porque para além de poesia experimental também existem experiências poéticas ... todas as actividades de escrita estão em igual alcance do homem como ele deveria estar com a natureza ... aequum : equidade, imparcialidade, igualdade
quinta-feira, 19 de maio de 2011
um quase verdadeiro poema patriota
já só falta que me tirem as palavras...
quão farto me encontro e estou... quão farto sou e re-sou.
ressoam ao longe os teus gritos ... as vossas pedras mandadas ao ar
como me meteis nojo todos,
como se conforma o humano por toda e qualquer desculpa socio-politico-ético-cultural
quão farto estou de me arrancarem a vida dos olhos
como me meteis asco todos,
atira-me contra os números das contas, e as contas que se fazem com esse números,
e as mortes que crescem com esses números, e o número de mortos que crescem com tudo isto
opções? quais opções?
quão farto estou de todos vós
terça-feira, 17 de maio de 2011
a distância de um olhar próximo
para te embalar nos sonhos e encontrar-me nos meus,
a explosão que emerge, do calor de dois corpos, unidos num temp
impossível de medir ou distanciar
para me embalar na verdade que me escondeu o espaço
os quilómetros que servem de barreira
ao mais puro encontrar de dois olhares
impossíveis de serem apagados ou esquecidos
impossíveis de ignorar ou fingir que não deixam (deixarão sempre) marcas profundas
e na estrada, ficaram sem se ver, as pegadas de algo que não se diz... sente-se
domingo, 8 de maio de 2011
(centésimo texto do blogue AEQUUM)
enviar-te-ia, como pudesse, uma antologia poética de analgésicos metaforizados
se um poema servisse para calar o silêncio da vida
gritarei o quanto preciso da tua poesia para estar sossegado
se um poema servisse para curar todos os males que só parcialmente pode sarar
bastariam palavras, simples e organizadas, para trazer de volta a felicidade
um abraço a todos os contribuidores do blogue.
fico feliz por ter conhecido tanta coisa com ele.obrigado à inspiração. obrgiado ao
mundo e à instabilidade. obrigado à angústia e a raiva que
advém.obrigado pela tua força ... resitência e
luta... obrigado por acreditarmos que ainda vale a pena, mesmo quando desacreditas nessa mesma força...o mundo é desasiado pequeno para todosforte abraço e beijo a tod@s
terça-feira, 3 de maio de 2011
...à entrada de uma antiga moradia, diferente entrada... entrei para dizer adeus!
...habitada por estranhos, algo familiar...
...as mesmas paredes de pedra ainda murmuram, baixinho... sons abafados, música Melódica...
...porta abre-se, a mesma chave no esconderijo de sempre...
...cheiro, o mesmo cravado nas paredes de pele lisa e adocicada;
o mesmo perfume nas cortinas como cabelos de cetim...
disse adeus e entrei, o mesmo adeus...
...as palavras quentes, as mesmas, dos gestos do mesmo corpo... e novas dúvidas, novas loucuras efémeras...
...lençóis consomem-se, novos côncavos de desejos vermelhos.... “entre dois mundos, entre duas vidas, entre dois destinos”... e controlas o fogo dos sonhos como que por artificies de feitiçarias... luzes fortes cegam o cego... lençóis rasgam-se em formas, como os dias que se rasgam disformes... são corpos em busca da perfeição possível, momentos sôfregos... a lua não interessa para nada... gentilmente tortuosos... momentâneos momentos... afáveis de crueldade... prazeres carnais, luxúria! e os sorrisos indiferentes a outros tempos... e cessa, tudo cessa na mais bela Melodia...
...vamo-nos despedindo como quem da vida se despede...
...dizemos adeus com outras palavras... moradias “onde o preto e o branco se tornam insignificantes”...
...tiramos a vida à sorte, e à morte jogamos antes do cair do pano...
...sem razão, sem ética, sem moral, sem justiça, apenas a estética duma foda... sem sentido, sem futuro, sem presente ou passado, sem qualquer realidade, apenas extasiados de foder... (e dois corpos consumiam-se em despedidas apressadas da vida)...
...vamos prolongando a despedida até de manhã...
queríamos, por momentos, morrer ali,
cessar apenas porque éramos demasiado elevados...
como o azul e o amarelo –impressionados...
quando saíres, não digas adeus, sai apenas...
ficarei a sonhar talvez, nada mais...
e despede-te mansa como a morte nos abraça...
...certezas? caem sem ter chão! Caem sem cair... fazem o movimento circular como se nunca tivessem existido... fica a eterna dúvida entre o partir e o ficar... nunca se está, simplesmente...
Coisas há que partem e coisas que ficam... no seu “ser sempre uma questão para a qual a resposta restará incompleta”... e mesmo ao partir... um botão perdido no sótão da memória resta, algures... e apareces depois sem que te chamem e ficas projectada na parede, a olhar para mim, como se tivesses alguma realidade...
É o cheiro dos anos, fluidez aprazível e odiosa... “a vida não tem sentido sem essa busca incessante do puro”... e fica sempre alguma coisa que escapa... e restam as sombras, as sombras das memórias cravadas nas paredes... e “as palavras, insuficientes”...
domingo, 1 de maio de 2011
por mais coisas que eu visse nessa pedra, seria sempre uma pedra
e como pedra a encarei
guardei a visão dessa pedra cá dentro
levei-a comigo. pesam-me os passos e os movimentos por causa dessa visão petrificada que guardo no album da mente
a tudo, a todos, a ninguém...
"e ainda hoje achas que ninguém entende que aquilo é uma pedra"
não consigo acreditar que a pedra passou da minha mão para a mão certa
quem sabe não se saiba que aquilo é mesmo só uma pedra?
tropecei nela, finalmente, e bati com a cabeça no chão
nem por isso esqueci essa pedra feita rocha em minha mente vazia
e em pedra me diluo para me achar mais sólido e firme
para crescer como pedra e fixar-me como rocha
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Um existir sem vida
sexta-feira, 8 de abril de 2011
FMI
quarta-feira, 30 de março de 2011
¡Soledad!
domingo, 27 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
Caminho numa rua que nem sempre é rua,
E encontro as pessoas que lá não estão.
Caminho até talvez sem caminhar...
Nos passos do corpo...
Socorro-me afogando-me.
Existo sem existência...
Queria ser um pouco mais do que homem,
Viver um pouco mais que a aparência da vida.
Sou um pouco mais que nada... sim, mas quero ser um pouco mais que tudo!
Resguardo-me na intempérie da loucura,
Ainda a vida me não cansou.
Não é dinheiro ou fama, amor, saúde ou cultura, queria apenas ser um pouco mais do que homem...
Existo rodeado de inexistências,
todas as coisas, fúteis...
Mas não me canso de existir, ainda que já nem exista...
Não me canso de fazer, ainda que não faça...
Canso-me de tanto querer e tão pouco alcançar!
Canso-me de me ver sorrir engolindo o jantar...
Queria apenas ser um pouco mais do que homem... queria apenas, quem sabe, voar...
Poesia (do outro)
segunda-feira, 21 de março de 2011
as sílabas do diálogo
sábado, 19 de março de 2011
Obnubilações
onde o ser se mistura com o não ser,
onde não há género e o número é plural,
onde encontro o que perdi sem procurar
Aqui,
onde as cores do inconsciente se pintam,
onde é fácil atingirmos o difícil,
onde não há esquecimento por nada terminar
Oiço,
( Professora- "Vicente, dê-me um exemplo de um arquifonema.")
Não oiço,
há conceitos que não transitam,
há conceitos que não passam a fronteira
Aqui,
há ilusões que iludem conceitos,
estados mentais que obnubilam o real,
Há sensações por definir em sentidos,
Respondo,
( Eu- "O mundo é um arquifonema".)
noite de lua cheia de...
a neblina do que pode ser
as nuvens do que já foi (constantemente a chover)
surge a lua cheia de esperanças e conclusões falsas
quinta-feira, 17 de março de 2011
Poema dos 30 segundos
Paleio técnico
O sector do parâmetro
Fugiu a correr da pluralidade cultural.
Encontrou o âmago do gráfico
Que o arrastava com valor sentimental.
A dívida passou a ser soberana;
Uns à rasca, outros na mama, todos nem tanto.
No entretanto, pergunto-me o que aconteceu à informação
Que com tanta atenção, se tornou automática.
Coitadas das declarações normativas,
que são tudo menos positivas.
O PIB chegou ao déficit, esmurrou-lhe a cara e excluiu-o da rede social.
Desta feita acho que nem chega ao Natal.
Quando tudo terminar, não existirão tecnicismos que nos valham.
Restaremos nós.
Quando nos encontrarmos, saberemos que tudo está bem.
Rodrigo Antão [17-02-2011]
A existência
A vazia existência não existe.
Eu existo
Tu existes
Ele existe. Ela existe.
Nós existimos
Vós existis
Elas existem. Eles existem.
Existem factos. Existem letras. E palavras.
Vamos existindo pelas avenidas da existência.
Fazemos coisas. Existimos.
Por favor arranjem-me um conceito que exista.
O que é isto?
Rodrigo Antão [17-03-2011]
terça-feira, 15 de março de 2011
A árvore que me estreia.
reinava a sombra, a sombra do verde
que ocultava a luz,
nos pés a prova da virgindade
que percorria,
trilhos virgens anunciavam estalando,
o romper do hímen,
a fina película que norteia
o ponto em que o desconhecido
se conhece
Cortei ramos e folhas,
pisei ervas e calquei musgos,
equilibrei-me sobre frágeis
estruturas rochosas,
bebi da água que corria
montanha abaixo,
como se saída das nuvens,
bálsamo das feridas que o
meu corpo alimentava,
as chagas de um Deus que perdi
ao procurar-te.
No desânimo avistei-te
no desespero encontrei-te,
oásis de luz e sol
no que é da sombra,
perdida numa imensidão desértica
de areia,
que corrompe a fecundidade
desta selva que é
de musgo
e de ervas
e de ramos
e de árvores, e tu
plantada, à espera
da boca que alimentas,
ó árvore do que eu
vivo.
(Desconheço a maioria dos colaboradores do AEQUUM, no entanto, agrada-me a ideia de os ir conhecendo através das palavras, como se fossem elos que nos ligam ao desconhecido. Talvez as palavras sejam o único que importa conhecer de alguém. Obrigado João.)
sábado, 12 de março de 2011
inv/ferno
com a almofada falo eu em lágrimas
os pesadelos gritam-me ao ouvido
o peso, as nuvens, o frio, sussuram-me ironias
o sarcasmo dos dias de chuva
a idiotice do pessimismo
enquanto o dia me fala em "molha tolos"
eu respondo com o bater de teclas
porque me doi demasiado a garganta para poder gritar
terça-feira, 8 de março de 2011
De volta ao básico
Mas é estéril o meu pensamento, tão vazio e tão oco, nas suas paredes ainda pende, oscilante o meu tormento, que de tanto sei tão pouco, de algo que não se aprende.
Se de mim não sei nada, por mim tudo quero saber. Ó deserto o que me sopras ao ouvido? Como posso eu aprender se o que me dizes não faz sentido?
Estou nú, crú. Quero começar de novo. Quero sair...já aqui!
E é agora, nesta precisa hora, que me vou libertar, que vou poder dizer: Finalmente! Renasci!