porque para além de poesia experimental também existem experiências poéticas ... todas as actividades de escrita estão em igual alcance do homem como ele deveria estar com a natureza ... aequum : equidade, imparcialidade, igualdade
segunda-feira, 27 de junho de 2011
crónica
foi como se sonhasse fumegando a existência saltas-me do ecrã como se a vida fosse, afinal, virtual o ócio que fumega e entrei na mesma sala onde estiveras para reencontrar futuros antes sonhados. tudo em vão no mais puro vazio que existe entre o ponteiro dos segundos e os outros dois, acelerado e por instantes compatível acendendo um cigarro rastejei da porta de uma sala à outra, como se fosse eu o tempo que rasteja entre as cidades que deixamos fumando a vida até à morte [mas quem me disse que era assim?] deixamos e procuramos novos rumos sem nunca entrar na sala em que viveste morrer a cada fumo que exalamos e acreditei que estava mesmo onde querias, pré-visualizando as atitudes que eu conheço existem em intervalos de fumo as vidas que a morte deixou de parte [não me fodas, continuas sem saber que é assim?!] e quando por fim, no final do dia, vi escurecer o céu em sinal de finalização de uma árdua tarefa pessoal nascendo de manhã morrer-se-á de tarde? beijando o solo e o barro e a chuva, chorando sal derretendo o gelo da frieza, tranquei-me na tua sala, como quem está meio morte mas ainda pensa viver [estás vivo? estás tão gelado]
sábado, 25 de junho de 2011
há algo de errado no mundo?
o mundo está errado?
será errado estar no mundo?
e o relógio toca
tens um auricular novo e falas enquanto
fazes as compras para o mês de abril (sem
maiúscula, porque obedeceste,
e já não sabes como escrever os meses)
será errado haver mundo?
é um erro ser o mundo?
haverá algo certo no mundo?
e o telefone toca
tens uma borbulha no cérebro de tanto
falares das mesmas coisas atualmente (sem
"c", e já sabes porquê)
e o telefone toca com o relógio
combinaram às duas para beber um brandy-mel
e a vida gira
e o mundo engana-se
e o homem morre
terça-feira, 21 de junho de 2011
A fuga presa nos meus olhos
É no cantar surdo da minha alma
que te conheço
É no voo do corvo negro que vejo
o claro dos teus olhos, e ter eu o
carvão para os desenhar, para os fazer
meus e fugir do mundo como quem
foge ao destino, distraído,
desconhecedor do alcançar o amor,
e tê-lo, todo, continuamente estendido
em tapetes púrpura amaciados por
cândidos dedos, iguais aos que imagino teus,
e deslizar no espelhado do teu corpo, e não tocar,
o mais ténue contacto, e ainda assim encher-me
de ti, do que te faz, e correr mais ainda,
num fôlego constante, e nele encontrar o ar
que me permita ao parar ver-me longe,
continuamente longe,
deixar de me ver e por isso ter-te sempre presente
nos meus olhos.
domingo, 19 de junho de 2011
na varanda
da varanda olhas-me com os olhos brilhantes
ah, tu estás aqui em baixo! aperto-te o abraço
engulo em seco. Viro-vos costas
a minha mãe, como mãe que é, oferece-me um lenço de papel.
Arroyo de La Luz!, ligeiro desvio a caminho de Alcántara
o empregado de mesa tem uma carne divinal...
uma foto do Che "colgada en la pared" e o campo em torno da vila citadina
"Obrigado!" diz-me ele... e ali abraça toda a realidade de raya
da varanda - ainda estás na varanda martinha? - tanta cinza caiu dessa varanda
tanta casca de pipa
acordei hoje de manhã e não estavas a dizer asneiradas!?
"não há césar nem meio césar"
"já te disse para tirares o indiano da boca"
escutem! aquele "bocadillo" estava demais... deviam passar do arroyo antes de deixar cáceres para trás
Mas que digo?
já guardei o lenço de papel no bolso...
vou contemplar a paisagem e fumar um cigarro, como se tivesse na cozinha
com a cafeteira derretendo-se por dentro... mas afinal onde ficou?? vai para cima? vai para baixo? vai para o lixo?
fecho a porta do carro,
deixo as lágrimas escorrerem-me pelo rosto abaixo e espero
entre o fumo e a luz da ponte de Alcántara
um eterno até já que as cegonhas transportam nas penas que deixam cair em tuas mãos
ainda estou na machacona aos gritos a teu lado
ainda estou na varanda do bar a dizer merda com todos vós
ainda estou no gabinete lá em cima a levar filmes
ainda estou no colmendralejo a ver as coisas mais belas da vida, as mais simples, as únicas que dão mais certeza à vida aqui
ficou mais um pedaço meu, em vossas mãos, e não sei se o vou buscar de novo
amigo/s o teu abraço ainda aperta o meus
obrigado!
não faz mal
...
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Porquê?
Porque não plantas?
Porque não flores?
Porque não árvores onde crescem os amores?
Porque não terra ou pedra?
Porque não lama ou água?
Porque não a nuvem que a carrega?
Porque não o vento que a empurra?
Porque não o céu que o vento percorre indefinidamente?
Porque não o sol que o luz ou a lua que o escura?
Porque não o fogo que tudo acende?
Porque não tudo?
Todo o cheio que há no mundo!
Porque não nada?
O nada que no tudo se esquece.
O nada que em nada aparece e adormece na pressa de esquecer o que existe!
Porque não um homem?
Porque não um homem vivo?
E porquê viver se vida há em tudo o que vivo?
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Poesia doméstica
Sem óculos
Abri o saco da roupa e ouvi uma voz que dizia: pois até não falta assim tanta roupa para arrumar, esta, sei que devia ser 2ª ex namorada, depois ouvia outra voz, aí era a 1ª, era mesmo, dizia: esse monte olimpus de roupa, sem dúvida que era, que vais fazer com isso!? Talvez pela janela... depois outra voz de um amigo me acalmava e falava-me de outras coisas que eu não entendia... estava só, enfim, com os meus heterónimos – dizia – contente... falava comigo e contigo, estou certo que ouviste... depois outro amigo exaltado exigia que eu queimasse a roupa para não a lavar... que problema de luxos... impossível... mas entendido!
Sem óculos os meus olhos desfocam, o café faz cancro e o telemóvel dá azia! Vejo que despertaste sua besta! Comigo?! Claro! Sou conan o homem rã! E vim para reinar!
Uma palavrinha, pois necessito mesmo dela, para os exacerbados do poder! Atentai caros filhos da puta que o dia para vós é apenas parte da noite! Atentai, fachistas de merda! Tiranos instaurados! O esquema viciado! Pequenos chefes... tristes e amargas sombras de um sentido de grupo... hipócritas, sim, levanto a minha voz sem medo, vem cá, vem ao poema e tenta derrotar-me que eu pela lei sou fraco... incide em prosa a tua fúria e sai debaixo da saia da Paula Rêgo, quem és tu afinal? A não ser um monte de papéis sem rosto? Julgas pois que o poder que tens sobre a vida dos outros é superior ao sentido de profissionalismo? Julgais-me com medo? Falai-me na melhor prosa de ficção – a sua, pois nem que eu estude dez anos chegarei ao seu nível exacerbado e surrealista! Bravo! É um caso de estudo meu caro... Quem sois vós? Hipócritas sem mais que... e eu? mentiroso a teu proveito, morra eu se me preocupo com o sentido de justiça para além do que ele me ensina... é frase simples? Dormis descansado? Pois que sim, embalado pelo leito do vale tudo! Um dia, de novo, que me chames mentiroso, seu cobarde, e eu, que me quede inválido pela luz ofuscante do teu poder, e então cessarei as minhas armas perante tão grandiosa verdade; ó meu pequeno chefe...
Sem óculos
Abri o saco da roupa e ouvi uma voz que dizia: pois até não falta assim tanta roupa para arrumar, esta, sei que devia ser 2ª ex namorada, depois ouvia outra voz, aí era a 1ª, era mesmo, dizia: esse monte olimpus de roupa, sem dúvida que era, que vais fazer com isso!? Talvez pela janela... depois outra voz de um amigo me acalmava e falava-me de outras coisas que eu não entendia... estava só, enfim, com os meus heterónimos – dizia – contente... falava comigo e contigo, estou certo que ouviste... depois outro amigo exaltado exigia que eu queimasse a roupa para não a lavar... que problema de luxos... impossível... mas entendido!
Sem óculos os meus olhos desfocam, o café faz cancro e o telemóvel dá azia! Vejo que despertaste sua besta! Comigo?! Claro! Sou conan o homem rã! E vim para reinar!
Uma palavrinha, pois necessito mesmo dela, para os exacerbados do poder! Atentai caros filhos da puta que o dia para vós é apenas parte da noite! Atentai, fachistas de merda! Tiranos instaurados! O esquema viciado! Pequenos chefes... tristes e amargas sombras de um sentido de grupo... hipócritas, sim, levanto a minha voz sem medo, vem cá, vem ao poema e tenta derrotar-me que eu pela lei sou fraco... incide em prosa a tua fúria e sai debaixo da saia da Paula Rêgo, quem és tu afinal? A não ser um monte de papéis sem rosto? Julgas pois que o poder que tens sobre a vida dos outros é superior ao sentido de profissionalismo? Julgais-me com medo? Falai-me na melhor prosa de ficção – a sua, pois nem que eu estude dez anos chegarei ao seu nível exacerbado e surrealista! Bravo! É um caso de estudo meu caro... Quem sois vós? Hipócritas sem mais que... e eu? mentiroso a teu proveito, morra eu se me preocupo com o sentido de justiça para além do que ele me ensina... é frase simples? Dormis descansado? Pois que sim, embalado pelo leito do vale tudo! Um dia, de novo, que me chames mentiroso, seu cobarde, e eu, que me quede inválido pela luz ofuscante do teu poder, e então cessarei as minhas armas perante tão grandiosa verdade; ó meu pequeno chefe...
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Postit
Quero a próxima carta pronta amanhã em cima da minha secretária...
Estou completamente diferente...
2.linha 3
3. linha1
4ºparágrafo
sempre com um charme especial ou um gozo particular...
16:30 joão
tirar tarde quinta-feira, tirei 95 euros...
A Maria veio para Montemor era primavera...
17 de Julho de 1978 campanha de decapitações, David, Nova Roma...
desconcertante, tragicamente belo, repulsivo...
user name, password, estudante-22
desligado o furo 6 e ligado o furo 5 da amoreira...
agitado, descansar...
comédia dramática: 4 personagens, 1 livro excitado, 1 puta frustrada com o irs, quer enriquecer, anti-mulher fatal...
espanhol 16, estética...
comer, limpar a casa...
criar, criar! agitado, trabalhar, passear a cadela...
cabo (verde?) _________________ o texto não está justificado, verificar erros, falta de conexão entre as frases. Funcionamento e orgânica.
lembrar-me do que me esqueci, ir às compras...
Telefonar ao afilhado, comprar prenda... ir a casa da avó... comprar 2 pneus, pagar a luz, fazer contas... encomendar pizza e cortar o cabelo... telefonar ao Sol...
Ler: A insustentável leveza do ser... Kundera...
Destruir o significante dos conceitos... entregar os livros na biblioteca...
Dormir das 02:00 às 06:00, prazo 1 de Junho (já passou...)
Quero a próxima carta pronta amanhã em cima da minha secretária...
Estou completamente diferente...
2.linha 3
3. linha1
4ºparágrafo
sempre com um charme especial ou um gozo particular...
16:30 joão
tirar tarde quinta-feira, tirei 95 euros...
A Maria veio para Montemor era primavera...
17 de Julho de 1978 campanha de decapitações, David, Nova Roma...
desconcertante, tragicamente belo, repulsivo...
user name, password, estudante-22
desligado o furo 6 e ligado o furo 5 da amoreira...
agitado, descansar...
comédia dramática: 4 personagens, 1 livro excitado, 1 puta frustrada com o irs, quer enriquecer, anti-mulher fatal...
espanhol 16, estética...
comer, limpar a casa...
criar, criar! agitado, trabalhar, passear a cadela...
cabo (verde?) _________________ o texto não está justificado, verificar erros, falta de conexão entre as frases. Funcionamento e orgânica.
lembrar-me do que me esqueci, ir às compras...
Telefonar ao afilhado, comprar prenda... ir a casa da avó... comprar 2 pneus, pagar a luz, fazer contas... encomendar pizza e cortar o cabelo... telefonar ao Sol...
Ler: A insustentável leveza do ser... Kundera...
Destruir o significante dos conceitos... entregar os livros na biblioteca...
Dormir das 02:00 às 06:00, prazo 1 de Junho (já passou...)
quinta-feira, 26 de maio de 2011
vou tingir a tela que faz fundo da sala onde me obrigam, sentado, a ouvir as lenga-lengas do costume
vejo agora que estão todos aqui, o cão, a foca e o abutre - parece que temos a força armada portuguesa em peso
vou tingir a tela de tal maneira que de tão vermelha espetarão todos os cornos na parede...
pode ser que assim, deixando os bmw's à porta e sem gasolina, consigamos mudar o sistema
vejo agora que estão todos aqui, o cão, a foca e o abutre - parece que temos a força armada portuguesa em peso
vou tingir a tela de tal maneira que de tão vermelha espetarão todos os cornos na parede...
pode ser que assim, deixando os bmw's à porta e sem gasolina, consigamos mudar o sistema
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Cosmos
Diferentes universos acumulam-se
em sentidos e movimentos em constante
pulsão e repulsão
Bastava ter força para mover planetas
Enganar de vez as leis do Tempo
e poderíamos ficar para trás
em plena harmonia gravitacional
ou na ausência da mesma.
em sentidos e movimentos em constante
pulsão e repulsão
Bastava ter força para mover planetas
Enganar de vez as leis do Tempo
e poderíamos ficar para trás
em plena harmonia gravitacional
ou na ausência da mesma.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
há ondeações de ar e luz que me cercam a vista
e hoje, porque ensinaste, eu sei conjugar o verbo amar
e tudo o que eu leio nas ondas que me rodeiam transmitem-me a luz de um olhar que me guia
o calor de um corpo desejado, à noite, que acaba com a insónia aos poucos
faz de farol a desencaminhados trilhos interrompidos constantemente pela "teimosia da vida"
mas eu tenho vida agora
"adeus luberiña triste" que me quedo onde não quero mas vejo-te de todos os ângulos
"de espaldas te vou mirando" pois o teu olhar segue a Terra e o meu sossego está no teu colo
- é no teu leito que eu quero estar, é na nossa vida que eu quero viver até quando respiro fundo de mais e sinto que morro ao ouvir-te dizer-me o mesmo
há uma coisa tão misteriosa quanto simples no verbo que me ensinaste
dos pés às pontas dos cabelos, nas pernas, no colo, nos seios, no pescoço, nos ouvidos, nos olhos, na boca... escorrem significados tão puros, escorrem os suores e lágrimas seguras,
porque na incerteza reside o verbo derradeiro, o núcleo da minha existência, a dúvida é a única certeza de uma felicidade nómada e fugidia
- é no teu leito que quero quedar, morrer e renascer a cada dia que oiço um dialecto secreto que acompanha um sorriso - e por muitas vezes que sorrias, eu sei distinguir o sorriso, o único sorriso, aquele que de uma vez só conjuga as duas pessoas únicas desses mesmo verbo
eu amo
tu amas
e o reflexivo que nos acompanha, incondicionalmente
eu amo-te
tu amas-me
e é por essa mesma razão que existem as consequências
eu amo-me
tu amas-te
nós ama-nos
e toda a ira perde sentido, a estupidez das palavras mais gritadas, a parvoíce das preocupações que não merecem a pena, que não têm real significado ou importância
- é no teu leito que eu quero desmanchar todo o controle que exerço sobre o meu corpo
como se o Sol penetrasse me ambos, nos enchesse de mar e dúvidas
doces dúvidas que o amor transforma em pensamentos, em certezas que nenhuma destas palavras vos pode explicar.
as nuvens gritam, suavemente, ao meu ouvido ferido
mas não as oiço enquanto a tua voz doce não quebrar a dúvida do silêncio quando tu não estás
até lá
até já
até sempre
e hoje, porque ensinaste, eu sei conjugar o verbo amar
e tudo o que eu leio nas ondas que me rodeiam transmitem-me a luz de um olhar que me guia
o calor de um corpo desejado, à noite, que acaba com a insónia aos poucos
faz de farol a desencaminhados trilhos interrompidos constantemente pela "teimosia da vida"
mas eu tenho vida agora
"adeus luberiña triste" que me quedo onde não quero mas vejo-te de todos os ângulos
"de espaldas te vou mirando" pois o teu olhar segue a Terra e o meu sossego está no teu colo
- é no teu leito que eu quero estar, é na nossa vida que eu quero viver até quando respiro fundo de mais e sinto que morro ao ouvir-te dizer-me o mesmo
há uma coisa tão misteriosa quanto simples no verbo que me ensinaste
dos pés às pontas dos cabelos, nas pernas, no colo, nos seios, no pescoço, nos ouvidos, nos olhos, na boca... escorrem significados tão puros, escorrem os suores e lágrimas seguras,
porque na incerteza reside o verbo derradeiro, o núcleo da minha existência, a dúvida é a única certeza de uma felicidade nómada e fugidia
- é no teu leito que quero quedar, morrer e renascer a cada dia que oiço um dialecto secreto que acompanha um sorriso - e por muitas vezes que sorrias, eu sei distinguir o sorriso, o único sorriso, aquele que de uma vez só conjuga as duas pessoas únicas desses mesmo verbo
eu amo
tu amas
e o reflexivo que nos acompanha, incondicionalmente
eu amo-te
tu amas-me
e é por essa mesma razão que existem as consequências
eu amo-me
tu amas-te
nós ama-nos
e toda a ira perde sentido, a estupidez das palavras mais gritadas, a parvoíce das preocupações que não merecem a pena, que não têm real significado ou importância
- é no teu leito que eu quero desmanchar todo o controle que exerço sobre o meu corpo
como se o Sol penetrasse me ambos, nos enchesse de mar e dúvidas
doces dúvidas que o amor transforma em pensamentos, em certezas que nenhuma destas palavras vos pode explicar.
as nuvens gritam, suavemente, ao meu ouvido ferido
mas não as oiço enquanto a tua voz doce não quebrar a dúvida do silêncio quando tu não estás
até lá
até já
até sempre
sexta-feira, 20 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
um quase verdadeiro poema patriota
arranca-me dos olhos a retina, esfola-me os joelhos contra a parede mais negra
já só falta que me tirem as palavras...
quão farto me encontro e estou... quão farto sou e re-sou.
ressoam ao longe os teus gritos ... as vossas pedras mandadas ao ar
como me meteis nojo todos,
como se conforma o humano por toda e qualquer desculpa socio-politico-ético-cultural
quão farto estou de me arrancarem a vida dos olhos
como me meteis asco todos,
atira-me contra os números das contas, e as contas que se fazem com esse números,
e as mortes que crescem com esses números, e o número de mortos que crescem com tudo isto
opções? quais opções?
quão farto estou de todos vós
já só falta que me tirem as palavras...
quão farto me encontro e estou... quão farto sou e re-sou.
ressoam ao longe os teus gritos ... as vossas pedras mandadas ao ar
como me meteis nojo todos,
como se conforma o humano por toda e qualquer desculpa socio-politico-ético-cultural
quão farto estou de me arrancarem a vida dos olhos
como me meteis asco todos,
atira-me contra os números das contas, e as contas que se fazem com esse números,
e as mortes que crescem com esses números, e o número de mortos que crescem com tudo isto
opções? quais opções?
quão farto estou de todos vós
terça-feira, 17 de maio de 2011
a efemeridade de um toque
a distância de um olhar próximo
para te embalar nos sonhos e encontrar-me nos meus,
a explosão que emerge, do calor de dois corpos, unidos num temp
impossível de medir ou distanciar
para me embalar na verdade que me escondeu o espaço
os quilómetros que servem de barreira
ao mais puro encontrar de dois olhares
impossíveis de serem apagados ou esquecidos
impossíveis de ignorar ou fingir que não deixam (deixarão sempre) marcas profundas
e na estrada, ficaram sem se ver, as pegadas de algo que não se diz... sente-se
a distância de um olhar próximo
para te embalar nos sonhos e encontrar-me nos meus,
a explosão que emerge, do calor de dois corpos, unidos num temp
impossível de medir ou distanciar
para me embalar na verdade que me escondeu o espaço
os quilómetros que servem de barreira
ao mais puro encontrar de dois olhares
impossíveis de serem apagados ou esquecidos
impossíveis de ignorar ou fingir que não deixam (deixarão sempre) marcas profundas
e na estrada, ficaram sem se ver, as pegadas de algo que não se diz... sente-se
domingo, 8 de maio de 2011
(centésimo texto do blogue AEQUUM)
se um poema servisse de remédio para alma (nunca para o corpo)
enviar-te-ia, como pudesse, uma antologia poética de analgésicos metaforizados
se um poema servisse para calar o silêncio da vida
gritarei o quanto preciso da tua poesia para estar sossegado
se um poema servisse para curar todos os males que só parcialmente pode sarar
bastariam palavras, simples e organizadas, para trazer de volta a felicidade
enviar-te-ia, como pudesse, uma antologia poética de analgésicos metaforizados
se um poema servisse para calar o silêncio da vida
gritarei o quanto preciso da tua poesia para estar sossegado
se um poema servisse para curar todos os males que só parcialmente pode sarar
bastariam palavras, simples e organizadas, para trazer de volta a felicidade
um abraço a todos os contribuidores do blogue.
fico feliz por ter conhecido tanta coisa com ele.obrigado à inspiração. obrgiado ao
mundo e à instabilidade. obrigado à angústia e a raiva que
advém.obrigado pela tua força ... resitência e
luta... obrigado por acreditarmos que ainda vale a pena, mesmo quando desacreditas nessa mesma força...o mundo é desasiado pequeno para todosforte abraço e beijo a tod@s
terça-feira, 3 de maio de 2011
(chegámos na despedida...)
...à entrada de uma antiga moradia, diferente entrada... entrei para dizer adeus!
...habitada por estranhos, algo familiar...
...as mesmas paredes de pedra ainda murmuram, baixinho... sons abafados, música Melódica...
...porta abre-se, a mesma chave no esconderijo de sempre...
...cheiro, o mesmo cravado nas paredes de pele lisa e adocicada;
o mesmo perfume nas cortinas como cabelos de cetim...
disse adeus e entrei, o mesmo adeus...
...as palavras quentes, as mesmas, dos gestos do mesmo corpo... e novas dúvidas, novas loucuras efémeras...
...lençóis consomem-se, novos côncavos de desejos vermelhos.... “entre dois mundos, entre duas vidas, entre dois destinos”... e controlas o fogo dos sonhos como que por artificies de feitiçarias... luzes fortes cegam o cego... lençóis rasgam-se em formas, como os dias que se rasgam disformes... são corpos em busca da perfeição possível, momentos sôfregos... a lua não interessa para nada... gentilmente tortuosos... momentâneos momentos... afáveis de crueldade... prazeres carnais, luxúria! e os sorrisos indiferentes a outros tempos... e cessa, tudo cessa na mais bela Melodia...
...vamo-nos despedindo como quem da vida se despede...
...dizemos adeus com outras palavras... moradias “onde o preto e o branco se tornam insignificantes”...
...tiramos a vida à sorte, e à morte jogamos antes do cair do pano...
...sem razão, sem ética, sem moral, sem justiça, apenas a estética duma foda... sem sentido, sem futuro, sem presente ou passado, sem qualquer realidade, apenas extasiados de foder... (e dois corpos consumiam-se em despedidas apressadas da vida)...
...vamos prolongando a despedida até de manhã...
queríamos, por momentos, morrer ali,
cessar apenas porque éramos demasiado elevados...
como o azul e o amarelo –impressionados...
quando saíres, não digas adeus, sai apenas...
ficarei a sonhar talvez, nada mais...
e despede-te mansa como a morte nos abraça...
...certezas? caem sem ter chão! Caem sem cair... fazem o movimento circular como se nunca tivessem existido... fica a eterna dúvida entre o partir e o ficar... nunca se está, simplesmente...
Coisas há que partem e coisas que ficam... no seu “ser sempre uma questão para a qual a resposta restará incompleta”... e mesmo ao partir... um botão perdido no sótão da memória resta, algures... e apareces depois sem que te chamem e ficas projectada na parede, a olhar para mim, como se tivesses alguma realidade...
É o cheiro dos anos, fluidez aprazível e odiosa... “a vida não tem sentido sem essa busca incessante do puro”... e fica sempre alguma coisa que escapa... e restam as sombras, as sombras das memórias cravadas nas paredes... e “as palavras, insuficientes”...
...à entrada de uma antiga moradia, diferente entrada... entrei para dizer adeus!
...habitada por estranhos, algo familiar...
...as mesmas paredes de pedra ainda murmuram, baixinho... sons abafados, música Melódica...
...porta abre-se, a mesma chave no esconderijo de sempre...
...cheiro, o mesmo cravado nas paredes de pele lisa e adocicada;
o mesmo perfume nas cortinas como cabelos de cetim...
disse adeus e entrei, o mesmo adeus...
...as palavras quentes, as mesmas, dos gestos do mesmo corpo... e novas dúvidas, novas loucuras efémeras...
...lençóis consomem-se, novos côncavos de desejos vermelhos.... “entre dois mundos, entre duas vidas, entre dois destinos”... e controlas o fogo dos sonhos como que por artificies de feitiçarias... luzes fortes cegam o cego... lençóis rasgam-se em formas, como os dias que se rasgam disformes... são corpos em busca da perfeição possível, momentos sôfregos... a lua não interessa para nada... gentilmente tortuosos... momentâneos momentos... afáveis de crueldade... prazeres carnais, luxúria! e os sorrisos indiferentes a outros tempos... e cessa, tudo cessa na mais bela Melodia...
...vamo-nos despedindo como quem da vida se despede...
...dizemos adeus com outras palavras... moradias “onde o preto e o branco se tornam insignificantes”...
...tiramos a vida à sorte, e à morte jogamos antes do cair do pano...
...sem razão, sem ética, sem moral, sem justiça, apenas a estética duma foda... sem sentido, sem futuro, sem presente ou passado, sem qualquer realidade, apenas extasiados de foder... (e dois corpos consumiam-se em despedidas apressadas da vida)...
...vamos prolongando a despedida até de manhã...
queríamos, por momentos, morrer ali,
cessar apenas porque éramos demasiado elevados...
como o azul e o amarelo –impressionados...
quando saíres, não digas adeus, sai apenas...
ficarei a sonhar talvez, nada mais...
e despede-te mansa como a morte nos abraça...
...certezas? caem sem ter chão! Caem sem cair... fazem o movimento circular como se nunca tivessem existido... fica a eterna dúvida entre o partir e o ficar... nunca se está, simplesmente...
Coisas há que partem e coisas que ficam... no seu “ser sempre uma questão para a qual a resposta restará incompleta”... e mesmo ao partir... um botão perdido no sótão da memória resta, algures... e apareces depois sem que te chamem e ficas projectada na parede, a olhar para mim, como se tivesses alguma realidade...
É o cheiro dos anos, fluidez aprazível e odiosa... “a vida não tem sentido sem essa busca incessante do puro”... e fica sempre alguma coisa que escapa... e restam as sombras, as sombras das memórias cravadas nas paredes... e “as palavras, insuficientes”...
domingo, 1 de maio de 2011
encontrei uma pedra no chão
por mais coisas que eu visse nessa pedra, seria sempre uma pedra
e como pedra a encarei
guardei a visão dessa pedra cá dentro
levei-a comigo. pesam-me os passos e os movimentos por causa dessa visão petrificada que guardo no album da mente
a tudo, a todos, a ninguém...
"e ainda hoje achas que ninguém entende que aquilo é uma pedra"
não consigo acreditar que a pedra passou da minha mão para a mão certa
quem sabe não se saiba que aquilo é mesmo só uma pedra?
tropecei nela, finalmente, e bati com a cabeça no chão
nem por isso esqueci essa pedra feita rocha em minha mente vazia
e em pedra me diluo para me achar mais sólido e firme
para crescer como pedra e fixar-me como rocha
por mais coisas que eu visse nessa pedra, seria sempre uma pedra
e como pedra a encarei
na porta da entrada ficou uma lágrima... o sol tentou condensá-la... eu tentei espalhá-la mas ela ficou manchada no chão.
guardei a visão dessa pedra cá dentro
levei-a comigo. pesam-me os passos e os movimentos por causa dessa visão petrificada que guardo no album da mente
dois de Sol e sete de Chuva. estou tão saturado, estou tão sem cor,
houve um canal de vermelhos que desapareceu, já não tenho RGB, tenho só GB
tentei explicar o que significa essa pedra
a tudo, a todos, a ninguém...
"e ainda hoje achas que ninguém entende que aquilo é uma pedra"
não consigo acreditar que a pedra passou da minha mão para a mão certa
quem sabe não se saiba que aquilo é mesmo só uma pedra?
não. não é normal. não é simples. mas também não é complicado. dói-me tanto... podes tirar-me a venda dos olhos? não suporto mais não ver nada abaixo dos meus pés e ao lado do horizonte.
estou sem cores? não... vejo bem. oiço mais ou menos. Ainda me vejo na porta da entrada, a perguntar-me "para que é que voltas a esta porta? para que fechaste a porta que tanto quiseste fechar - se agora entraste na mesma, e já não a sabes fechar?
tropecei nela, finalmente, e bati com a cabeça no chão
nem por isso esqueci essa pedra feita rocha em minha mente vazia
e em pedra me diluo para me achar mais sólido e firme
para crescer como pedra e fixar-me como rocha
inclino-me contra a parede... fico com a cabeça ligeiramente dependurada... balançando para frente. tento chegar aos teus braços, mas não estou cá.
lancei com uma mão contra o lago, fiquei à espera do barulho da sua queda... parece que já estou assim há tempo
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Um existir sem vida
A força da luz carrega-me nos ombros a obrigação de suportar mais um dia passado num existir que não existe em existência. Componho-me do que não é, do que não se decompõe, de um não existir físico que irrompa a luz secular e a escureça. Ninguém me sente porque não me sinto, não me perco no que desconheço e não morro no que não vivo. Poderemos viver não vivendo, ou teremos de encontrar nesse não viver algo vivo que nos dê a vida? Será o sonho o viver já essa vida? Ou será uma manipulação do não viver tentando obter o que se vive? Enganos, é isso. Tudo o que pensamos viver - o não viver - é um engano do viver que nunca viveremos. É um jogo que a vida, aquela que nunca conheceremos, nos impõe, fazendo-nos acreditar num real ilusório, num viver sem substância de vida. Perceber isto é já um fracasso da vida, não da que erradamente pensamos viver, mas da que nos mantém suspensos no acreditar viver. Aquilo a que chamamos vida é um engano em que vivemos: a verdadeira vida, onde o viver real habita, muito poucos a conhecerão. E os que a conhecerem terão apenas um ténue pulsar desse viver a vida.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
FMI
fomos correndo, escorrendo água da testa, como se o / mundo fosse realmente nosso ... vivemos para além das nossas capacidade / inserimo-nos em estilos de vida que não o nosso para nos pormos ao mesmo nível / fugimos sempre tarde demais, ficamos a ver os navios passar carregados de / merda que intupirá ainda mais os esgotos das cidades deste país e os caminhos das poucas aldeias verdadeiramente portuguesa à beira de perder qualquer sinal de autonomia e indepedência ou identidade (somos obrigados a aceitar o moderno como o único caminho do homem ... quando há resistência é porque somos velhos do restelo, quando não há é porque somos conformados...) / fomos, somos, éramos, por aí fora... e agora não serve de / muito continuar aos gritos. falta cá zé mário branco a gritar-lhes bem no ouvido - seria / impossível de ficarmos apáticos, sentados com o cu no sofá, sem opinão nem opção /
passo a citar: "FMI não há graça que não faça o FMI FMI o bombástico de plástico para si FMI não há força que retorça o FMI... estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreverílvelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos, malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas, pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta (...) eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero que se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro (...) e a Rainha de Inglaterra (...) deixem-m só porra, rua, larguem-me (...) filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, badamerda o FMI, o FMI é um pretexto vosso seus cabrões, (...) O FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua desandem daqui para fora a CULPA É VOSSA, A CULPA É VOSSA, a culpa é vossa; A CULPA É VOSSA (...), oh mãe, OH MÃE, oh mãe..." /
fomos gritos e revoltas até nos calarem suavemente a boca e hoje não temos a quem chamar filhos da puta. chamamos sempre aos /mesmos, e não temos um solução, nem digo que seja a / ideal, mas uma que seja... ainda para mais... os zés mários brancos que havia em nós estão caladinhos e escondidos , né filho?
(pesquisa no YOUtube - "Jose Mario Branco - FMI"... quando ainda tinhamos vozes dignas e a sério, gente que dizia palavras a sérios, gente que era gente e humanos a sério).
quarta-feira, 30 de março de 2011
¡Soledad!
Como un sueño olvidado
yo me acuerdo,
tu nombre,
como mayúsculas diseñadas en
una hoja de hierro,
mi rostro se enciende con la luz de
tu nombre,
yo hago lo que se suele hacer con
los nombres,
te llamo, ¡Soledad!
¿Qué coño haces en mi cuerpo?
Giras tu rostro hacia el mío,
sonríes, y te quedas inmóvil,
justo como un rotundo “no”,
una negación de lo que eres,
de lo que sueles hacer en el
cuerpo de un hombre que te
quiere como un olvido,
una presencia ajena,
un sentimiento a que nadie se acostumbra,
y me dices,
¡Joder! ¿Por qué carajos me tienes en tu cuerpo?
Yo vivo en ti, ¡Soledad!
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