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O facto de eu não ter o hábito de contar o que faço com a minha namorada não tem a ver com querer esconder que tenho um lado muito sentimentalista. Apenas ninguém tem nada a ver com isso
porque para além de poesia experimental também existem experiências poéticas ... todas as actividades de escrita estão em igual alcance do homem como ele deveria estar com a natureza ... aequum : equidade, imparcialidade, igualdade
Como podeis vós julgar-me,
se em vossos corações impera a falsidade.
Como podeis vós de antemão condenar-me,
se é de sombras feita a minha verdade.
Sugai o meu sangue! ó espíritos presos.
Atentai que sois vós meros servos,
daquilo que a mim me libertou,
e a vós condenou.
Ó sociedade dos infelizes, pobres árvores sem raízes,
fazei troça de mim antes do meu partir,
para que vossos olhos ainda me vejam a sorrir.
Lembrai-vos de hoje com saudade,
como uma festa mansa no coração.
Recordai-vos que onde hoje vedes maldade,
será amanhã a vossa maior gratidão.
horas, carros, pessoas de passagem, passar do tempo como carros a passar; sento-me no banco, banco velho dos velhos – sabes o dos velhos: vermelho vivo, da praça onde os velhos, velhos se sentam- é vermelho vivo o banco dos velhos onde me sento também. andorinhas e minutos inquietos, rápidos passam sem forma, nem pedem licença, minutos e horas como carros e pessoas, aquelas ca pressa, cheias de pressa passam ca pressa por aqui sem tempo de um bom dia, um bem haja qualquer, como carros, passam com a mesma pressa dos carros, eu espero, o tempo não! passa, vai passando como carros a passar e como as pessoas que não dizem bom dia para o banco de velhos onde estou, novo ainda, sem saber que não sabia ser velho. sentado no banco vermelho vivo, as horas, indiferentes, passavam no relógio defronte, mais lentas do que os carros e do que as pessoas apressadas que não diziam bom dia, mas mais rápidas do que eu, novo ainda, sem saber que não sabia ser velho. parou um carro, sai uma pessoa e diz bom dia; o tempo, por momentos o tempo parou também. não respondi, levantei-me e fui-me embora.
nuno Cacilhas
(as cartas que eu escrevi a morcegos de pedra,são meras perdas de tempo, prantos de homem solto,
e a luz que me ofusca é só mais uma desculpa
para ficar parado nas ondas de um mar negro
obliterado, à nascença)