quarta-feira, 25 de maio de 2011

Cosmos

Diferentes universos acumulam-se
em sentidos e movimentos em constante
pulsão e repulsão
Bastava ter força para mover planetas
Enganar de vez as leis do Tempo
e poderíamos ficar para trás
em plena harmonia gravitacional
ou na ausência da mesma.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

encosto-meàparde maispróxima
afasto - me , agora , para não perder o rumo
paraesquecerqueoquilómetro é medida de tempo
ondeações de ar e luz que me cercam a vista
e hoje, porque ensinaste, eu sei conjugar o verbo amar
e tudo o que eu leio nas ondas que me rodeiam transmitem-me a luz de um olhar que me guia

o calor de um corpo desejado, à noite, que acaba com a insónia aos poucos
faz de farol a desencaminhados trilhos interrompidos constantemente pela "teimosia da vida"
mas eu tenho vida agora

"adeus luberiña triste" que me quedo onde não quero mas vejo-te de todos os ângulos
"de espaldas te vou mirando" pois o teu olhar segue a Terra e o meu sossego está no teu colo
- é no teu leito que eu quero estar, é na nossa vida que eu quero viver até quando respiro fundo de mais e sinto que morro ao ouvir-te dizer-me o mesmo

há uma coisa tão misteriosa quanto simples no verbo que me ensinaste
dos pés às pontas dos cabelos, nas pernas, no colo, nos seios, no pescoço, nos ouvidos, nos olhos, na boca... escorrem significados tão puros, escorrem os suores e lágrimas seguras,
porque na incerteza reside o verbo derradeiro, o núcleo da minha existência, a dúvida é a única certeza de uma felicidade nómada e fugidia

- é no teu leito que quero quedar, morrer e renascer a cada dia que oiço um dialecto secreto que acompanha um sorriso - e por muitas vezes que sorrias, eu sei distinguir o sorriso, o único sorriso, aquele que de uma vez só conjuga as duas pessoas únicas desses mesmo verbo

eu amo
tu amas

e o reflexivo que nos acompanha, incondicionalmente

eu amo-te
tu amas-me

e é por essa mesma razão que existem as consequências

eu amo-me
tu amas-te

nós ama-nos

e toda a ira perde sentido, a estupidez das palavras mais gritadas, a parvoíce das preocupações que não merecem a pena, que não têm real significado ou importância

- é no teu leito que eu quero desmanchar todo o controle que exerço sobre o meu corpo
como se o Sol penetrasse me ambos, nos enchesse de mar e dúvidas
doces dúvidas que o amor transforma em pensamentos, em certezas que nenhuma destas palavras vos pode explicar.

as nuvens gritam, suavemente, ao meu ouvido ferido
mas não as oiço enquanto a tua voz doce não quebrar a dúvida do silêncio quando tu não estás

até lá
até já
até sempre

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Renasce em ti um desejo meu
de ter-te em mim um dia como eu
pensei um dia poder ser teu.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

um quase verdadeiro poema patriota

arranca-me dos olhos a retina, esfola-me os joelhos contra a parede mais negra
já só falta que me tirem as palavras...

quão farto me encontro e estou... quão farto sou e re-sou.
ressoam ao longe os teus gritos ... as vossas pedras mandadas ao ar

como me meteis nojo todos,

como se conforma o humano por toda e qualquer desculpa socio-politico-ético-cultural
quão farto estou de me arrancarem a vida dos olhos

como me meteis asco todos,

atira-me contra os números das contas, e as contas que se fazem com esse números,
e as mortes que crescem com esses números, e o número de mortos que crescem com tudo isto

opções? quais opções?
quão farto estou de todos vós

terça-feira, 17 de maio de 2011

a efemeridade de um toque
a distância de um olhar próximo
para te embalar nos sonhos e encontrar-me nos meus,




a explosão que emerge, do calor de dois corpos, unidos num temp
impossível de medir ou distanciar
para me embalar na verdade que me escondeu o espaço





os quilómetros que servem de barreira
ao mais puro encontrar de dois olhares
impossíveis de serem apagados ou esquecidos

impossíveis de ignorar ou fingir que não deixam (deixarão sempre) marcas profundas

e na estrada, ficaram sem se ver, as pegadas de algo que não se diz... sente-se

domingo, 8 de maio de 2011

(centésimo texto do blogue AEQUUM)

se um poema servisse de remédio para alma (nunca para o corpo)
enviar-te-ia, como pudesse, uma antologia poética de analgésicos metaforizados
se um poema servisse para calar o silêncio da vida
gritarei o quanto preciso da tua poesia para estar sossegado

se um poema servisse para curar todos os males que só parcialmente pode sarar
bastariam palavras, simples e organizadas, para trazer de volta a felicidade







um abraço a todos os contribuidores do blogue.
fico feliz por ter conhecido tanta coisa com ele.


obrigado à inspiração. obrgiado ao
mundo e à instabilidade. obrigado à angústia e a raiva que
advém.




obrigado pela tua força ... resitência e
luta... obrigado por acreditarmos que ainda vale a pena, mesmo quando desacreditas nessa mesma força...


o mundo é desasiado pequeno para todos




forte abraço e beijo a tod@s

terça-feira, 3 de maio de 2011

(chegámos na despedida...)

...à entrada de uma antiga moradia, diferente entrada... entrei para dizer adeus!
...habitada por estranhos, algo familiar...
...as mesmas paredes de pedra ainda murmuram, baixinho... sons abafados, música Melódica...

...porta abre-se, a mesma chave no esconderijo de sempre...

...cheiro, o mesmo cravado nas paredes de pele lisa e adocicada;
o mesmo perfume nas cortinas como cabelos de cetim...
disse adeus e entrei, o mesmo adeus...

...as palavras quentes, as mesmas, dos gestos do mesmo corpo... e novas dúvidas, novas loucuras efémeras...

...lençóis consomem-se, novos côncavos de desejos vermelhos.... “entre dois mundos, entre duas vidas, entre dois destinos”... e controlas o fogo dos sonhos como que por artificies de feitiçarias... luzes fortes cegam o cego... lençóis rasgam-se em formas, como os dias que se rasgam disformes... são corpos em busca da perfeição possível, momentos sôfregos... a lua não interessa para nada... gentilmente tortuosos... momentâneos momentos... afáveis de crueldade... prazeres carnais, luxúria! e os sorrisos indiferentes a outros tempos... e cessa, tudo cessa na mais bela Melodia...

...vamo-nos despedindo como quem da vida se despede...

...dizemos adeus com outras palavras... moradias “onde o preto e o branco se tornam insignificantes”...

...tiramos a vida à sorte, e à morte jogamos antes do cair do pano...

...sem razão, sem ética, sem moral, sem justiça, apenas a estética duma foda... sem sentido, sem futuro, sem presente ou passado, sem qualquer realidade, apenas extasiados de foder... (e dois corpos consumiam-se em despedidas apressadas da vida)...

...vamos prolongando a despedida até de manhã...
queríamos, por momentos, morrer ali,
cessar apenas porque éramos demasiado elevados...
como o azul e o amarelo –impressionados...
quando saíres, não digas adeus, sai apenas...
ficarei a sonhar talvez, nada mais...
e despede-te mansa como a morte nos abraça...

...certezas? caem sem ter chão! Caem sem cair... fazem o movimento circular como se nunca tivessem existido... fica a eterna dúvida entre o partir e o ficar... nunca se está, simplesmente...

Coisas há que partem e coisas que ficam... no seu “ser sempre uma questão para a qual a resposta restará incompleta”... e mesmo ao partir... um botão perdido no sótão da memória resta, algures... e apareces depois sem que te chamem e ficas projectada na parede, a olhar para mim, como se tivesses alguma realidade...

É o cheiro dos anos, fluidez aprazível e odiosa... “a vida não tem sentido sem essa busca incessante do puro”... e fica sempre alguma coisa que escapa... e restam as sombras, as sombras das memórias cravadas nas paredes... e “as palavras, insuficientes”...

domingo, 1 de maio de 2011

encontrei uma pedra no chão

por mais coisas que eu visse nessa pedra, seria sempre uma pedra
e como pedra a encarei



na porta da entrada ficou uma lágrima... o sol tentou condensá-la... eu tentei espalhá-la mas ela ficou manchada no chão.

guardei a visão dessa pedra cá dentro

levei-a comigo. pesam-me os passos e os movimentos por causa dessa visão petrificada que guardo no album da mente



dois de Sol e sete de Chuva. estou tão saturado, estou tão sem cor,


houve um canal de vermelhos que desapareceu, já não tenho RGB, tenho só GB


tentei explicar o que significa essa pedra
a tudo, a todos, a ninguém...
"e ainda hoje achas que ninguém entende que aquilo é uma pedra"

não consigo acreditar que a pedra passou da minha mão para a mão certa
quem sabe não se saiba que aquilo é mesmo só uma pedra?



não. não é normal. não é simples. mas também não é complicado. dói-me tanto... podes tirar-me a venda dos olhos? não suporto mais não ver nada abaixo dos meus pés e ao lado do horizonte.


estou sem cores? não... vejo bem. oiço mais ou menos. Ainda me vejo na porta da entrada, a perguntar-me "para que é que voltas a esta porta? para que fechaste a porta que tanto quiseste fechar - se agora entraste na mesma, e já não a sabes fechar?

tropecei nela, finalmente, e bati com a cabeça no chão
nem por isso esqueci essa pedra feita rocha em minha mente vazia
e em pedra me diluo para me achar mais sólido e firme
para crescer como pedra e fixar-me como rocha



inclino-me contra a parede... fico com a cabeça ligeiramente dependurada... balançando para frente. tento chegar aos teus braços, mas não estou cá.




lancei com uma mão contra o lago, fiquei à espera do barulho da sua queda... parece que já estou assim há tempo

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Um existir sem vida

   A força da luz carrega-me nos ombros a obrigação de suportar mais um dia passado num existir que não existe em existência. Componho-me do que não é, do que não se decompõe, de um não existir físico que irrompa a luz secular e a escureça. Ninguém me sente porque não me sinto, não me perco no que desconheço e não morro no que não vivo. Poderemos viver não vivendo, ou teremos de encontrar nesse não viver algo vivo que nos dê a vida? Será o sonho o viver já essa vida? Ou será uma manipulação do não viver tentando obter o que se vive? Enganos, é isso. Tudo o que pensamos viver - o não viver - é um engano do viver que nunca viveremos. É um jogo que a vida, aquela que nunca conheceremos, nos impõe, fazendo-nos acreditar num real ilusório, num viver sem substância de vida. Perceber isto é já um fracasso da vida, não da que erradamente pensamos viver, mas da que nos mantém suspensos no acreditar viver. Aquilo a que chamamos vida é um engano em que vivemos: a verdadeira vida, onde o viver real habita, muito poucos a conhecerão. E os que a conhecerem terão apenas um ténue pulsar desse viver a vida.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

FMI

fomos correndo, escorrendo água da testa, como se o / mundo fosse realmente nosso ... vivemos para além das nossas capacidade / inserimo-nos em estilos de vida que não o nosso para nos pormos ao mesmo nível / fugimos sempre tarde demais, ficamos a ver os navios passar carregados de / merda que intupirá ainda mais os esgotos das cidades deste país e os caminhos das poucas aldeias verdadeiramente portuguesa à beira de perder qualquer sinal de autonomia e indepedência ou identidade (somos obrigados a aceitar o moderno como o único caminho do homem ... quando há resistência é porque somos velhos do restelo, quando não há é porque somos conformados...) / fomos, somos, éramos, por aí fora... e agora não serve de / muito continuar aos gritos. falta cá zé mário branco a gritar-lhes bem no ouvido - seria / impossível de ficarmos apáticos, sentados com o cu no sofá, sem opinão nem opção /
passo a citar: "FMI não há graça que não faça o FMI FMI o bombástico de plástico para si FMI não há força que retorça o FMI... estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreverílvelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos, malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas, pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta (...) eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero que se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro (...) e a Rainha de Inglaterra (...) deixem-m só porra, rua, larguem-me (...) filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, badamerda o FMI, o FMI é um pretexto vosso seus cabrões, (...) O FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua desandem daqui para fora a CULPA É VOSSA, A CULPA É VOSSA, a culpa é vossa; A CULPA É VOSSA (...), oh mãe, OH MÃE, oh mãe..." /

fomos gritos e revoltas até nos calarem suavemente a boca e hoje não temos a quem chamar filhos da puta. chamamos sempre aos /mesmos, e não temos um solução, nem digo que seja a / ideal, mas uma que seja... ainda para mais... os zés mários brancos que havia em nós estão caladinhos e escondidos , né filho?
(pesquisa no YOUtube - "Jose Mario Branco - FMI"... quando ainda tinhamos vozes dignas e a sério, gente que dizia palavras a sérios, gente que era gente e humanos a sério).

quarta-feira, 30 de março de 2011

¡Soledad!

Como un sueño olvidado
yo me acuerdo,
tu nombre,
como mayúsculas diseñadas en
una hoja de hierro,
mi rostro se enciende con la luz de
tu nombre,
yo hago lo que se suele hacer con
los nombres,
te llamo, ¡Soledad!
¿Qué coño haces en mi cuerpo?
Giras tu rostro hacia el mío,
sonríes, y te quedas inmóvil,
justo como un rotundo “no”,
una negación de lo que eres,
de lo que sueles hacer en el
cuerpo de un hombre que te
quiere como un olvido,
una presencia ajena,
un sentimiento a que nadie  se acostumbra,
y me dices,
¡Joder! ¿Por qué carajos me tienes en tu cuerpo?
Yo vivo en ti, ¡Soledad!

domingo, 27 de março de 2011

"não quero nada / já disse que não quero nada" não quero... não posso... não devo... não vejo... não oiço... não sei... não sei se... não sei como... não sei porque... não sei para.. ..................................................................................... e ainda não usei um único ponto de interrogação ! as cores dos meus olhos contra o branco do espelho acordam , por fim, o ser adormecido vejo mudança... enquanto tudo se queda da mesma maneira

terça-feira, 22 de março de 2011

Restiforme

Caminho numa rua que nem sempre é rua,
E encontro as pessoas que lá não estão.
Caminho até talvez sem caminhar...
Nos passos do corpo...

Socorro-me afogando-me.

Existo sem existência...

Queria ser um pouco mais do que homem,
Viver um pouco mais que a aparência da vida.
Sou um pouco mais que nada... sim, mas quero ser um pouco mais que tudo!

Resguardo-me na intempérie da loucura,
Ainda a vida me não cansou.
Não é dinheiro ou fama, amor, saúde ou cultura, queria apenas ser um pouco mais do que homem...

Existo rodeado de inexistências,
todas as coisas, fúteis...
Mas não me canso de existir, ainda que já nem exista...
Não me canso de fazer, ainda que não faça...
Canso-me de tanto querer e tão pouco alcançar!
Canso-me de me ver sorrir engolindo o jantar...
Queria apenas ser um pouco mais do que homem... queria apenas, quem sabe, voar...

Poesia (do outro)


Tudo aquece nesta mesa,
o papel,
com as suas pontas levantadas,
espreita o que lá fora
permanece impune à passividade
dos dias
O livro, “Poesia” de
San Juan de la Cruz,
estala na largura da sua
lombada e solta a
música, qual génio,
presa no interior
de poemas,
gastos,
por olhos desatentos e cegos
à beleza que o negro da tinta
esconde
E eu adormeço,
num feito do que é terno
e quente, e ouço, ao longe,
o ressoar da música de San Juan,
que é feita de palavras 
que rimam
mas que no fim, nada dizem,
somente o suave sibilar
da sua música ecoa,
no mais profundo do
meu sono.

segunda-feira, 21 de março de 2011

as sílabas do diálogo

sim
suponho e calculo que sim

no final do dia, depois da pressa do diário quotidiano, sentou-se no sofá
sozinho, à beira do ataque final, com o peso do mundo sentado ao colo
a exigir que mudasse para o canal 3, pois queria ver as notícias

sem este sim nunca poderia haver a mais palavra de todos os tempos

eu adiciono, vós adicionais, todos confirmam, eles possibilitam, nós dizemos que sim

não, não acredito que esteja fora do prazo

já a minha avó me dizia que se podia perfeitamente comer iogurtes com dois ou três dias depois da data de expiração... às vezes até uma semana depois. No fim, mesmo no fim, vai tudo parar ao mesmos lado

não...
enquanto houver monossílabos desta qualidade
ainda há esperança para o diálogo frívolo da humanidade

em 1933 a Constituição Portuguesa criou o estado de alma mais fácil para o português de hoje... na altura doeu muito, hoje parece que agrada... valham-nos as palavras

ora claro que sim
ora, não sei bem,
mas... sim... não

ainda aqui estamos? espectacular. O mundo cai. Évora arde (amigo... essa sim é de loucos! - bela comunicabilidade da auto-referência da arte). O Japão afoga-se e tenta voar para escapar. ainda aqui estamos?

e partimos directos para os dissílabos

o Homem crê ainda na escolha... entre o sim e o não pairam as inúmeras reflexões e itinerários intelectuais que o fazem humano...

ora, talvez, porém, julgo...

... e em que é que vamos acabar... onde é que estamos de acordo

espectacular esta nossa língua

e dizia para a minha avó o seu irmão, meu tio-avô - [kutshilaste e non bilaste] - andamos todos a dormir e esquece-mo-nos de ver com os olhos da alma?

avé palavreadores, dialoguemos até à exaustão


num pedacito à beira mar plasmado vamos todos arrastando os calhaus que fazem as calçadas, com os ténis mais baratos possíveis, à procura (sempre nisto ... sempre nisso), à deriva entre lógica e vontade de ser "ser"... marrecos de dizer sempre as mesmas coisas ... é por isso que eu digo precisamente aquilo que me dá na telha... enquanto assim for não existem sílabas que cheguem ...

sábado, 19 de março de 2011

Obnubilações

Aqui,
onde o ser se mistura com o não ser,
onde não há género e o número é plural,
onde encontro o que perdi sem procurar
Aqui,
onde as cores do inconsciente se pintam,
onde é fácil atingirmos o difícil,
onde não há esquecimento por nada terminar
Oiço,
( Professora- "Vicente, dê-me um exemplo de um arquifonema.")
Não oiço,
há conceitos que não transitam,
há conceitos que não passam a fronteira
Aqui,
há ilusões que iludem conceitos,
estados mentais que obnubilam o real,
Há sensações por definir em sentidos,
Respondo,
( Eu- "O mundo é um arquifonema".)

noite de lua cheia de...

entre a névoa daquilo que é
a neblina do que pode ser
as nuvens do que já foi (constantemente a chover)
surge a lua cheia de esperanças e conclusões falsas

quinta-feira, 17 de março de 2011

Poema dos 30 segundos

Quero informar
todos os caros leitores
que todas as palavras
que aqui poderiam estar
são da inteira responsabilidade
de quem as lê.
Obrigado.

Rodrigo Antão [17-03-2011]

Paleio técnico

O sector do parâmetro

Fugiu a correr da pluralidade cultural.

Encontrou o âmago do gráfico

Que o arrastava com valor sentimental.


A dívida passou a ser soberana;

Uns à rasca, outros na mama, todos nem tanto.

No entretanto, pergunto-me o que aconteceu à informação

Que com tanta atenção, se tornou automática.


Coitadas das declarações normativas,

que são tudo menos positivas.

O PIB chegou ao déficit, esmurrou-lhe a cara e excluiu-o da rede social.

Desta feita acho que nem chega ao Natal.


Quando tudo terminar, não existirão tecnicismos que nos valham.

Restaremos nós.

Quando nos encontrarmos, saberemos que tudo está bem.


Rodrigo Antão [17-02-2011]