O problema é que não corro mais que os passos, e tudo se resume a isso.
nem o binário, ou os 156 cavalos-vapor aumentam o rendimento.
desamarro gritos e palpitações e espero despedir-me da gravidade, de uma e de outra. As gravidades.
Agarro bem o que quero levar, mas não parto.
E nunca parti, mas um dia voltarei.
Talvez antes do outono, para ver o laranja das folhas.
"tens que ir(...) diz ele, "eu concordo!" diz a outra.
E ainda há mais uma que também apoia.
Mas acontece a perfeita engrenagem da apatia com o sedentarismo, e uma série de situações.
Sei lá se é o fado! Ou uma fase, ou o blues, ou o hip-hop.
Mecanismos de um pedaço de fraqueza feito vida.
porque para além de poesia experimental também existem experiências poéticas ... todas as actividades de escrita estão em igual alcance do homem como ele deveria estar com a natureza ... aequum : equidade, imparcialidade, igualdade
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
...voar...
É quando o rio aparece nas nuvens que se arrastam na terra do sonho que acorda de dia enquanto a noite adormeceu com as realidades dos dias de ausência de sol, de luz, de silêncios tranquilos, de escuros claros, de vontade de ser, apenas... é quando somos feitos de matéria flutuante e dançamos com os pássaros sem nos questionarmos porque o fazemos. É quando não questionamos que o céu é âmbar porque ele é feito de olhos; é quando não questionamos que a lua só nasce hoje e agora porque um desejo se tornou estrela de fogo e não queremos saber se ardemos lentamente até ao fim... o momento fica para lá de si, prolonga-se numa brisa que nasce do corpo levitado e inverte-se o peso da terra que fica suspensa por uma flor prateada na mão de uma criança que a roubou de uma senhora que lha oferecera e corre mais, mais longe, toca a brisa as águas e os céus, o fogo e o barro, o ar enfeitiçado de perfumes mil, a pele... é âmbar o crepúsculo dos olhos que me espelham num lago de luz e o sorriso é nuvem de algodão de uma feira de crianças onde os sonhos se confundem com a realidade, e para eles eterniza-se o tempo na breve efemeridade, arrastando-se pela brisa da metamorfose do mundo, para lá, leves, voam... sem saberem porque se questionar, voam... sem saberem voar, voam... os dois corpos que dançam ao sabor do vento...
contemporâneo de agora
Pré-Requerimento
Costumava expressar-me, como então acreditava, poeticamente...
Agora exigem do meu discurso uma tal formalidade que já nem me encontro nele, ele é apenas o que eles querem ouvir e voilá: teatro!
Os advogados recusam toda a minha imaginação e exigem que fale como eles, mais valia um espelho estéreo... vou ali e já volto e nem notavam... para os chefes, imagens pálidas mas aspirantes a grandes césares... hahhahaha... retribuo honestamente com o meu ser mais político, ainda que nem sequer entendam a possibilidade de que não sou eu quem ali esteve. À tarde, eis-me divertido no Parque dos Requerimentos: com tal delicadeza que poderiam imaginar-me sem barba! É o que se esconde nas palavras que me fode! Quando nem sei bem os papéis que desejam para mim naquele momento em que, seguramente, alguém se divertiu a pensar no mesmo...
Requerimento
Era tarde, uma tarde longa e tardia,
A vaca dentro do coração fazia azia,
Trabalhávamos em sentido oposto,
Eu punha tu tiravas: o rosto ao meu encosto,
O boi da vaca baloiçava a embriaguez,
Torpe, arrastava-se às tetas, uma de cada vez... e outra vez...
O sol paria uma tia do tamanho de uma lua que era uma puta nua, um festim que era assim assim... não acabava, era madrugada e chegava uma noite apressada, mascarada de máscara, não a entendi, não a vi, a teta aluava e eu encostava o meu rosto... a utopia e a puta que a paria: seria preciso tal harmonia que a bezerrisse adormeceria o medo que não se quer perdido no fio dental da sensualidade que se vivia na pele de uma pele de galinha e que arrotava a azedo quando no balão subia agarrado à teta da utopia que persistia em sê-lo e ninguém estava acordado... estavam todos a mamar na teta, a foder, ninguém se apercebeu que somos todos a vaca, o boi e a utopia! Deveria ser magia, encantamento, estupefacção, deveria ser um cão, uma pia, um jumento... deveria ser só a correria e a dor que fica na vaca da teta chupada, não tenho mais leite para vocês! Comam a vaca picada e o boi! E já agora caguem nas putas das utopias que são mulheres nuas que vocês não podem olhar, arde-vos os olhos do pecado que é mão de ferro vermelho sobre as tripas que vos enojam e arrepia no vermelho dos olhos do boi que arfa em cima da vaca das tetas chupadas, utopias enterradas... celebração!
Costumava expressar-me, como então acreditava, poeticamente...
Agora exigem do meu discurso uma tal formalidade que já nem me encontro nele, ele é apenas o que eles querem ouvir e voilá: teatro!
Os advogados recusam toda a minha imaginação e exigem que fale como eles, mais valia um espelho estéreo... vou ali e já volto e nem notavam... para os chefes, imagens pálidas mas aspirantes a grandes césares... hahhahaha... retribuo honestamente com o meu ser mais político, ainda que nem sequer entendam a possibilidade de que não sou eu quem ali esteve. À tarde, eis-me divertido no Parque dos Requerimentos: com tal delicadeza que poderiam imaginar-me sem barba! É o que se esconde nas palavras que me fode! Quando nem sei bem os papéis que desejam para mim naquele momento em que, seguramente, alguém se divertiu a pensar no mesmo...
Requerimento
Era tarde, uma tarde longa e tardia,
A vaca dentro do coração fazia azia,
Trabalhávamos em sentido oposto,
Eu punha tu tiravas: o rosto ao meu encosto,
O boi da vaca baloiçava a embriaguez,
Torpe, arrastava-se às tetas, uma de cada vez... e outra vez...
O sol paria uma tia do tamanho de uma lua que era uma puta nua, um festim que era assim assim... não acabava, era madrugada e chegava uma noite apressada, mascarada de máscara, não a entendi, não a vi, a teta aluava e eu encostava o meu rosto... a utopia e a puta que a paria: seria preciso tal harmonia que a bezerrisse adormeceria o medo que não se quer perdido no fio dental da sensualidade que se vivia na pele de uma pele de galinha e que arrotava a azedo quando no balão subia agarrado à teta da utopia que persistia em sê-lo e ninguém estava acordado... estavam todos a mamar na teta, a foder, ninguém se apercebeu que somos todos a vaca, o boi e a utopia! Deveria ser magia, encantamento, estupefacção, deveria ser um cão, uma pia, um jumento... deveria ser só a correria e a dor que fica na vaca da teta chupada, não tenho mais leite para vocês! Comam a vaca picada e o boi! E já agora caguem nas putas das utopias que são mulheres nuas que vocês não podem olhar, arde-vos os olhos do pecado que é mão de ferro vermelho sobre as tripas que vos enojam e arrepia no vermelho dos olhos do boi que arfa em cima da vaca das tetas chupadas, utopias enterradas... celebração!
domingo, 30 de outubro de 2011
SoNo
Tenho os pés frios e não me apetece pensar.
Os olhos fecham-se e eu vejo melhor assim.
Escrevo e apago inúmeras vezes. As ideias fogem.
Fico eu e todo o meu ser complicadinho, de barba por fazer.
Fazer fazer, fazia um chá, mas não há essências. Paciência.
Paciência, transparência, sinusite, tenho os pés frios e vou dormir.
Os olhos fecham-se e eu vejo melhor assim.
Escrevo e apago inúmeras vezes. As ideias fogem.
Fico eu e todo o meu ser complicadinho, de barba por fazer.
Fazer fazer, fazia um chá, mas não há essências. Paciência.
Paciência, transparência, sinusite, tenho os pés frios e vou dormir.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
?(Europa)?
Tenho as canetas secas
de não lhes pôr as tampas
Tenho as gavetas pêrras
por nunca as manter abertas
Tenho os bolsos forrados
porque nunca os rasguei
Vou com os tostões contados
para pagar tudo ao rei.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
(Kuster Aragem)
Huelo a lluvia en el limbo al que unos perros verdes con cabezas de delfín y humanidad de elefantes y alas de ángeles estampados contra el empedrado del jardín de granito me han llevado, yo qué coño sé por qué inescrutable privilegio.
El caso es que a mi me duelen los brazos que un dia memorable me crecieron para que pudiese abrazar esa tormenta primigenia de relámpagos y palabras. Os meus parabéns e agradecimentos pelas luzes e a amizade. Aequuns todos ¡Duro con ellos!
Seu choramingas varredor, mesmo fodidamente, caserenho.
PD: 150€ (!??!!!) da caução da praça darmas, e os recibos que descontam mais 150€ (!??!!!) em despesas de àgua, luz e gas foram-me prometidos para esta semana na imobiliária. Apanho-os, ou apanho melhor uma smith&weston? Só digam.
Abrações
El caso es que a mi me duelen los brazos que un dia memorable me crecieron para que pudiese abrazar esa tormenta primigenia de relámpagos y palabras. Os meus parabéns e agradecimentos pelas luzes e a amizade. Aequuns todos ¡Duro con ellos!
Seu choramingas varredor, mesmo fodidamente, caserenho.
PD: 150€ (!??!!!) da caução da praça darmas, e os recibos que descontam mais 150€ (!??!!!) em despesas de àgua, luz e gas foram-me prometidos para esta semana na imobiliária. Apanho-os, ou apanho melhor uma smith&weston? Só digam.
Abrações
[texto de KUSTER ARAGEM - em resposta ao aniversário do AEQUUM]
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Sim, festejamos,
festejamos porque é feita de festas a nossa escrita. porque é feita de tormentos a nossa frase última, profeta da próxima e das seguintes. porque é feita de sentimentos turvos e água tépida o calor com que as letras se juntam e as portas se deixam entreabertas.
festejamos porque são dias de festa todos aqueles em que nos tocamos com uma rima, com uma ausência de toque, com uma cor sublinhada, com um negrito elevado ao mar... porque é a cerveja que trocamos que nos exila para uma qualquer estância da existência em singular pluralidade.
porque os filhos da puta serão sempre filhos da puta, mas os gritos serão sempre mais altos.
e porque a indiferença e apatia têm de ser quebradas de alguma forma, e porque temos de começar por algum lado... que o AEQUUM seja o barco de um grito, que a Equidade seja a ponte para a experiência, para a concretização, para o comando das nossas vidas sobre o planeta e os seus dirigentes que nos querem escravos
não somos escravos e por isso festejamos
Temos dois Nunos, Temos um André com seu Rodrigo Antão, em busca da perfeição da métrica e a imperfeição da certeza; Temos um Vicente - exilado de si, rebelde de outro, pai de tanta frase e tanta harmonia em desespero com a dor que acalma os versos da imperfeição; , dois joões/juans sempre à escuta e à coca de algo mais. Temos uma Vanda, progenitora das noites sem ausência, das solidões acompanhadas de ondas e mar e contas de cabeça. Temos um Topê escondido entre as brumas das palavras fragmentadas, irmão da alma, irmão da palavra, cúmplice na desordem. Temos outro Nuno, mais longe e mais perto, esperando a sua vez de gritar connosco. Um Hélder tímido que as pedras que vê rolar pelo chão, as pontapeia num desabafo do fundo da metáfora; Um Ricardo à espera de um mesmo grito. Um Daniel perdido no Norte e encontrado no Mundo.
é na equidade que os produtos finais deixam de o ser e passam a ser mais uma ponte para toda a criação aqui gerada...
Queria, então, fazer uma sugestão urgente a todos este Poetas Cientistas Da Escrita que o AEQUUM aporta... Não desistam... a letra é a fórmula certa para a criação do grito...e o grito é a certeza de que somos os mesmos, mas melhores
E um pedido: muitos de vós já experimentaram colaborar nos projectos mirambulantes do colectivo PEBL e de outros projectos sediados entre Montemor/Évora/Tavira/Mundo... Queria agora pedir a cada um de vocês que escreva um breve texto dedicado, para que este seja explorado musicalmente por um projecto que em breve sairá pela rua... Queria também pedir que fosse cada um de vós a acompanhar a transformação desse texto, e quem lhe desse vida, talvez, um dia, num palco pequeno perto de todos... dúvidas podem pô-las nos comentários... mas duvido que as tenham
obrigado a todos os que têm participado e continuam a participar... o AEQUUM cá estará criando pontes entre as almas, entre os mundos, entras as diferentes concepções da vida e da morte, da água e da terra, da mente e do corpo.
um abraço forte e apertado a tod@s
sábado, 1 de outubro de 2011
Festejamos?
Combinámos
encontrar-nos. Já não era sem tempo, afinal, há um ano que não nos conhecíamos.
O local era amplo, civilizado, claro, mas expunha, orgulhoso, pequenos
apontamentos naturais ao redor dos quais pontuavam exemplos da naturalidade com
que o homem convive com a natureza: alguns papéis, copos plásticos e um ou
outro vestígio do que fora uma refeição.
Claro que
não era o melhor dos espaços, mas a criatividade é fodida e quando aliada à
obrigação dá-nos o seu pior. Já não há locais para os poetas desde que Valter
Hugo Mãe disse que o Herberto Hélder devia estar numa praça para ser adorado.
Agora é vê-las, as praças, atulhadas de invenções em honra do bombeiro, do
marceneiro, do trolha e até do velho que, quando crianças, nos vendia as câmaras-de-ar
com mais furos do que tinha a que lhe levávamos. Mas poetas, nada. Por isso,
pensei, talvez não fosse fruto do acaso aquele local que combináramos ser o
ponto que nos juntaria. A primeira vez.
Carregaríamos ao peito um poema nosso. Sim, uma pequena honra ao célebre
“ Põe-me um poema no peito para te ter sempre presente” do João Sousa, e através
da leitura do poema colocaríamos à prova a nossa intimidade, e saberíamos então
se realmente nos conhecemos pelas palavras.
Quando
cheguei já lá estavam dois. Sentei-me, pedi uma cerveja de pressão e não
trocámos uma única palavra. Limitámo-nos a lermo-nos mutuamente. De vez em
quando os nossos olhos encontravam-se e provavam, com um ligeiro brilho de
ironia, que já nos descobríramos. A pouco e pouco foram chegando os outros.
Olhavam em redor e talvez pensassem do local o mesmo do que eu, mas logo se
sentavam e se abstraiam do envolvente. Nada havia sido combinado previamente,
mas nenhum disse uma palavra a não ser as duas ou três que dirigíamos ao
empregado pedindo-lhe mais uma bebida. Estivemos horas naquilo: lendo-nos
mutuamente e regando o espírito.
Quando a
noite começava a levar de vencido o dia, um de nós levantou-se e juntos vimo-lo
desaparecer para lá da sebe que delimitava o espaço. Depois outro, e outro, e
outro, e o último a abalar foi um dos dois que já estavam aquando da minha
chegada. Parecia um ritual, o cumprir com preceito regras rigorosas que
tínhamos imposto a nós mesmos.
Continuamos a cumprir o único ritual que fazemos questão de respeitar:
escrever no AEQUUM. Nunca mais os tornei a ver. Não sei nada deles, apenas
conheço as suas palavras; apenas os conheço pelo poema que carregam no peito.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
"O mecanismo da recordação"
a arquitectura da recordação
tem nome de doença,
mastro que trabalha na profundidade
das pequenas rutilações da temperatura
da têmpora que já não era tua.
Morrer foi experienciar a velocidade inversa
do ofício de se ser humano,
foi um hermetismo inquieto
uma inquietação disposta sobre
lençóis brancos de imaculada insatisfação.
No outro lado da sala
- por entre fumos e fumos de anos -
os teus membros renascem
num balanço gentil de fábula
numa harmonia de essência e cerne.
Muda, porque desacreditada
certa, porque assimétrica.
Essa voracidade, essa tenebrosa
regra que desqualifica o teu automatismo,
respira do espaço que compreende
a distância entre o estar
e o poder ter estado
entre o sonhar e o quisera ter sonhado
Toda a incerteza é vingativa
porque recria a crença
que a coloca em causa
E toda a recordação é inquieta
porque desobedece ao ruído próprio
dos estrépitos do passado.
[Os meus parabéns ao blog e a que a ele tanto se dedicou. Grande abraço João. Até breve!]
tem nome de doença,
mastro que trabalha na profundidade
das pequenas rutilações da temperatura
da têmpora que já não era tua.
Morrer foi experienciar a velocidade inversa
do ofício de se ser humano,
foi um hermetismo inquieto
uma inquietação disposta sobre
lençóis brancos de imaculada insatisfação.
No outro lado da sala
- por entre fumos e fumos de anos -
os teus membros renascem
num balanço gentil de fábula
numa harmonia de essência e cerne.
Muda, porque desacreditada
certa, porque assimétrica.
Essa voracidade, essa tenebrosa
regra que desqualifica o teu automatismo,
respira do espaço que compreende
a distância entre o estar
e o poder ter estado
entre o sonhar e o quisera ter sonhado
Toda a incerteza é vingativa
porque recria a crença
que a coloca em causa
E toda a recordação é inquieta
porque desobedece ao ruído próprio
dos estrépitos do passado.
[Os meus parabéns ao blog e a que a ele tanto se dedicou. Grande abraço João. Até breve!]
estou no autocarro
sai da ribeira às 7 da manhã
subi até à estação em 17 minutos
bebi um café no lobito
ainda há gente que engraxa os sapatos depois da vista para o rio
sai do porto às 8 e parei para fumar em fátima perto das 10 e picos
ao descobrir que tenho internet no autocarro decidi
parar para fumar no aequum
e eis que esbato... eis que fumo em telepatia com os que ora fumam
embebedo-me em letras que ora escrevedes
amigos meus
amigas minhas
companheir@s do mundo
da fome e do pão
da miséria e da melancolia
da alegria e da inconstância
da constante esperança e descrença
dos que gritam e para os que não falam assim tão alto
a minha ialma está aqui em conexão com a vossa ialma
parabéns ao aequum
nesta data querida
quase chego a lisboa
tenho as pernas doridas
Obrigado a nós tod@s
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Um felicitação...
... a todos os que contribuem. O AEQUUM fez ontem um ano. Obrigado!
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Estar.
Não gosto de migalhas! É verdade, não gosto de migalhas, e não gosto não só pelo facto
de ter que as varrer ou aspirar ou deitá-las para o chão e preocupar mais tarde com elas,
mas também porque fazem parte daquilo que estou a comer, e chateia-me perder pedaços do
que estou a comer. Porque será certamente algo que eu gosto, e migalhas são desperdício, e eu não quero desperdiçar o que gosto.
Se pensas que as migalhas são uma metáfora para outra coisa, é verdade! Ou pelo menos a partir desta linha é!
Pois bem, eu também não gosto de perder momentos com as pessoas de quem gosto. Chateia-me!
Já não falando de estar longe delas, o que me chateia ainda mais! São minhas, gosto delas e quero estar com elas!! Impossível, eu sei, mas é a minha vontade. Eu estava mesmo a falar de estar presente, fisicamente falando, com pessoas, em sítios, em actividades, e não estar lá. Eu quero viver os momentos plenamente, mas ás vezes não sinto nada, acho. Parece que a "firewall" me bloqueia os sentimenstos ou as emoções ou sei lá...
Eu prometo a mim mesmo seguir numa trilha constante, digna de quem sabe o que quer, o que precisa e para onde vai.
Mentira não sei. Não sei se sei. E sigo, qual balão cheio de sabedorias, mas que no fim é só ar quente.
de ter que as varrer ou aspirar ou deitá-las para o chão e preocupar mais tarde com elas,
mas também porque fazem parte daquilo que estou a comer, e chateia-me perder pedaços do
que estou a comer. Porque será certamente algo que eu gosto, e migalhas são desperdício, e eu não quero desperdiçar o que gosto.
Se pensas que as migalhas são uma metáfora para outra coisa, é verdade! Ou pelo menos a partir desta linha é!
Pois bem, eu também não gosto de perder momentos com as pessoas de quem gosto. Chateia-me!
Já não falando de estar longe delas, o que me chateia ainda mais! São minhas, gosto delas e quero estar com elas!! Impossível, eu sei, mas é a minha vontade. Eu estava mesmo a falar de estar presente, fisicamente falando, com pessoas, em sítios, em actividades, e não estar lá. Eu quero viver os momentos plenamente, mas ás vezes não sinto nada, acho. Parece que a "firewall" me bloqueia os sentimenstos ou as emoções ou sei lá...
Eu prometo a mim mesmo seguir numa trilha constante, digna de quem sabe o que quer, o que precisa e para onde vai.
Mentira não sei. Não sei se sei. E sigo, qual balão cheio de sabedorias, mas que no fim é só ar quente.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
acabei por clicar em publicar mensagem
e depois fiquei calado. fiquei depois calado, e antes estava calado, e haveria de estar calado depois.
não tinha palavras nem antes, nem depois, nem agora. faltam-me as palavras.
depois fico sem saber mesmo o que dizer. sabia-o? antes? não sei... agora não sei.
é como ver as 4 galinhas pretas (ou 3 e meia, visto que uma tem uma pata inoperacional) no poleiro, ou no muro... elas vêm os 5 frangos montados no outro poleiro a comer as uvas do vizinho? elas sabem isso?
e depois com o vento? como sabemos como fica tudo depois do vento (se é que sabemos como estava antes)
derrapei na curva, quase caí a descer para o café, bati com a perna no carro do primo e com a unha no passeio que estava mesmo ao lado do seu carro, fui e voltei e aqui estou tão sossegado que não sei o que é antes, nem depois.
é... ter medo de ter a cama fria... é... ter medo, muito medo de não saber o que vem depois e não saber como melhorar o que se fez antes.
é... ter medo de existir perto de mim. é ter tudo como sempre quis e ver as cores que os teus olhos reflectem no sol e na cadeira. é ter dores nos braços e calos no cérebro. é ser apático e imbecil. é sorrir e ver sorrir.
é... não suportar o silêncio do depois. é... não suportar o ruído do durante.
amar é ... ter de fugir para sentir a minha falta.
e depois calei-me. escrevi-me e
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Galiza (II)
Os rios, os montes e as serras
roubadas p'lo betão armado
E os gritos negros no céu
e as manchas sangrentas no mar
são orgulho da sociedade moderna.
A cunha de uma moeda, única,
a árvore de longa idade
Galiza, roubada, violada, transformada
Sem barreiras de terra ou de flores
Sem defesas seus ecos de revolta.
terça-feira, 19 de julho de 2011
foste educad@ acreditando num sistema
não faltaste às aulas porque sabias que a tua vida dependia da escolarização
falhaste com os teus impulsos porque a liberdade é saber conter os impulsos
e as bombas que não rebentaram nas tuas mãos não rebentaram em mais lado algum
choraste as lágrimas de sal
que rasgando o teu rosto formaram poemas da revolta
sem chão sem céu sem palavras para a descrever gritaste os impulsos antes escondidos
mas hoje não sabes como se era humano antes do tempo da nossa democracia
e as palavras são todas cuspidas e ninguém sabe como te chamas
choraste lágrimas de sangue
porque perdeste a pedra que guardavas no bolso
eu juro-te que vais saber mandá-la quando a encontrares
mas que grites a tua alma e a da humanidade
livre dos preconceitos ridículos que aprendeste do que é ser-se humano
livre da prisão que o estado oferece como escolha e livre-arbítrio
hinos? querem que cante hinos?
não... eu não tenho mais uma cor...
tenho versos que me servem para agir contigo companheir@
tenho gritos que servem para gritar ao teu lado companheir@
tenho lágrimas para chorar contigo e medrar na terra que nos criou
porque a terra não inventou o parlamento
nem o teclado que agora bato
e como estou farto de falar para o ar
vou fumar mais um cigarro
e assumir a minha escravidão
porque amanhã
estarei à tua porta
de punho cerrado
e uma pedra no caminho
para chutar até achar a outra
esqueceste-te que não tinhas de ter um cão para se humano
esqueceste-te que não tinhas que ter um telemóvel para ser amad@
esquecemo-nos que não é do emprego que nasce o trabalho
esquecemo-nos que não somos autómatos nem pilhas de carga
mas somos
e ficamos
sós
juntos entre a podridão de uma ilusão republicana
democrática moderna e global
como me fodem os teus conceitos
como me apetece esquecer os princípios básicos do senso-comum
Mãe... chegas-me as bolachas? Eu, sozinho, não chego à estante de cima...
Claro filho... Tens aí o banco... tenta não bater com a cabeça na esquina do móvel...
Agora ala... Beijo... Chichi... Cama...
Como :) te amo...
quinta-feira, 14 de julho de 2011
contacto
Finjo que os olhos não correm porta fora em lágrimas
O peito não se abre em vendavais
As mãos não gritam palmas de saudades
As cordas do baixo vibram no meu plexo solar
De repente é perfume e eu toco pianos de sorrisos
Finjo, tudo isto é vida de fingir que estou feliz
Até ao momento que mesmo que dure um só momento
Seja aquele que me cola perpetuamente o teu abraço
Ao resto dos meus dias
O peito não se abre em vendavais
As mãos não gritam palmas de saudades
Finjo que o teu sorriso está aqui
Os teus poemas são todos para mimAs cordas do baixo vibram no meu plexo solar
Finjo que a Corunã é ali nas tílias
E nem me importo com as nuvens de tabacoDe repente é perfume e eu toco pianos de sorrisos
Até ao momento que mesmo que dure um só momento
Seja aquele que me cola perpetuamente o teu abraço
Ao resto dos meus dias
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