porque para além de poesia experimental também existem experiências poéticas ... todas as actividades de escrita estão em igual alcance do homem como ele deveria estar com a natureza ... aequum : equidade, imparcialidade, igualdade
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
só?
o cinzeiro está, vazio, no mesmo sitio
há o teu cheiro
há uma garrafa de plástico com a mesma água que tinha antes
deito-me, bebido, e sinto-te cá
vou desligar o candeeiro, a tomada incomoda-me as costas
boa noite
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
esta noite...aquela noite..outra qualquer noite
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
mais mar, mais tempo
voltará tudo ao que poderia ser
e o espaço vai fundir-se de vez com o tempo
os ponteiros do relógio passarão a estar coordenados para sempre
...um dia
voltarás de noite, para aquecer o vento frio
para secar a chuva dos meus olhos com a chuva dos teus
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
tempo, Tempo, TEMPO, T E M P O / M A R , MAR, Mar, mar
Por muito que se quisesse apartá-los...
piam de um lado, chovem do outro
não há quem consiga ficar imune à doença do desencontro
...não deixavam afastar-se [...]
"Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água(...)"(Nuno Judíce, in "Pedro, Lembrando Inês".)
[...] chocavam contra a tempestade, contra a chuva.
(chove quando não estás ... O Sol tem medo da tua ausência)
São prenúncios de que é impossível desligar esta ficha. Nem milímetros, nem metros, nem quilómetros. Não há coisa idêntica. Os pássaros continuarão a piar, as nuvens a evitar a chuva para ver de perto o Sol. E as coisas vão continuar, de uma forma de outra.
"Disponho à minha volta todas as razões de uma verdade(...).
Disponho à minha volta todo o escárnio do mundo. E não preciso de ver a tua
fotografia que custou caro aos meus deveres económicos. Mas o nosso encontro é
no eterno e aí não há economia"(Vergílio Ferreiro, in "Até ao Fim")
E depois a bicicleta parou
o pneu parecia vazio e o Sol tardava em pôr-se.
O mar derrubou as sua próprias ondas contra as suas próprias rochas.
Voltou-se a ver, ao longe, um rodar lento dos ponteiros do relógio.
Tardou. Chegou lá, mas tardou.
Os ponteiros foram concertados. Uma vez colocados no seu sítio a
bicicleta voltou a andar. Correu. Tardou, mas chegou a tempo.
O mar sorriu, como um puto sacana que prepara alguma partida,
reflectindo o Sol sobre a estrada.
Voltou-se a ver, ao longe, o viajante nómada, contra as nossas próprias regras,
chegando a casa. Tardou. Mas Chegou. E não tardará em sair outra vez.
"That taste. All I ever needed. All I ever wanted. Too dumb to
surrender."
(Kings of Leon in, "Arizona")
E as vertigens vão ficando cada vez maiores
Os sinais de trânsito não correspondem ao caminho marcado no visor
...
e não tenho tempo.
esqueci-me dele noutra estrofe. esqueci-me de acertar os versos com o horário de espanha.
esqueci-me de olhar para o lado antes de um carro passar primeiro que eu. esqueci-me de me levantar a horas e correr antes que o tempo acabe.
...
Os sinais não correspondem
...
As frases não se encontram facilmente,
as ideias voam entre os espaços em branco
Não fora a tipologia e escreveria sonetos
Escreveria mecanicamente, tal como agora, mas pior,
Não fora o computador e nunca daria tantos eros orrtográficos
não fora o corrector gramatical e sairiam muitos mais
Cala-te, por favor, que tento ouvir aquela voz,
só mais uma vez, para ver se chego antes dela,
para a ver chegar.
...
piam do ninho para o céu, pedem à chuva que pare,
apenas por dois minutos, pelo menos até saltarem para outro ninho.
e a chuva parou. e as estrelas confirmaram a passagem para o dia
e Sol voltou a abrir brechas na janela - e a porta ficou aberta para sempre
...
"Ao meu coração um peso de ferro
Eu hei-de prender na volta do mar.
Ao meu coração um peso de ferro...
Lançá-lo ao mar."
(...)
(Camilo Pessanha, "Canção de Partida")
"Tu és Forças, Arte, Amor, por excelência! -
E, contudo, ouve-o aqui, em confidência;
- A Música é mais triste inda que o Mar!." (...)
(Gomes Leal, in "Claridades do Sul")
"Alegre triste meigo feroz bêbedo
lúcio
no meio do mar
Claro obscuro novo velhíssimo obsceno
puro
no meio do mar
Nado-morto às quatro / morto e nada às cinco
encontrado perdido
no meio do mar
no meio do mar"
(Mário Cesariny, "radiograma")
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
carne
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
anuncio
rapaz jovem, 22 anos aproximadamente, oferece-se para criar bandas sonoras para quem se deseje suicidar, tipo filme
200€ a peça musical ... não peço mais porque sei que as famílias dos suicidas precisarão do resto para o funeral e para cobrir os danos psicológicos... de qualquer forma posso fazer desconto familiar para os que se desejem matar a seguir, caso não aguentem o desgosto (175€ para cada)
Se alguém não souber como se matar, poderei, por 500€, eventualmente, criar um vasto leque (e toda uma panóplia) de músicas para motivar a criatividade suicida.
O meu portefólio encontra-se online em www.mypsace.com/vermeproj ; exemplos de todas as hipóteses sugeridas neste anúncio.
Contacto
...
escuro
esqueci-me das letras maiúsculas, e já não sei onde moro.
merda.
não tenho mais que um caderno por riscar, rasgar, dobrar
faltam-me as palavras
falta-me claridade
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
sol / chuva
choveu... o sol deixou de aparecer no amanhecer do quarto... os lençóis deixaram de estar quentes na cama toda... o seu lado direito ficou frio, vazio, despido. o sol escondeu-se de propósito? não... a chuva só estava com pressa...
sábado, 18 de dezembro de 2010
entre rochas
estalar breve, contínuo, das águas
vento fresco, brisa, badaladas por entre as rochas e o musgo
caminho, longe, um deserto verde
longe da minha lua e do espaço que nos envolve
viagem psicotrópica ao museo vostell, malpartida de cáceres
Rim de Pássaro
Passa-me o sal
"fecha um bocado a janela
sff"
e a curva é à direita
Passa-me a pimenta
Sinais, transitando vacas
Custa-me manter os olhos abertos
Conduz com uma mão
Sal, a mulher que era manca
Gostava de ter um pónei,
mas o carteiro só me trouxe um melro
Que Hotel tão piroso!
Oh Sol, vais em contramão
passa para este lado, então?
As vacas que bebem do charco
esqueceram-se dos óculos de sol
Um chuto para a veia de sabão azul e branco
Esfrega bem as costas que amanhã é dia de festa
Como é que róis as unhas dos pés?
Chapa y pintura
alumínio de alcatrão, prisão
prisão de vento
eu avisei-te que era melhor vestires as calças
2km antes deixaste uma das ovelhas nadar no charco
Ora! Parece-me que tens um coelho no bolso esquerdo
óvelha da ovelha
"Estamos no caminho certo?" perguntou a alface vidente
"Monumento Natural de los Barruecos" respondeu o cacto
"Estás com os olhos em bico" retorquiu a alface
Dizia para virar ali - "Estou com fome"
Gado permanente
não há tomate que aguente.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
comboios
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
baptizado
todos, pávidos, ficaram mirando tal acto da parte de seus co-habitantes. nunca ninguém estranhou tal coisa como hoje.
as suas vestes - antes negras - foram levemente tocadas pelos responsáveis por tal cerimónia e púrpuras se tornaram.
as chamas, sobre seus pés e pernas, mãos e braços, sem queimar cumpriram o papel de dar cor à pele que se escondia por baixo dos trapos vermelhos (já que a cara já a tinha de novo).
a pouco e pouco diminuia o grau de admiração. ao fim e ao cabo não é nem será a última vez que se baptiza um homem recém-morto numa alheia aldeia do imaginário humano.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
sopros (um)
indecifrável, sobre uma mesa
Em tons suaves soaria uma música
e o vento, conspirando contigo,
deixaria apenas felizes sopros
de uma porta aberta
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Janela
retinas onde fixas estão as memórias dos risos
piscar de olhos, portadas ao vento batendo ritmos cardíacos
abro a menina dos olhos
e riu-me da expressão...facial da menina dos olhos
é a expressão das janelas quando estão escancaradas e deixam a chuva entrar.
abro as pestanas duas a duas
bem me quer...mal me quer...num inquérito à vida que passa
e as de cima tocam nas de baixo...as pestanas
e concluem que por vezes a vida bem nos quer...outras não
abro os olhos todos
e a chuva que está dentro dos olhos verte-se
os vidros dos olhos...salpicados...olham a rua
e num vai e vem eterno a vida desfila risonha ou triste...
só o verei se deixar o olhar à janela.
para o meu nómada João
V.