas palavras.
   Quando cheguei já lá estavam dois. Sentei-me, pedi uma cerveja de pressão e não trocámos uma única palavra. Limitámo-nos a lermo-nos mutuamente. De vez em quando os nossos olhos encontravam-se e provavam, com um ligeiro brilho de ironia, que já nos descobríramos. A pouco e pouco foram chegando os outros. Olhavam em redor e talvez pensassem do local o mesmo do que eu, mas logo se sentavam e se abstraiam do envolvente. Nada havia sido combinado previamente, mas nenhum disse uma palavra a não ser as duas ou três que dirigíamos ao empregado pedindo-lhe mais uma bebida. Estivemos horas naquilo: lendo-nos mutuamente e regando o espírito.
   Quando a noite começava a levar de vencido o dia, um de nós levantou-se e juntos vimo-lo desaparecer para lá da sebe que delimitava o espaço. Depois outro, e outro, e outro, e o último a abalar foi um dos dois que já estavam aquando da minha chegada. Parecia um ritual, o cumprir com preceito regras rigorosas que tínhamos imposto a nós mesmos.
   Continuamos a cumprir o único ritual que fazemos questão de respeitar: escrever no AEQUUM. Nunca mais os tornei a ver. Não sei nada deles, apenas conheço as suas palavras; apenas os conheço pelo poema que carregam no peito.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"O mecanismo da recordação"

a arquitectura da recordação
tem nome de doença,
mastro que trabalha na profundidade
das pequenas rutilações da temperatura
da têmpora que já não era tua.
Morrer foi experienciar a velocidade inversa
do ofício de se ser humano,
foi um hermetismo inquieto
uma inquietação disposta sobre
lençóis brancos de imaculada insatisfação.

No outro lado da sala
- por entre fumos e fumos de anos -
os teus membros renascem
num balanço gentil de fábula
numa harmonia de essência e cerne.
Muda, porque desacreditada
certa, porque assimétrica.

Essa voracidade, essa tenebrosa
regra que desqualifica o teu automatismo,
respira do espaço que compreende
a distância entre o estar
e o poder ter estado
entre o sonhar e o quisera ter sonhado

Toda a incerteza é vingativa
porque recria a crença
que a coloca em causa
E toda a recordação é inquieta
porque desobedece ao ruído próprio
dos estrépitos do passado.



[Os meus parabéns ao blog e a que a ele tanto se dedicou. Grande abraço João. Até breve!]
estou no autocarro
sai da ribeira às 7 da manhã
subi até à estação em 17 minutos

bebi um café no lobito
ainda há gente que engraxa os sapatos depois da vista para o rio

sai do porto às 8 e parei para fumar em fátima perto das 10 e picos

ao descobrir que tenho internet no autocarro decidi
parar para fumar no aequum

e eis que esbato... eis que fumo em telepatia com os que ora fumam
embebedo-me em letras que ora escrevedes

amigos meus
amigas minhas
companheir@s do mundo
da fome e do pão
da miséria e da melancolia
da alegria e da inconstância
da constante esperança e descrença
dos que gritam e para os que não falam assim tão alto

a minha ialma está aqui em conexão com a vossa ialma

parabéns ao aequum
nesta data querida
quase chego a lisboa
tenho as pernas doridas

Obrigado a nós tod@s

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Estar.

Não gosto de migalhas! É verdade, não gosto de migalhas, e não gosto não só pelo facto
de ter que as varrer ou aspirar ou deitá-las para o chão e preocupar mais tarde com elas,
mas também porque fazem parte daquilo que estou a comer, e chateia-me perder pedaços do
que estou a comer. Porque será certamente algo que eu gosto, e migalhas são desperdício, e eu não quero desperdiçar o que gosto.

Se pensas que as migalhas são uma metáfora para outra coisa, é verdade! Ou pelo menos a partir desta linha é!
Pois bem, eu também não gosto de perder momentos com as pessoas de quem gosto. Chateia-me!
Já não falando de estar longe delas, o que me chateia ainda mais! São minhas, gosto delas e quero estar com elas!! Impossível, eu sei, mas é a minha vontade. Eu estava mesmo a falar de estar presente, fisicamente falando, com pessoas, em sítios, em actividades, e não estar lá. Eu quero viver os momentos plenamente, mas ás vezes não sinto nada, acho. Parece que a "firewall" me bloqueia os sentimenstos ou as emoções ou sei lá...
Eu prometo a mim mesmo seguir numa trilha constante, digna de quem sabe o que quer, o que precisa e para onde vai.
Mentira não sei. Não sei se sei. E sigo, qual balão cheio de sabedorias, mas que no fim é só ar quente.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

acabei por clicar em publicar mensagem

e depois fiquei calado. fiquei depois calado, e antes estava calado, e haveria de estar calado depois.
não tinha palavras nem antes, nem depois, nem agora. faltam-me as palavras.
depois fico sem saber mesmo o que dizer. sabia-o? antes? não sei... agora não sei.

é como ver as 4 galinhas pretas (ou 3 e meia, visto que uma tem uma pata inoperacional) no poleiro, ou no muro... elas vêm os 5 frangos montados no outro poleiro a comer as uvas do vizinho? elas sabem isso?

e depois com o vento? como sabemos como fica tudo depois do vento (se é que sabemos como estava antes)

derrapei na curva, quase caí a descer para o café, bati com a perna no carro do primo e com a unha no passeio que estava mesmo ao lado do seu carro, fui e voltei e aqui estou tão sossegado que não sei o que é antes, nem depois.

é... ter medo de ter a cama fria... é... ter medo, muito medo de não saber o que vem depois e não saber como melhorar o que se fez antes.
é... ter medo de existir perto de mim. é ter tudo como sempre quis e ver as cores que os teus olhos reflectem no sol e na cadeira. é ter dores nos braços e calos no cérebro. é ser apático e imbecil. é sorrir e ver sorrir.

é... não suportar o silêncio do depois. é... não suportar o ruído do durante.

amar é ... ter de fugir para sentir a minha falta.

e depois calei-me. escrevi-me e

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Galiza (II)

Os rios, os montes e as serras
roubadas p'lo betão armado
E os gritos negros no céu
e as manchas sangrentas no mar
são orgulho da sociedade moderna.
A cunha de uma moeda, única,
a árvore de longa idade
Galiza, roubada, violada, transformada
Sem barreiras de terra ou de flores
Sem defesas seus ecos de revolta.

terça-feira, 19 de julho de 2011

foste educad@ acreditando num sistema
não faltaste às aulas porque sabias que a tua vida dependia da escolarização
falhaste com os teus impulsos porque a liberdade é saber conter os impulsos
e as bombas que não rebentaram nas tuas mãos não rebentaram em mais lado algum
choraste as lágrimas de sal
que rasgando o teu rosto formaram poemas da revolta
sem chão sem céu sem palavras para a descrever gritaste os impulsos antes escondidos
mas hoje não sabes como se era humano antes do tempo da nossa democracia
e as palavras são todas cuspidas e ninguém sabe como te chamas
choraste lágrimas de sangue
porque perdeste a pedra que guardavas no bolso
eu juro-te que vais saber mandá-la quando a encontrares
mas que grites a tua alma e a da humanidade
livre dos preconceitos ridículos que aprendeste do que é ser-se humano
livre da prisão que o estado oferece como escolha e livre-arbítrio
hinos? querem que cante hinos?
não... eu não tenho mais uma cor...
tenho versos que me servem para agir contigo companheir@
tenho gritos que servem para gritar ao teu lado companheir@
tenho lágrimas para chorar contigo e medrar na terra que nos criou
porque a terra não inventou o parlamento
nem o teclado que agora bato
e como estou farto de falar para o ar
vou fumar mais um cigarro
e assumir a minha escravidão
porque amanhã
estarei à tua porta
de punho cerrado
e uma pedra no caminho
para chutar até achar a outra

esqueceste-te que não tinhas de ter um cão para se humano
esqueceste-te que não tinhas que ter um telemóvel para ser amad@
esquecemo-nos que não é do emprego que nasce o trabalho
esquecemo-nos que não somos autómatos nem pilhas de carga
mas somos
e ficamos
sós

juntos entre a podridão de uma ilusão republicana
democrática moderna e global

como me fodem os teus conceitos
como me apetece esquecer os princípios básicos do senso-comum

Mãe... chegas-me as bolachas? Eu, sozinho, não chego à estante de cima...
Claro filho... Tens aí o banco... tenta não bater com a cabeça na esquina do móvel...
Agora ala... Beijo... Chichi... Cama...
Como :) te amo...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

contacto

Finjo que os olhos não correm porta fora em lágrimas
O peito não se abre em vendavais
As mãos não gritam palmas de saudades

Finjo que o teu sorriso está aqui
Os teus poemas são todos para mim
As cordas do baixo vibram no meu plexo solar

Finjo que a Corunã é ali nas tílias
E nem me importo com as nuvens de tabaco
De repente é perfume e eu toco pianos de sorrisos


Finjo, tudo isto é vida de fingir que estou feliz
Até ao momento que mesmo que dure um só momento
Seja aquele que me cola perpetuamente o teu abraço
Ao resto dos meus dias

quarta-feira, 13 de julho de 2011

a vida é tão curta
e a tua imagem no meu coração longa demais

se temo a morte
é porque te tenho na vida

quinta-feira, 7 de julho de 2011

As fontes do segredo

Descoberta a razão das fontes
resta-nos a transparência das suas águas,
a ausência das aves que nela bebem
o frio mármore que esculpe a forma transparente
com que fitamos o fundo,
guardador de lembranças e promessas
já antes desfeitas em carências de pares que se olham,
num indizível movimento de pestanas,
fugaz memória do amor que ali os trouxe num
sopro de indignação,
jurar a morte a quem ouse descobrir
o segredo das fontes.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

crónica

foi como se sonhasse fumegando a existência saltas-me do ecrã como se a vida fosse, afinal, virtual o ócio que fumega e entrei na mesma sala onde estiveras para reencontrar futuros antes sonhados. tudo em vão no mais puro vazio que existe entre o ponteiro dos segundos e os outros dois, acelerado e por instantes compatível acendendo um cigarro rastejei da porta de uma sala à outra, como se fosse eu o tempo que rasteja entre as cidades que deixamos fumando a vida até à morte [mas quem me disse que era assim?] deixamos e procuramos novos rumos sem nunca entrar na sala em que viveste morrer a cada fumo que exalamos e acreditei que estava mesmo onde querias, pré-visualizando as atitudes que eu conheço existem em intervalos de fumo as vidas que a morte deixou de parte [não me fodas, continuas sem saber que é assim?!] e quando por fim, no final do dia, vi escurecer o céu em sinal de finalização de uma árdua tarefa pessoal nascendo de manhã morrer-se-á de tarde? beijando o solo e o barro e a chuva, chorando sal derretendo o gelo da frieza, tranquei-me na tua sala, como quem está meio morte mas ainda pensa viver [estás vivo? estás tão gelado]

sábado, 25 de junho de 2011

há algo de errado no mundo?
o mundo está errado?
será errado estar no mundo?

e o relógio toca

tens um auricular novo e falas enquanto
fazes as compras para o mês de abril (sem
maiúscula, porque obedeceste,
e já não sabes como escrever os meses)

será errado haver mundo?
é um erro ser o mundo?
haverá algo certo no mundo?

e o telefone toca

tens uma borbulha no cérebro de tanto
falares das mesmas coisas atualmente (sem
"c", e já sabes porquê)

e o telefone toca com o relógio
combinaram às duas para beber um brandy-mel
e a vida gira
e o mundo engana-se
e o homem morre

terça-feira, 21 de junho de 2011

A fuga presa nos meus olhos


É no cantar surdo da minha alma
que te conheço
É no voo do corvo negro que vejo
o claro dos teus olhos, e ter eu o
carvão para os desenhar, para os fazer
meus e fugir do mundo como quem
foge ao destino, distraído,
desconhecedor do alcançar o amor,
e tê-lo, todo, continuamente estendido
em tapetes púrpura amaciados por
cândidos dedos, iguais aos que imagino teus,
e deslizar no espelhado do teu corpo, e não tocar,
o mais ténue contacto, e ainda assim encher-me
de ti, do que te faz, e correr mais ainda,
num fôlego constante, e nele encontrar o ar
que me permita ao parar ver-me longe,
continuamente longe,
deixar de me ver e por isso ter-te sempre presente
nos meus olhos.

domingo, 19 de junho de 2011

na varanda

da varanda olhas-me com os olhos brilhantes
ah, tu estás aqui em baixo! aperto-te o abraço
engulo em seco. Viro-vos costas

a minha mãe, como mãe que é, oferece-me um lenço de papel.

Arroyo de La Luz!, ligeiro desvio a caminho de Alcántara

o empregado de mesa tem uma carne divinal...
uma foto do Che "colgada en la pared" e o campo em torno da vila citadina
"Obrigado!" diz-me ele... e ali abraça toda a realidade de raya

da varanda - ainda estás na varanda martinha? - tanta cinza caiu dessa varanda
tanta casca de pipa

acordei hoje de manhã e não estavas a dizer asneiradas!?
"não há césar nem meio césar"
"já te disse para tirares o indiano da boca"

escutem! aquele "bocadillo" estava demais... deviam passar do arroyo antes de deixar cáceres para trás

Mas que digo?

já guardei o lenço de papel no bolso...
vou contemplar a paisagem e fumar um cigarro, como se tivesse na cozinha
com a cafeteira derretendo-se por dentro... mas afinal onde ficou?? vai para cima? vai para baixo? vai para o lixo?

fecho a porta do carro,
deixo as lágrimas escorrerem-me pelo rosto abaixo e espero
entre o fumo e a luz da ponte de Alcántara
um eterno até já que as cegonhas transportam nas penas que deixam cair em tuas mãos

ainda estou na machacona aos gritos a teu lado
ainda estou na varanda do bar a dizer merda com todos vós
ainda estou no gabinete lá em cima a levar filmes
ainda estou no colmendralejo a ver as coisas mais belas da vida, as mais simples, as únicas que dão mais certeza à vida aqui

ficou mais um pedaço meu, em vossas mãos, e não sei se o vou buscar de novo

amigo/s o teu abraço ainda aperta o meus


obrigado!
não faz mal
...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Porquê?

Porque não plantas?
Porque não flores?
Porque não árvores onde crescem os amores?
Porque não terra ou pedra?
Porque não lama ou água?
Porque não a nuvem que a carrega?
Porque não o vento que a empurra?
Porque não o céu que o vento percorre indefinidamente?
Porque não o sol que o luz ou a lua que o escura?
Porque não o fogo que tudo acende?
Porque não tudo?
Todo o cheio que há no mundo!
Porque não nada?
O nada que no tudo se esquece.
O nada que em nada aparece e adormece na pressa de esquecer o que existe!
Porque não um homem?
Porque não um homem vivo?
E porquê viver se vida há em tudo o que vivo?

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Poesia doméstica

Sem óculos

Abri o saco da roupa e ouvi uma voz que dizia: pois até não falta assim tanta roupa para arrumar, esta, sei que devia ser 2ª ex namorada, depois ouvia outra voz, aí era a 1ª, era mesmo, dizia: esse monte olimpus de roupa, sem dúvida que era, que vais fazer com isso!? Talvez pela janela... depois outra voz de um amigo me acalmava e falava-me de outras coisas que eu não entendia... estava só, enfim, com os meus heterónimos – dizia – contente... falava comigo e contigo, estou certo que ouviste... depois outro amigo exaltado exigia que eu queimasse a roupa para não a lavar... que problema de luxos... impossível... mas entendido!

Sem óculos os meus olhos desfocam, o café faz cancro e o telemóvel dá azia! Vejo que despertaste sua besta! Comigo?! Claro! Sou conan o homem rã! E vim para reinar!

Uma palavrinha, pois necessito mesmo dela, para os exacerbados do poder! Atentai caros filhos da puta que o dia para vós é apenas parte da noite! Atentai, fachistas de merda! Tiranos instaurados! O esquema viciado! Pequenos chefes... tristes e amargas sombras de um sentido de grupo... hipócritas, sim, levanto a minha voz sem medo, vem cá, vem ao poema e tenta derrotar-me que eu pela lei sou fraco... incide em prosa a tua fúria e sai debaixo da saia da Paula Rêgo, quem és tu afinal? A não ser um monte de papéis sem rosto? Julgas pois que o poder que tens sobre a vida dos outros é superior ao sentido de profissionalismo? Julgais-me com medo? Falai-me na melhor prosa de ficção – a sua, pois nem que eu estude dez anos chegarei ao seu nível exacerbado e surrealista! Bravo! É um caso de estudo meu caro... Quem sois vós? Hipócritas sem mais que... e eu? mentiroso a teu proveito, morra eu se me preocupo com o sentido de justiça para além do que ele me ensina... é frase simples? Dormis descansado? Pois que sim, embalado pelo leito do vale tudo! Um dia, de novo, que me chames mentiroso, seu cobarde, e eu, que me quede inválido pela luz ofuscante do teu poder, e então cessarei as minhas armas perante tão grandiosa verdade; ó meu pequeno chefe...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Postit

Quero a próxima carta pronta amanhã em cima da minha secretária...
Estou completamente diferente...
2.linha 3
3. linha1
4ºparágrafo
sempre com um charme especial ou um gozo particular...

16:30 joão
tirar tarde quinta-feira, tirei 95 euros...
A Maria veio para Montemor era primavera...
17 de Julho de 1978 campanha de decapitações, David, Nova Roma...
desconcertante, tragicamente belo, repulsivo...

user name, password, estudante-22
desligado o furo 6 e ligado o furo 5 da amoreira...
agitado, descansar...

comédia dramática: 4 personagens, 1 livro excitado, 1 puta frustrada com o irs, quer enriquecer, anti-mulher fatal...
espanhol 16, estética...
comer, limpar a casa...
criar, criar! agitado, trabalhar, passear a cadela...

cabo (verde?) _________________ o texto não está justificado, verificar erros, falta de conexão entre as frases. Funcionamento e orgânica.
lembrar-me do que me esqueci, ir às compras...

Telefonar ao afilhado, comprar prenda... ir a casa da avó... comprar 2 pneus, pagar a luz, fazer contas... encomendar pizza e cortar o cabelo... telefonar ao Sol...

Ler: A insustentável leveza do ser... Kundera...

Destruir o significante dos conceitos... entregar os livros na biblioteca...

Dormir das 02:00 às 06:00, prazo 1 de Junho (já passou...)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

vou tingir a tela que faz fundo da sala onde me obrigam, sentado, a ouvir as lenga-lengas do costume
vejo agora que estão todos aqui, o cão, a foca e o abutre - parece que temos a força armada portuguesa em peso

vou tingir a tela de tal maneira que de tão vermelha espetarão todos os cornos na parede...
pode ser que assim, deixando os bmw's à porta e sem gasolina, consigamos mudar o sistema