lá fora
os olhos são cor de sol
porque a água tarda em cair
e quando cai
é já tarde
demais
lá fora
porque para além de poesia experimental também existem experiências poéticas ... todas as actividades de escrita estão em igual alcance do homem como ele deveria estar com a natureza ... aequum : equidade, imparcialidade, igualdade
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
diário
imensidão
foge. foge que eu já não sei se me lembro como correr
o vazio
corre. corre porque a fuga é um regresso, dizem
queimadura
'antes de ontem, anteontem, amanhã, depois de amanhã'
chegas à hora que sempre espero que chegues
como as primeiras gotas de chuva e o cheiro que fica do chão
mensagens
vamos. vamos porque acabamos sempre por encontrar tudo
quando fugimos.
fotografia
correr. correr até as pernas ficarem de pé
ponto final
. 'porque o ontem estará sempre agendado para amanhã. amanhã lembrar-te-ás como será hoje'
. imensidão
é tudo tão relativo e tão nosso todos os dias
escolha
qual?
foge. foge que eu já não sei se me lembro como correr
o vazio
corre. corre porque a fuga é um regresso, dizem
queimadura
'antes de ontem, anteontem, amanhã, depois de amanhã'
chegas à hora que sempre espero que chegues
como as primeiras gotas de chuva e o cheiro que fica do chão
mensagens
vamos. vamos porque acabamos sempre por encontrar tudo
quando fugimos.
fotografia
correr. correr até as pernas ficarem de pé
ponto final
. 'porque o ontem estará sempre agendado para amanhã. amanhã lembrar-te-ás como será hoje'
. imensidão
é tudo tão relativo e tão nosso todos os dias
escolha
qual?
terça-feira, 3 de julho de 2012
Um dia...
As paredes cantam a chuva,
as calçadas sabem a vento.
Caminharei, como quem caminharia de verdade,
- fendendo passo após passo -
numa morada tardiamente próxima.
Vieste de costas cheirando a lágrima
Mas teus olhos, cerrados,
não gritaram a rusga da manhã
e o sol por que esperavas
não soube ficar, untando os telhados
dessa memória que me trouxeste
um dia antes desse tempo chegar…
Um dia seremos chuva e já não haverão palavras...
Um dia, esquecer-me-ás.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
a simplicidade dos olhos
a complicação das palavras
a natureza dos sons
a artificialidade da escrita
a morte da vida
a incapacidade de ser capaz
a noção do tudo frente ao nada
a imobilidade
a dor
a impossibilidade de falar
a incapacidade de ouvir
a determinação
a fuga
a vontade
a rusga
a fome de saber
a artificialidade do saber
a morte do saber
a noção do saber
a força
a forca
a fisga
a rusga feita com uma fisga
a rusga que provoca a morte apenas com uma fisga
a vontade de fazer uma rusga a quem nos rusga com uma fisga
a artificialidade da vontade de fazer uma rusga
a vontade de fugir artificialmente
a fuga aritifical
a dor
a complicação das palavras
a natureza dos sons
a artificialidade da escrita
a morte da vida
a incapacidade de ser capaz
a noção do tudo frente ao nada
a imobilidade
a dor
a impossibilidade de falar
a incapacidade de ouvir
a determinação
a fuga
a vontade
a rusga
a fome de saber
a artificialidade do saber
a morte do saber
a noção do saber
a força
a forca
a fisga
a rusga feita com uma fisga
a rusga que provoca a morte apenas com uma fisga
a vontade de fazer uma rusga a quem nos rusga com uma fisga
a artificialidade da vontade de fazer uma rusga
a vontade de fugir artificialmente
a fuga aritifical
a dor
terça-feira, 15 de maio de 2012
A
lenta combustão da manhã…
despertar sobre
extintos quartos
numa planície
abandonada por deuses e chuvas,
paisagens tombadas
sobre o grito que alguém
uivou perante os
silêncios erguidos no mar
e em terra
cristalizados nos interstícios de sonhos
de extintos dedos sobre velas ainda acordadas.
Há uma canção ardendo
a meus pés
e lençóis bailando na
ausência de ar
interno, nesses
estranhíssimos quartos de vidro…
Transformar a
irrealidade em milagre
e o fogo em coisa
amada
colora de ondas o
braço rudimentar
de uma carícia violenta,
tinge de espasmo a
mão fechada
que deslumbra a
eternidade
no ínfimo gesto de se
manter inalterável.
Dormindo e acordando
se restabelecem fôlegos
colhidos em bocas
caladas que se beijam
- que se anulam em
vectores de línguas -
e em pálpebras
branquíssimas
esmagadas por um
pecado primeiro
edificado a extremos
e cravado a profundidades impossíveis.
Há um quarto onde
despertas em chamas
e há as chamas que a
mim me despertam…
um mar que se ergue
nos lençóis
que traíste …
E há um bilhete no
chão, escrito com a tua letra,
e nele um grito sem
ar descuidado na pontuação….
Provavelmente será
teu o branco incêndio…
…ou talvez a memória
dessas impossíveis pálpebras…
Número 2 da Revista
https://sites.google.com/site/daequum/home/numero-2-maio-junho-2012
Pessoal, estou a compor o 2º da revista D'AEQUUM,
preciso de fotos, sugestões gráficas e sempre TEXTOS vossos e de amig@s vossos.
Saudações,
j
Pessoal, estou a compor o 2º da revista D'AEQUUM,
preciso de fotos, sugestões gráficas e sempre TEXTOS vossos e de amig@s vossos.
Saudações,
j
"as pautas têm tudo menos o mais importante!"
sentado, naquela posição que vem adquirindo, torto mas confortável.
saboreia um gole de café solúvel, diliuído em água e receios.
pousa as folhas no chão, cheias de colcheias e apogiaturas que não entende.
compassos compostos, marcados a três, que lê, um de cada vez.
ligaduras que fazem a prolongação de um mundo para outro, e que acabam num acorde diminuto, difícil de explicar.
assim como todo o seu ser, que choca em todas as tonalidades e segue de cromatismo em cromatismo.
há-de haver um ponto de repouso, uma suspensão , um uníssono, ou uma simples reverberação.
evitar repetir as quintas paralelas, assim como os mesmos erros, ainda que em oitavas diferentes.
o metrónomo da vida marca-lhe um andamento lento, pesado, com acentuação nos tempos fracos.,
mas ainda com escalas por construir e arpejos por desvendar.
e no meio das cordas, perdido nos trastes, vê nas folhas de outros a vida que quer.
folhas que são mais do que músicas, são pedaços de vida, sempre com uma vida nova.
saboreia um gole de café solúvel, diliuído em água e receios.
pousa as folhas no chão, cheias de colcheias e apogiaturas que não entende.
compassos compostos, marcados a três, que lê, um de cada vez.
ligaduras que fazem a prolongação de um mundo para outro, e que acabam num acorde diminuto, difícil de explicar.
assim como todo o seu ser, que choca em todas as tonalidades e segue de cromatismo em cromatismo.
há-de haver um ponto de repouso, uma suspensão , um uníssono, ou uma simples reverberação.
evitar repetir as quintas paralelas, assim como os mesmos erros, ainda que em oitavas diferentes.
o metrónomo da vida marca-lhe um andamento lento, pesado, com acentuação nos tempos fracos.,
mas ainda com escalas por construir e arpejos por desvendar.
e no meio das cordas, perdido nos trastes, vê nas folhas de outros a vida que quer.
folhas que são mais do que músicas, são pedaços de vida, sempre com uma vida nova.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Para além do invisível
Não sei quantas camadas de pele tens, quantas barreiras tens àquilo que te conheço, apenas sei que as dificuldades em ti me são fáceis. Raramente falamos de alguém para além do que conhecemos a partir da sua imagem, da sua pele, e tudo o que dela possamos dizer é efémero, como efémero é o conhecimento que dela temos. Nada nos engana mais do que a imagem que temos de determinada coisa, a não ser que sejamos a própria imagem. Não sei até que ponto é possível sermos nós os sintonizadores da imagem dos outros, nem sequer se alguma vez o chegaremos a ser, mas sei que ultrapassei todas as camadas de pele que te protegem e agora entrei-te. Habito-te um ponto a que mais ninguém ousou chegar, como um daqueles locais ermos e húmidos que as florestas tão bem guardam. Sei de todas as árvores e conheço bem os ramos que lhes crescem, assim como os cheiros molhados que me sufocam o prazer. Não sei quantas camadas de pele tens, quantas barreiras tive de ultrapassar, mas sou quem sonha e vive cada ponto para além do que te conhecem.
sábado, 7 de abril de 2012
Tempos
Não me servem de nada os tempos mortos.
Não falo. Não escrevo. Não vivo.
E, das duas uma, ou não sou eu, ou sou-o no estado mais intimo.
Abandonado de qualquer coerência deambulo entre a calma e a agitação, a angustia e o sossego.
Meu cérebro, cheio de vontade própria, cansa meus olhos, que doridos berram água e sal.
E coordenados como bailarinas, rodopiam em ternário.
Fecham, abrem, e mesmo sem luz alcançam várias cores, cores vivas.
Rendido à sua presença partilho a almofada com a insónia.
E permaneço ali, preso, mas um ser irrequieto e contemplador de um cenário negro com riscos de vivas cores.
Não falo. Não escrevo. Não vivo.
E, das duas uma, ou não sou eu, ou sou-o no estado mais intimo.
Abandonado de qualquer coerência deambulo entre a calma e a agitação, a angustia e o sossego.
Meu cérebro, cheio de vontade própria, cansa meus olhos, que doridos berram água e sal.
E coordenados como bailarinas, rodopiam em ternário.
Fecham, abrem, e mesmo sem luz alcançam várias cores, cores vivas.
Rendido à sua presença partilho a almofada com a insónia.
E permaneço ali, preso, mas um ser irrequieto e contemplador de um cenário negro com riscos de vivas cores.
quarta-feira, 28 de março de 2012
o elo mais fraco canta a merda do hino
o português mais forte é ainda o salazar
e os filhos da puta dos velhos que ainda o chamam
que ainda pedem que ele venha limpar o lixo
formam a escumalha que de lá restou
quem não levou nos cornos, a quem não cortaram
os dedos com limas, a quem não privaram de
água e comida, a quem não ficou na solitária
acompanhado das suas fezes. arranca paísinho
o português mais forte é ainda o salazar
e os filhos da puta dos velhos que ainda o chamam
que ainda pedem que ele venha limpar o lixo
formam a escumalha que de lá restou
quem não levou nos cornos, a quem não cortaram
os dedos com limas, a quem não privaram de
água e comida, a quem não ficou na solitária
acompanhado das suas fezes. arranca paísinho
quinta-feira, 22 de março de 2012
...poema preto e vermelho...
...não é com tinta mas com o meu sangue que escrevo...
...foram dois corvos que anunciaram a tua chegada...
...começou, quão delirante mergulho em queda livre e vertiginosa...
...prenúncio de morte num beijo...
...o êxtase da luxúria das palavras vermelhas era sangue que jorrava de nós...
...rompíamos os pulsos no maior delírio de um poema...
...apenas porque o champanhe do teu corpo nos elevava para lá dos nossos, nas bolhinhas de gás de um vulcão qualquer longe de nós, noutro país, noutras palavras...
...o corvo arrastava uma asa torta, era a morte a bater à porta da morte...
...sabíamo-nos definhar lentamente com ela, aniquilávamo-nos no movimento orgiástico dos corpos e riamo-nos disso...
...talvez que nem tivéssemos existido para lá de uma gargalhada...
...mortos à nascença de nós...
...e tivéssemos vivido apenas na impossibilidade de viver...
...doce demência: a ilusão....
...espingardas e pistolas de água, bandeirinhas brancas, o sorriso dos cavalos!...
...alguém ao fundo gritava alegria e toda a gente compreendia...
...era noite, era dia, era outro tempo qualquer...
...outra luz qualquer, uma abstração cor de mel...
...os olhos ardiam e os dentes rangiam...
...trovoada de meio dia... ...canja de letras... ...campa de letras...
...no fundo do pote trazias água escondida de ti...
...bebia da água enquanto os corvos cravavam os bicos no meu estômago... ...mesmo assim bebia-a, entornava-a sobre mim no maior festim carnal...
...era quente, era fria, era vinho, era água...
...da fonte entornavam-se palavras, saíam das veias do corpo desunido, sacudido por cães esfomeados, esventrado por lobos azuis...
...rompiam a carne da cabeça para baixo... ...fiquei com azia de escrever!...
...ventos fortes arrastavam-me para longe...
...era noite, era dia, animal acordado e solto na floresta sem floresta de mim... ...deserto acutilante de feras e pedras roxas...
...precipícios abissais na rosa dos quatro ventos...
...sopros de pássaros pretos à janela: o meu amor chegou!...
...cheguei de manhã e não haviam ovos mexidos...
...foram dois corvos que anunciaram a tua chegada...
...começou, quão delirante mergulho em queda livre e vertiginosa...
...prenúncio de morte num beijo...
...o êxtase da luxúria das palavras vermelhas era sangue que jorrava de nós...
...rompíamos os pulsos no maior delírio de um poema...
...apenas porque o champanhe do teu corpo nos elevava para lá dos nossos, nas bolhinhas de gás de um vulcão qualquer longe de nós, noutro país, noutras palavras...
...o corvo arrastava uma asa torta, era a morte a bater à porta da morte...
...sabíamo-nos definhar lentamente com ela, aniquilávamo-nos no movimento orgiástico dos corpos e riamo-nos disso...
...talvez que nem tivéssemos existido para lá de uma gargalhada...
...mortos à nascença de nós...
...e tivéssemos vivido apenas na impossibilidade de viver...
...doce demência: a ilusão....
...espingardas e pistolas de água, bandeirinhas brancas, o sorriso dos cavalos!...
...alguém ao fundo gritava alegria e toda a gente compreendia...
...era noite, era dia, era outro tempo qualquer...
...outra luz qualquer, uma abstração cor de mel...
...os olhos ardiam e os dentes rangiam...
...trovoada de meio dia... ...canja de letras... ...campa de letras...
...no fundo do pote trazias água escondida de ti...
...bebia da água enquanto os corvos cravavam os bicos no meu estômago... ...mesmo assim bebia-a, entornava-a sobre mim no maior festim carnal...
...era quente, era fria, era vinho, era água...
...da fonte entornavam-se palavras, saíam das veias do corpo desunido, sacudido por cães esfomeados, esventrado por lobos azuis...
...rompiam a carne da cabeça para baixo... ...fiquei com azia de escrever!...
...ventos fortes arrastavam-me para longe...
...era noite, era dia, animal acordado e solto na floresta sem floresta de mim... ...deserto acutilante de feras e pedras roxas...
...precipícios abissais na rosa dos quatro ventos...
...sopros de pássaros pretos à janela: o meu amor chegou!...
...cheguei de manhã e não haviam ovos mexidos...
quarta-feira, 21 de março de 2012
eu sei quem tu és
as ondas trouxeram-me o sol
o suficiente para te ver
e para agendar novo encontro
na folha estão as coordenadas
e tu corres em busca de asas
para aterrar do teu sonho
em terra
são as letras que te afeiçoam
é a face que apregoa a retórica
e guardas no bolso a imagem que máquina não sabe capturar
capturas-em com esse delinear frouxo
a cor negra da tinta que vamos respirando
em tempos, em infinidade, eu escrevi tudo isto
e mais escreveria se quisessem as folhas
desfolho-te, desfolhas-me, e as palavras não me deixam
nem te deixarei calar nunca
porquanto tiver o sol que me deixa ver quem sou
e a chuva onde a vida não reclama
eu poderei ler-te
ler-vos
e marcar tertúlia
das almas
para outros dias
vindouros.
um afecto enorme que eu sinto
e que não deixo nunca, não como deixaria a carteira em tua casa
ou outro objecto do meu esquecimento
eu sei quem TU és
e TU sabes quem SOMOS
porque te LÊS
porque NOS lemos
e não nos esquecemos ainda
de como se escreve
Saúdo-vos irmãos/ãs
a vida começa ontem
a poesia morreu amanhã
e nós estamos no meio
as ondas trouxeram-me o sol
o suficiente para te ver
e para agendar novo encontro
na folha estão as coordenadas
e tu corres em busca de asas
para aterrar do teu sonho
em terra
são as letras que te afeiçoam
é a face que apregoa a retórica
e guardas no bolso a imagem que máquina não sabe capturar
capturas-em com esse delinear frouxo
a cor negra da tinta que vamos respirando
em tempos, em infinidade, eu escrevi tudo isto
e mais escreveria se quisessem as folhas
desfolho-te, desfolhas-me, e as palavras não me deixam
nem te deixarei calar nunca
porquanto tiver o sol que me deixa ver quem sou
e a chuva onde a vida não reclama
eu poderei ler-te
ler-vos
e marcar tertúlia
das almas
para outros dias
vindouros.
um afecto enorme que eu sinto
e que não deixo nunca, não como deixaria a carteira em tua casa
ou outro objecto do meu esquecimento
eu sei quem TU és
e TU sabes quem SOMOS
porque te LÊS
porque NOS lemos
e não nos esquecemos ainda
de como se escreve
Saúdo-vos irmãos/ãs
a vida começa ontem
a poesia morreu amanhã
e nós estamos no meio
O aprendiz de poeta
Escrevo a palavra “poesia” numa rocha e lanço-a ao mar.
Afunda-se.
- A poesia vai ao fundo quando agarrada a uma rocha –
Tudo o mar engole,
Tudo o mar sacia.
Decido recuperar a rocha,
não é sítio para se guardar a poesia.
Mergulho nas agitadas águas…
…encontro-a.
À superfície, observo que a palavra se apagara
- A poesia dilui-se na água –
Fitei, alegre, o horizonte pelágico,
O mar é agora o poema…
Afunda-se.
- A poesia vai ao fundo quando agarrada a uma rocha –
Tudo o mar engole,
Tudo o mar sacia.
Decido recuperar a rocha,
não é sítio para se guardar a poesia.
Mergulho nas agitadas águas…
…encontro-a.
À superfície, observo que a palavra se apagara
- A poesia dilui-se na água –
Fitei, alegre, o horizonte pelágico,
O mar é agora o poema…
sábado, 17 de março de 2012
-_-_-_-
Dir-te-ei nada. Saberás de mim zero.
Tenho a casa do avesso. Sou impaciente.
Sou intolerante e rabugento.
Não sou invisual, e nem por isso vejo muito mais que nada.
Porque não há reacções, porque não vejo vontade.
Não vou incentivar, quero uma atitude genuína.
As palavras já as gastei, sem resultado.
Assim fico som sono, confuso, com pena.
Tenho a casa do avesso. Sou impaciente.
Sou intolerante e rabugento.
Não sou invisual, e nem por isso vejo muito mais que nada.
Porque não há reacções, porque não vejo vontade.
Não vou incentivar, quero uma atitude genuína.
As palavras já as gastei, sem resultado.
Assim fico som sono, confuso, com pena.
terça-feira, 13 de março de 2012
onde um dia quisesses ir... não vás
as palavras podem sempre ser cuspidas contra a tua cara
sem o calor, nem a chuva, nem a vontade
nem os olhos, nem o que oiço, nem o que gritas
as ordens não são infalíveis,
nem o salário, nem o patrão
nem os olhos, nem os punhos, nem a bandeira
concordo em quebrar as linhas
sem calor, sem chuva, sem saudade
abrir os olhos, os ouvidos e a ver se agitas
as palavras podem sempre ser corrompidas
sem a vontade, sem o salário,
sem os punhos, sem a bandeira, no fundo
nada disso vale quando chega a tua vez de ser enganado.
sem o calor, nem a chuva, nem a vontade
nem os olhos, nem o que oiço, nem o que gritas
as ordens não são infalíveis,
nem o salário, nem o patrão
nem os olhos, nem os punhos, nem a bandeira
concordo em quebrar as linhas
sem calor, sem chuva, sem saudade
abrir os olhos, os ouvidos e a ver se agitas
as palavras podem sempre ser corrompidas
sem a vontade, sem o salário,
sem os punhos, sem a bandeira, no fundo
nada disso vale quando chega a tua vez de ser enganado.
domingo, 11 de março de 2012
Número 1 Março-Abril 2012 - Revista D'AEQUUM
o primeiro número da revista digital do blogue AEQUUM e de seus colaboradores diversos encontra-se disponível para download em:
https://sites.google.com/site/daequum/
https://sites.google.com/site/daequum/
quinta-feira, 8 de março de 2012
e depois tu vieste @ Cáceres Fev/2011
Porque a tristeza se quer triste
e tu nunca me mentiste
porque a dor se quer feita de harmonia
suficiente
e depois, tu vieste
dói-me ser dor e triste emoção
pedra de afiar as facas que me corta o
coração
e tu nunca o permitiste
Porque a alegria se quis antes
e tu vieste mesmo
porque a dor se quer longe, afinal, mas
nada se almeja
dói-me ser
pedra rugosa do passar de um espaço a
outro
e depois, tu vieste
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
pOEMAvIDA @2
olhava no chão sem o saber
cismava a teimosia da força
desafiando toda a gravidade de um gesto
contra o peso.
pesado, encontrou a motivação
alienando o resto, unindo tudo à sua volta, de vez
com as mãos segurava o Mundo
com o Sol brilhava os pés
e, sem temer o movimento,
desconhecendo todas as regras da física
explodiu com o avançar no chão da sala onde antes rastejava
daí surtiu-se o chuto
a força para afastar e mover o intento
e aliou a vontade à capacidade de se mexer
olhava o chão
agora passando mais rápido pelo canto dos olhos
sem saber que um dia ainda o veria passar mais rápido.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
um dia o hélder ia começar um poema assim
Posso ter os meus dias de lareira brilhante
(verso encontrado nos rascunhos do blogue, desculpa hélder teve de ser)
(verso encontrado nos rascunhos do blogue, desculpa hélder teve de ser)
pOEMAvIDA @ 1
nasceu o conceito do nascimento;
o fogo cresceu para o mar,
em jeito de conflito titânico,
e as achas juntaram-se às centelhas
e a luz tornou-se constante.
a vida – no processo do nascimento.
o nascimento – feito explosão da luz rasgada
da letra desenhada na areia do que viria a ser praia;
sem querer – tornando-se ser – foi o brilho dos olhos que
em primeiro lugar surgiu – e a palavra tornou-se complexa
conforme as emoções desenhavam a actual geografia
de serras e ciclos de água torrentes. a Terra –
as achas do momento acharam-se
no Mundo, eterno e flácido
estavas lá quando tudo se tornou nada
ou apenas saíste do nada para te tornares a metáfora
do nascimento e do apagar da escuridão?
?
da interrogação fez-se o poema.
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