Poesia doméstica
Sem óculos
Abri o saco da roupa e ouvi uma voz que dizia: pois até não falta assim tanta roupa para arrumar, esta, sei que devia ser 2ª ex namorada, depois ouvia outra voz, aí era a 1ª, era mesmo, dizia: esse monte olimpus de roupa, sem dúvida que era, que vais fazer com isso!? Talvez pela janela... depois outra voz de um amigo me acalmava e falava-me de outras coisas que eu não entendia... estava só, enfim, com os meus heterónimos – dizia – contente... falava comigo e contigo, estou certo que ouviste... depois outro amigo exaltado exigia que eu queimasse a roupa para não a lavar... que problema de luxos... impossível... mas entendido!
Sem óculos os meus olhos desfocam, o café faz cancro e o telemóvel dá azia! Vejo que despertaste sua besta! Comigo?! Claro! Sou conan o homem rã! E vim para reinar!
Uma palavrinha, pois necessito mesmo dela, para os exacerbados do poder! Atentai caros filhos da puta que o dia para vós é apenas parte da noite! Atentai, fachistas de merda! Tiranos instaurados! O esquema viciado! Pequenos chefes... tristes e amargas sombras de um sentido de grupo... hipócritas, sim, levanto a minha voz sem medo, vem cá, vem ao poema e tenta derrotar-me que eu pela lei sou fraco... incide em prosa a tua fúria e sai debaixo da saia da Paula Rêgo, quem és tu afinal? A não ser um monte de papéis sem rosto? Julgas pois que o poder que tens sobre a vida dos outros é superior ao sentido de profissionalismo? Julgais-me com medo? Falai-me na melhor prosa de ficção – a sua, pois nem que eu estude dez anos chegarei ao seu nível exacerbado e surrealista! Bravo! É um caso de estudo meu caro... Quem sois vós? Hipócritas sem mais que... e eu? mentiroso a teu proveito, morra eu se me preocupo com o sentido de justiça para além do que ele me ensina... é frase simples? Dormis descansado? Pois que sim, embalado pelo leito do vale tudo! Um dia, de novo, que me chames mentiroso, seu cobarde, e eu, que me quede inválido pela luz ofuscante do teu poder, e então cessarei as minhas armas perante tão grandiosa verdade; ó meu pequeno chefe...
porque para além de poesia experimental também existem experiências poéticas ... todas as actividades de escrita estão em igual alcance do homem como ele deveria estar com a natureza ... aequum : equidade, imparcialidade, igualdade
sexta-feira, 3 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Postit
Quero a próxima carta pronta amanhã em cima da minha secretária...
Estou completamente diferente...
2.linha 3
3. linha1
4ºparágrafo
sempre com um charme especial ou um gozo particular...
16:30 joão
tirar tarde quinta-feira, tirei 95 euros...
A Maria veio para Montemor era primavera...
17 de Julho de 1978 campanha de decapitações, David, Nova Roma...
desconcertante, tragicamente belo, repulsivo...
user name, password, estudante-22
desligado o furo 6 e ligado o furo 5 da amoreira...
agitado, descansar...
comédia dramática: 4 personagens, 1 livro excitado, 1 puta frustrada com o irs, quer enriquecer, anti-mulher fatal...
espanhol 16, estética...
comer, limpar a casa...
criar, criar! agitado, trabalhar, passear a cadela...
cabo (verde?) _________________ o texto não está justificado, verificar erros, falta de conexão entre as frases. Funcionamento e orgânica.
lembrar-me do que me esqueci, ir às compras...
Telefonar ao afilhado, comprar prenda... ir a casa da avó... comprar 2 pneus, pagar a luz, fazer contas... encomendar pizza e cortar o cabelo... telefonar ao Sol...
Ler: A insustentável leveza do ser... Kundera...
Destruir o significante dos conceitos... entregar os livros na biblioteca...
Dormir das 02:00 às 06:00, prazo 1 de Junho (já passou...)
Quero a próxima carta pronta amanhã em cima da minha secretária...
Estou completamente diferente...
2.linha 3
3. linha1
4ºparágrafo
sempre com um charme especial ou um gozo particular...
16:30 joão
tirar tarde quinta-feira, tirei 95 euros...
A Maria veio para Montemor era primavera...
17 de Julho de 1978 campanha de decapitações, David, Nova Roma...
desconcertante, tragicamente belo, repulsivo...
user name, password, estudante-22
desligado o furo 6 e ligado o furo 5 da amoreira...
agitado, descansar...
comédia dramática: 4 personagens, 1 livro excitado, 1 puta frustrada com o irs, quer enriquecer, anti-mulher fatal...
espanhol 16, estética...
comer, limpar a casa...
criar, criar! agitado, trabalhar, passear a cadela...
cabo (verde?) _________________ o texto não está justificado, verificar erros, falta de conexão entre as frases. Funcionamento e orgânica.
lembrar-me do que me esqueci, ir às compras...
Telefonar ao afilhado, comprar prenda... ir a casa da avó... comprar 2 pneus, pagar a luz, fazer contas... encomendar pizza e cortar o cabelo... telefonar ao Sol...
Ler: A insustentável leveza do ser... Kundera...
Destruir o significante dos conceitos... entregar os livros na biblioteca...
Dormir das 02:00 às 06:00, prazo 1 de Junho (já passou...)
quinta-feira, 26 de maio de 2011
vou tingir a tela que faz fundo da sala onde me obrigam, sentado, a ouvir as lenga-lengas do costume
vejo agora que estão todos aqui, o cão, a foca e o abutre - parece que temos a força armada portuguesa em peso
vou tingir a tela de tal maneira que de tão vermelha espetarão todos os cornos na parede...
pode ser que assim, deixando os bmw's à porta e sem gasolina, consigamos mudar o sistema
vejo agora que estão todos aqui, o cão, a foca e o abutre - parece que temos a força armada portuguesa em peso
vou tingir a tela de tal maneira que de tão vermelha espetarão todos os cornos na parede...
pode ser que assim, deixando os bmw's à porta e sem gasolina, consigamos mudar o sistema
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Cosmos
Diferentes universos acumulam-se
em sentidos e movimentos em constante
pulsão e repulsão
Bastava ter força para mover planetas
Enganar de vez as leis do Tempo
e poderíamos ficar para trás
em plena harmonia gravitacional
ou na ausência da mesma.
em sentidos e movimentos em constante
pulsão e repulsão
Bastava ter força para mover planetas
Enganar de vez as leis do Tempo
e poderíamos ficar para trás
em plena harmonia gravitacional
ou na ausência da mesma.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
há ondeações de ar e luz que me cercam a vista
e hoje, porque ensinaste, eu sei conjugar o verbo amar
e tudo o que eu leio nas ondas que me rodeiam transmitem-me a luz de um olhar que me guia
o calor de um corpo desejado, à noite, que acaba com a insónia aos poucos
faz de farol a desencaminhados trilhos interrompidos constantemente pela "teimosia da vida"
mas eu tenho vida agora
"adeus luberiña triste" que me quedo onde não quero mas vejo-te de todos os ângulos
"de espaldas te vou mirando" pois o teu olhar segue a Terra e o meu sossego está no teu colo
- é no teu leito que eu quero estar, é na nossa vida que eu quero viver até quando respiro fundo de mais e sinto que morro ao ouvir-te dizer-me o mesmo
há uma coisa tão misteriosa quanto simples no verbo que me ensinaste
dos pés às pontas dos cabelos, nas pernas, no colo, nos seios, no pescoço, nos ouvidos, nos olhos, na boca... escorrem significados tão puros, escorrem os suores e lágrimas seguras,
porque na incerteza reside o verbo derradeiro, o núcleo da minha existência, a dúvida é a única certeza de uma felicidade nómada e fugidia
- é no teu leito que quero quedar, morrer e renascer a cada dia que oiço um dialecto secreto que acompanha um sorriso - e por muitas vezes que sorrias, eu sei distinguir o sorriso, o único sorriso, aquele que de uma vez só conjuga as duas pessoas únicas desses mesmo verbo
eu amo
tu amas
e o reflexivo que nos acompanha, incondicionalmente
eu amo-te
tu amas-me
e é por essa mesma razão que existem as consequências
eu amo-me
tu amas-te
nós ama-nos
e toda a ira perde sentido, a estupidez das palavras mais gritadas, a parvoíce das preocupações que não merecem a pena, que não têm real significado ou importância
- é no teu leito que eu quero desmanchar todo o controle que exerço sobre o meu corpo
como se o Sol penetrasse me ambos, nos enchesse de mar e dúvidas
doces dúvidas que o amor transforma em pensamentos, em certezas que nenhuma destas palavras vos pode explicar.
as nuvens gritam, suavemente, ao meu ouvido ferido
mas não as oiço enquanto a tua voz doce não quebrar a dúvida do silêncio quando tu não estás
até lá
até já
até sempre
e hoje, porque ensinaste, eu sei conjugar o verbo amar
e tudo o que eu leio nas ondas que me rodeiam transmitem-me a luz de um olhar que me guia
o calor de um corpo desejado, à noite, que acaba com a insónia aos poucos
faz de farol a desencaminhados trilhos interrompidos constantemente pela "teimosia da vida"
mas eu tenho vida agora
"adeus luberiña triste" que me quedo onde não quero mas vejo-te de todos os ângulos
"de espaldas te vou mirando" pois o teu olhar segue a Terra e o meu sossego está no teu colo
- é no teu leito que eu quero estar, é na nossa vida que eu quero viver até quando respiro fundo de mais e sinto que morro ao ouvir-te dizer-me o mesmo
há uma coisa tão misteriosa quanto simples no verbo que me ensinaste
dos pés às pontas dos cabelos, nas pernas, no colo, nos seios, no pescoço, nos ouvidos, nos olhos, na boca... escorrem significados tão puros, escorrem os suores e lágrimas seguras,
porque na incerteza reside o verbo derradeiro, o núcleo da minha existência, a dúvida é a única certeza de uma felicidade nómada e fugidia
- é no teu leito que quero quedar, morrer e renascer a cada dia que oiço um dialecto secreto que acompanha um sorriso - e por muitas vezes que sorrias, eu sei distinguir o sorriso, o único sorriso, aquele que de uma vez só conjuga as duas pessoas únicas desses mesmo verbo
eu amo
tu amas
e o reflexivo que nos acompanha, incondicionalmente
eu amo-te
tu amas-me
e é por essa mesma razão que existem as consequências
eu amo-me
tu amas-te
nós ama-nos
e toda a ira perde sentido, a estupidez das palavras mais gritadas, a parvoíce das preocupações que não merecem a pena, que não têm real significado ou importância
- é no teu leito que eu quero desmanchar todo o controle que exerço sobre o meu corpo
como se o Sol penetrasse me ambos, nos enchesse de mar e dúvidas
doces dúvidas que o amor transforma em pensamentos, em certezas que nenhuma destas palavras vos pode explicar.
as nuvens gritam, suavemente, ao meu ouvido ferido
mas não as oiço enquanto a tua voz doce não quebrar a dúvida do silêncio quando tu não estás
até lá
até já
até sempre
sexta-feira, 20 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
um quase verdadeiro poema patriota
arranca-me dos olhos a retina, esfola-me os joelhos contra a parede mais negra
já só falta que me tirem as palavras...
quão farto me encontro e estou... quão farto sou e re-sou.
ressoam ao longe os teus gritos ... as vossas pedras mandadas ao ar
como me meteis nojo todos,
como se conforma o humano por toda e qualquer desculpa socio-politico-ético-cultural
quão farto estou de me arrancarem a vida dos olhos
como me meteis asco todos,
atira-me contra os números das contas, e as contas que se fazem com esse números,
e as mortes que crescem com esses números, e o número de mortos que crescem com tudo isto
opções? quais opções?
quão farto estou de todos vós
já só falta que me tirem as palavras...
quão farto me encontro e estou... quão farto sou e re-sou.
ressoam ao longe os teus gritos ... as vossas pedras mandadas ao ar
como me meteis nojo todos,
como se conforma o humano por toda e qualquer desculpa socio-politico-ético-cultural
quão farto estou de me arrancarem a vida dos olhos
como me meteis asco todos,
atira-me contra os números das contas, e as contas que se fazem com esse números,
e as mortes que crescem com esses números, e o número de mortos que crescem com tudo isto
opções? quais opções?
quão farto estou de todos vós
terça-feira, 17 de maio de 2011
a efemeridade de um toque
a distância de um olhar próximo
para te embalar nos sonhos e encontrar-me nos meus,
a explosão que emerge, do calor de dois corpos, unidos num temp
impossível de medir ou distanciar
para me embalar na verdade que me escondeu o espaço
os quilómetros que servem de barreira
ao mais puro encontrar de dois olhares
impossíveis de serem apagados ou esquecidos
impossíveis de ignorar ou fingir que não deixam (deixarão sempre) marcas profundas
e na estrada, ficaram sem se ver, as pegadas de algo que não se diz... sente-se
a distância de um olhar próximo
para te embalar nos sonhos e encontrar-me nos meus,
a explosão que emerge, do calor de dois corpos, unidos num temp
impossível de medir ou distanciar
para me embalar na verdade que me escondeu o espaço
os quilómetros que servem de barreira
ao mais puro encontrar de dois olhares
impossíveis de serem apagados ou esquecidos
impossíveis de ignorar ou fingir que não deixam (deixarão sempre) marcas profundas
e na estrada, ficaram sem se ver, as pegadas de algo que não se diz... sente-se
domingo, 8 de maio de 2011
(centésimo texto do blogue AEQUUM)
se um poema servisse de remédio para alma (nunca para o corpo)
enviar-te-ia, como pudesse, uma antologia poética de analgésicos metaforizados
se um poema servisse para calar o silêncio da vida
gritarei o quanto preciso da tua poesia para estar sossegado
se um poema servisse para curar todos os males que só parcialmente pode sarar
bastariam palavras, simples e organizadas, para trazer de volta a felicidade
enviar-te-ia, como pudesse, uma antologia poética de analgésicos metaforizados
se um poema servisse para calar o silêncio da vida
gritarei o quanto preciso da tua poesia para estar sossegado
se um poema servisse para curar todos os males que só parcialmente pode sarar
bastariam palavras, simples e organizadas, para trazer de volta a felicidade
um abraço a todos os contribuidores do blogue.
fico feliz por ter conhecido tanta coisa com ele.obrigado à inspiração. obrgiado ao
mundo e à instabilidade. obrigado à angústia e a raiva que
advém.obrigado pela tua força ... resitência e
luta... obrigado por acreditarmos que ainda vale a pena, mesmo quando desacreditas nessa mesma força...o mundo é desasiado pequeno para todosforte abraço e beijo a tod@s
terça-feira, 3 de maio de 2011
(chegámos na despedida...)
...à entrada de uma antiga moradia, diferente entrada... entrei para dizer adeus!
...habitada por estranhos, algo familiar...
...as mesmas paredes de pedra ainda murmuram, baixinho... sons abafados, música Melódica...
...porta abre-se, a mesma chave no esconderijo de sempre...
...cheiro, o mesmo cravado nas paredes de pele lisa e adocicada;
o mesmo perfume nas cortinas como cabelos de cetim...
disse adeus e entrei, o mesmo adeus...
...as palavras quentes, as mesmas, dos gestos do mesmo corpo... e novas dúvidas, novas loucuras efémeras...
...lençóis consomem-se, novos côncavos de desejos vermelhos.... “entre dois mundos, entre duas vidas, entre dois destinos”... e controlas o fogo dos sonhos como que por artificies de feitiçarias... luzes fortes cegam o cego... lençóis rasgam-se em formas, como os dias que se rasgam disformes... são corpos em busca da perfeição possível, momentos sôfregos... a lua não interessa para nada... gentilmente tortuosos... momentâneos momentos... afáveis de crueldade... prazeres carnais, luxúria! e os sorrisos indiferentes a outros tempos... e cessa, tudo cessa na mais bela Melodia...
...vamo-nos despedindo como quem da vida se despede...
...dizemos adeus com outras palavras... moradias “onde o preto e o branco se tornam insignificantes”...
...tiramos a vida à sorte, e à morte jogamos antes do cair do pano...
...sem razão, sem ética, sem moral, sem justiça, apenas a estética duma foda... sem sentido, sem futuro, sem presente ou passado, sem qualquer realidade, apenas extasiados de foder... (e dois corpos consumiam-se em despedidas apressadas da vida)...
...vamos prolongando a despedida até de manhã...
queríamos, por momentos, morrer ali,
cessar apenas porque éramos demasiado elevados...
como o azul e o amarelo –impressionados...
quando saíres, não digas adeus, sai apenas...
ficarei a sonhar talvez, nada mais...
e despede-te mansa como a morte nos abraça...
...certezas? caem sem ter chão! Caem sem cair... fazem o movimento circular como se nunca tivessem existido... fica a eterna dúvida entre o partir e o ficar... nunca se está, simplesmente...
Coisas há que partem e coisas que ficam... no seu “ser sempre uma questão para a qual a resposta restará incompleta”... e mesmo ao partir... um botão perdido no sótão da memória resta, algures... e apareces depois sem que te chamem e ficas projectada na parede, a olhar para mim, como se tivesses alguma realidade...
É o cheiro dos anos, fluidez aprazível e odiosa... “a vida não tem sentido sem essa busca incessante do puro”... e fica sempre alguma coisa que escapa... e restam as sombras, as sombras das memórias cravadas nas paredes... e “as palavras, insuficientes”...
...à entrada de uma antiga moradia, diferente entrada... entrei para dizer adeus!
...habitada por estranhos, algo familiar...
...as mesmas paredes de pedra ainda murmuram, baixinho... sons abafados, música Melódica...
...porta abre-se, a mesma chave no esconderijo de sempre...
...cheiro, o mesmo cravado nas paredes de pele lisa e adocicada;
o mesmo perfume nas cortinas como cabelos de cetim...
disse adeus e entrei, o mesmo adeus...
...as palavras quentes, as mesmas, dos gestos do mesmo corpo... e novas dúvidas, novas loucuras efémeras...
...lençóis consomem-se, novos côncavos de desejos vermelhos.... “entre dois mundos, entre duas vidas, entre dois destinos”... e controlas o fogo dos sonhos como que por artificies de feitiçarias... luzes fortes cegam o cego... lençóis rasgam-se em formas, como os dias que se rasgam disformes... são corpos em busca da perfeição possível, momentos sôfregos... a lua não interessa para nada... gentilmente tortuosos... momentâneos momentos... afáveis de crueldade... prazeres carnais, luxúria! e os sorrisos indiferentes a outros tempos... e cessa, tudo cessa na mais bela Melodia...
...vamo-nos despedindo como quem da vida se despede...
...dizemos adeus com outras palavras... moradias “onde o preto e o branco se tornam insignificantes”...
...tiramos a vida à sorte, e à morte jogamos antes do cair do pano...
...sem razão, sem ética, sem moral, sem justiça, apenas a estética duma foda... sem sentido, sem futuro, sem presente ou passado, sem qualquer realidade, apenas extasiados de foder... (e dois corpos consumiam-se em despedidas apressadas da vida)...
...vamos prolongando a despedida até de manhã...
queríamos, por momentos, morrer ali,
cessar apenas porque éramos demasiado elevados...
como o azul e o amarelo –impressionados...
quando saíres, não digas adeus, sai apenas...
ficarei a sonhar talvez, nada mais...
e despede-te mansa como a morte nos abraça...
...certezas? caem sem ter chão! Caem sem cair... fazem o movimento circular como se nunca tivessem existido... fica a eterna dúvida entre o partir e o ficar... nunca se está, simplesmente...
Coisas há que partem e coisas que ficam... no seu “ser sempre uma questão para a qual a resposta restará incompleta”... e mesmo ao partir... um botão perdido no sótão da memória resta, algures... e apareces depois sem que te chamem e ficas projectada na parede, a olhar para mim, como se tivesses alguma realidade...
É o cheiro dos anos, fluidez aprazível e odiosa... “a vida não tem sentido sem essa busca incessante do puro”... e fica sempre alguma coisa que escapa... e restam as sombras, as sombras das memórias cravadas nas paredes... e “as palavras, insuficientes”...
domingo, 1 de maio de 2011
encontrei uma pedra no chão
por mais coisas que eu visse nessa pedra, seria sempre uma pedra
e como pedra a encarei
guardei a visão dessa pedra cá dentro
levei-a comigo. pesam-me os passos e os movimentos por causa dessa visão petrificada que guardo no album da mente
a tudo, a todos, a ninguém...
"e ainda hoje achas que ninguém entende que aquilo é uma pedra"
não consigo acreditar que a pedra passou da minha mão para a mão certa
quem sabe não se saiba que aquilo é mesmo só uma pedra?
tropecei nela, finalmente, e bati com a cabeça no chão
nem por isso esqueci essa pedra feita rocha em minha mente vazia
e em pedra me diluo para me achar mais sólido e firme
para crescer como pedra e fixar-me como rocha
por mais coisas que eu visse nessa pedra, seria sempre uma pedra
e como pedra a encarei
na porta da entrada ficou uma lágrima... o sol tentou condensá-la... eu tentei espalhá-la mas ela ficou manchada no chão.
guardei a visão dessa pedra cá dentro
levei-a comigo. pesam-me os passos e os movimentos por causa dessa visão petrificada que guardo no album da mente
dois de Sol e sete de Chuva. estou tão saturado, estou tão sem cor,
houve um canal de vermelhos que desapareceu, já não tenho RGB, tenho só GB
tentei explicar o que significa essa pedra
a tudo, a todos, a ninguém...
"e ainda hoje achas que ninguém entende que aquilo é uma pedra"
não consigo acreditar que a pedra passou da minha mão para a mão certa
quem sabe não se saiba que aquilo é mesmo só uma pedra?
não. não é normal. não é simples. mas também não é complicado. dói-me tanto... podes tirar-me a venda dos olhos? não suporto mais não ver nada abaixo dos meus pés e ao lado do horizonte.
estou sem cores? não... vejo bem. oiço mais ou menos. Ainda me vejo na porta da entrada, a perguntar-me "para que é que voltas a esta porta? para que fechaste a porta que tanto quiseste fechar - se agora entraste na mesma, e já não a sabes fechar?
tropecei nela, finalmente, e bati com a cabeça no chão
nem por isso esqueci essa pedra feita rocha em minha mente vazia
e em pedra me diluo para me achar mais sólido e firme
para crescer como pedra e fixar-me como rocha
inclino-me contra a parede... fico com a cabeça ligeiramente dependurada... balançando para frente. tento chegar aos teus braços, mas não estou cá.
lancei com uma mão contra o lago, fiquei à espera do barulho da sua queda... parece que já estou assim há tempo
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Um existir sem vida
A força da luz carrega-me nos ombros a obrigação de suportar mais um dia passado num existir que não existe em existência. Componho-me do que não é, do que não se decompõe, de um não existir físico que irrompa a luz secular e a escureça. Ninguém me sente porque não me sinto, não me perco no que desconheço e não morro no que não vivo. Poderemos viver não vivendo, ou teremos de encontrar nesse não viver algo vivo que nos dê a vida? Será o sonho o viver já essa vida? Ou será uma manipulação do não viver tentando obter o que se vive? Enganos, é isso. Tudo o que pensamos viver - o não viver - é um engano do viver que nunca viveremos. É um jogo que a vida, aquela que nunca conheceremos, nos impõe, fazendo-nos acreditar num real ilusório, num viver sem substância de vida. Perceber isto é já um fracasso da vida, não da que erradamente pensamos viver, mas da que nos mantém suspensos no acreditar viver. Aquilo a que chamamos vida é um engano em que vivemos: a verdadeira vida, onde o viver real habita, muito poucos a conhecerão. E os que a conhecerem terão apenas um ténue pulsar desse viver a vida.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
FMI
fomos correndo, escorrendo água da testa, como se o / mundo fosse realmente nosso ... vivemos para além das nossas capacidade / inserimo-nos em estilos de vida que não o nosso para nos pormos ao mesmo nível / fugimos sempre tarde demais, ficamos a ver os navios passar carregados de / merda que intupirá ainda mais os esgotos das cidades deste país e os caminhos das poucas aldeias verdadeiramente portuguesa à beira de perder qualquer sinal de autonomia e indepedência ou identidade (somos obrigados a aceitar o moderno como o único caminho do homem ... quando há resistência é porque somos velhos do restelo, quando não há é porque somos conformados...) / fomos, somos, éramos, por aí fora... e agora não serve de / muito continuar aos gritos. falta cá zé mário branco a gritar-lhes bem no ouvido - seria / impossível de ficarmos apáticos, sentados com o cu no sofá, sem opinão nem opção /
passo a citar: "FMI não há graça que não faça o FMI FMI o bombástico de plástico para si FMI não há força que retorça o FMI... estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreverílvelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos, malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas, pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta (...) eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero que se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro (...) e a Rainha de Inglaterra (...) deixem-m só porra, rua, larguem-me (...) filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, badamerda o FMI, o FMI é um pretexto vosso seus cabrões, (...) O FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua desandem daqui para fora a CULPA É VOSSA, A CULPA É VOSSA, a culpa é vossa; A CULPA É VOSSA (...), oh mãe, OH MÃE, oh mãe..." /
fomos gritos e revoltas até nos calarem suavemente a boca e hoje não temos a quem chamar filhos da puta. chamamos sempre aos /mesmos, e não temos um solução, nem digo que seja a / ideal, mas uma que seja... ainda para mais... os zés mários brancos que havia em nós estão caladinhos e escondidos , né filho?
(pesquisa no YOUtube - "Jose Mario Branco - FMI"... quando ainda tinhamos vozes dignas e a sério, gente que dizia palavras a sérios, gente que era gente e humanos a sério).
quarta-feira, 30 de março de 2011
¡Soledad!
Como un sueño olvidado
yo me acuerdo,
tu nombre,
como mayúsculas diseñadas en
una hoja de hierro,
mi rostro se enciende con la luz de
tu nombre,
yo hago lo que se suele hacer con
los nombres,
te llamo, ¡Soledad!
¿Qué coño haces en mi cuerpo?
Giras tu rostro hacia el mío,
sonríes, y te quedas inmóvil,
justo como un rotundo “no”,
una negación de lo que eres,
de lo que sueles hacer en el
cuerpo de un hombre que te
quiere como un olvido,
una presencia ajena,
un sentimiento a que nadie se acostumbra,
y me dices,
¡Joder! ¿Por qué carajos me tienes en tu cuerpo?
Yo vivo en ti, ¡Soledad!
domingo, 27 de março de 2011
"não quero nada / já disse que não quero nada" não quero... não posso... não devo... não vejo... não oiço... não sei... não sei se... não sei como... não sei porque... não sei para.. ..................................................................................... e ainda não usei um único ponto de interrogação ! as cores dos meus olhos contra o branco do espelho acordam , por fim, o ser adormecido vejo mudança... enquanto tudo se queda da mesma maneira
terça-feira, 22 de março de 2011
Restiforme
Caminho numa rua que nem sempre é rua,
E encontro as pessoas que lá não estão.
Caminho até talvez sem caminhar...
Nos passos do corpo...
Socorro-me afogando-me.
Existo sem existência...
Queria ser um pouco mais do que homem,
Viver um pouco mais que a aparência da vida.
Sou um pouco mais que nada... sim, mas quero ser um pouco mais que tudo!
Resguardo-me na intempérie da loucura,
Ainda a vida me não cansou.
Não é dinheiro ou fama, amor, saúde ou cultura, queria apenas ser um pouco mais do que homem...
Existo rodeado de inexistências,
todas as coisas, fúteis...
Mas não me canso de existir, ainda que já nem exista...
Não me canso de fazer, ainda que não faça...
Canso-me de tanto querer e tão pouco alcançar!
Canso-me de me ver sorrir engolindo o jantar...
Queria apenas ser um pouco mais do que homem... queria apenas, quem sabe, voar...
Caminho numa rua que nem sempre é rua,
E encontro as pessoas que lá não estão.
Caminho até talvez sem caminhar...
Nos passos do corpo...
Socorro-me afogando-me.
Existo sem existência...
Queria ser um pouco mais do que homem,
Viver um pouco mais que a aparência da vida.
Sou um pouco mais que nada... sim, mas quero ser um pouco mais que tudo!
Resguardo-me na intempérie da loucura,
Ainda a vida me não cansou.
Não é dinheiro ou fama, amor, saúde ou cultura, queria apenas ser um pouco mais do que homem...
Existo rodeado de inexistências,
todas as coisas, fúteis...
Mas não me canso de existir, ainda que já nem exista...
Não me canso de fazer, ainda que não faça...
Canso-me de tanto querer e tão pouco alcançar!
Canso-me de me ver sorrir engolindo o jantar...
Queria apenas ser um pouco mais do que homem... queria apenas, quem sabe, voar...
Poesia (do outro)
Tudo aquece nesta mesa,
o papel,
com as suas pontas levantadas,
espreita o que lá fora
permanece impune à passividade
dos dias
O livro, “Poesia” de
San Juan de la Cruz,
estala na largura da sua
lombada e solta a
música, qual génio,
presa no interior
de poemas,
gastos,
por olhos desatentos e cegos
à beleza que o negro da tinta
esconde
E eu adormeço,
num feito do que é terno
e quente, e ouço, ao longe,
o ressoar da música de San Juan,
que é feita de palavras
que rimam
mas que no fim, nada dizem,
somente o suave sibilar
da sua música ecoa,
no mais profundo do
meu sono.
segunda-feira, 21 de março de 2011
as sílabas do diálogo
sim
suponho e calculo que sim
no final do dia, depois da pressa do diário quotidiano, sentou-se no sofá
sozinho, à beira do ataque final, com o peso do mundo sentado ao colo
a exigir que mudasse para o canal 3, pois queria ver as notícias
sem este sim nunca poderia haver a mais palavra de todos os tempos
eu adiciono, vós adicionais, todos confirmam, eles possibilitam, nós dizemos que sim
não, não acredito que esteja fora do prazo
já a minha avó me dizia que se podia perfeitamente comer iogurtes com dois ou três dias depois da data de expiração... às vezes até uma semana depois. No fim, mesmo no fim, vai tudo parar ao mesmos lado
não...
enquanto houver monossílabos desta qualidade
ainda há esperança para o diálogo frívolo da humanidade
em 1933 a Constituição Portuguesa criou o estado de alma mais fácil para o português de hoje... na altura doeu muito, hoje parece que agrada... valham-nos as palavras
ora claro que sim
ora, não sei bem,
mas... sim... não
ainda aqui estamos? espectacular. O mundo cai. Évora arde (amigo... essa sim é de loucos! - bela comunicabilidade da auto-referência da arte). O Japão afoga-se e tenta voar para escapar. ainda aqui estamos?
e partimos directos para os dissílabos
o Homem crê ainda na escolha... entre o sim e o não pairam as inúmeras reflexões e itinerários intelectuais que o fazem humano...
ora, talvez, porém, julgo...
... e em que é que vamos acabar... onde é que estamos de acordo
espectacular esta nossa língua
e dizia para a minha avó o seu irmão, meu tio-avô - [kutshilaste e non bilaste] - andamos todos a dormir e esquece-mo-nos de ver com os olhos da alma?
avé palavreadores, dialoguemos até à exaustão
num pedacito à beira mar plasmado vamos todos arrastando os calhaus que fazem as calçadas, com os ténis mais baratos possíveis, à procura (sempre nisto ... sempre nisso), à deriva entre lógica e vontade de ser "ser"... marrecos de dizer sempre as mesmas coisas ... é por isso que eu digo precisamente aquilo que me dá na telha... enquanto assim for não existem sílabas que cheguem ...
sábado, 19 de março de 2011
Obnubilações
Aqui,
onde o ser se mistura com o não ser,
onde não há género e o número é plural,
onde encontro o que perdi sem procurar
Aqui,
onde as cores do inconsciente se pintam,
onde é fácil atingirmos o difícil,
onde não há esquecimento por nada terminar
Oiço,
( Professora- "Vicente, dê-me um exemplo de um arquifonema.")
Não oiço,
há conceitos que não transitam,
há conceitos que não passam a fronteira
Aqui,
há ilusões que iludem conceitos,
estados mentais que obnubilam o real,
Há sensações por definir em sentidos,
Respondo,
( Eu- "O mundo é um arquifonema".)
onde o ser se mistura com o não ser,
onde não há género e o número é plural,
onde encontro o que perdi sem procurar
Aqui,
onde as cores do inconsciente se pintam,
onde é fácil atingirmos o difícil,
onde não há esquecimento por nada terminar
Oiço,
( Professora- "Vicente, dê-me um exemplo de um arquifonema.")
Não oiço,
há conceitos que não transitam,
há conceitos que não passam a fronteira
Aqui,
há ilusões que iludem conceitos,
estados mentais que obnubilam o real,
Há sensações por definir em sentidos,
Respondo,
( Eu- "O mundo é um arquifonema".)
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