sábado, 7 de janeiro de 2012

o caminho era feito de pedra. consigo lembrar-me do cheiro da pedra em contacto com a chuva que nela bate vinda do céu. gostava de me lembrar do teu cheiro daqui por 4 anos, mas preciso desse tempo para me esquecer do cheiro. as rochas não tinham lugar onde a pedra do caminho trilhava os corpos. e os corpos eram meros vasos onde a pedra depositava o suor e a humidade dos séculos de caminho vão. queria tanto saber onde encontrar a luz dos teus olhos para secar a chuva nesta pedra, mas preciso dos olhos para não cair em falso.
entering the sistem já não vejo onde dar mais um passo, e não sei onde pousar o pé esquerdo failed parece-me que ainda sei como chegar a pé a tua casa. as pedras redondas e mal dispostas na calçada - prenúncio de um castelo de sonhos please press the reset button for five seconds o caminho ainda é feito de pedra. e eu consigo ainda lembrar-me do cheiro, e ainda sei como olhava para ambos os lados às duas da manhã com a rua deserta then press the on button and click DEL before entering the sistem again
volta de lá. mas fica por aqui.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

... uma pedra no meu caminho, nela me quedei... matéria bruta mas cedosamente lisa como mármore... por ela deixei meu corpo escorregar... numa descida vertiginosa, não, talvez numa subida sem gravidade... o que interessam as direcções?... na velocidade quase imparável do movimento último, na eminência atroz do cair do véu – o rosto sem rosto, carne do mundo-, eu acordo; ou o mundo gira e volto a ter gravidade, a gravidade da pedra... Mas ainda o meu sol aquece o frio do mármore!... sim, e na pedra quente derrete-se a carne e falam as almas... Há homens que recorrem ao último suspiro para falar da sua verdade... eu não, a pedra lisa, misteriosa e bela parava o meu tempo... o tempo sem tempo parado no movimento em que o meu corpo perdido na pedra estava... no seu espaço, sem coordenadas possíveis... sem opção no mundo das opções!... perdido, não à procura mas loucamente perdido... posso não ter razão, nem sequer fazer sentido... nem interessa... a pedra arrefece sempre que o sol se põe, e o meu corpo volta a deslizar por sobre a superfície da pedra lisa, gélida, e toda a carne desimpedida permite agora que a pedra faça a sua viagem: os ossos quebram-se lentamente, os tendões paralisam, os músculos rebentam numa explosão sanguinária, as veias soltas tingem de vermelho o mármore e retribuem-lhe o calor, e o calor perdido regressa à pedra... e desfeito sobre a pedra, o meu corpo renasce a cada nascer do sol...
olhos inadequados
incoerentes, desajeitados
indignados e sem retina

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Zé Hélder, Zélder, Josefo, Rrosé, el rapaz vino

tinha quatro olhos brilhantes,
e as faces rosadas
que os bancos da secundária deixaram queimar
entre o sono

tinha seis cordas desafinadas,
em busca da afinação que o aparelho não sabe registar
que os tons do trilho deixaram soar
entre o sonho

tinha duas pernas cheias de força
bamboledas entre a única corda do berimbau
e os dois tons entre a pedra e o tom mudo
que só deixavam pulular o salto derradeira na alma entre as névoas
entre os Sonhos

um só grito entre duas almas
e a terceira que perdida ficou
são as coisas que as pedras dos rios trazem quando não saltam e fazem círculos
entre os lagos
entre os pântanos
entre o Sono

o vinho que nunca bebeu
o cigarro que nunca fumou
o fumo que faz dores de cabeça
o piano que faz dores de pulso
a bicicleta que teima em mandá-lo contra um poste
e a roupa cheia de riscas
cheia de sonhos

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Podia ser assim.

Quero um copo vazio, e uma mão levantada.
Quero um poeta aceso, e uma luta suada.
Quero um sonho vivido, e uma vida sem nada.
Quero ter a certeza, e um escudo sem espada.
Quero de novo a sacola, e os bichos-de-seda.
Quero um ruído de fundo, e um fundo violeta.
Quero ir a teu lado, quero um novo caminho.
Quero dias nublados, quero ficar sozinho.
Quero sentir, quero contemplar, quero partir, e ficar.
Quero um abraço demorado, e ficar assim.
Quero chegar atrasado, quando chegar o fim.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Luar amenus

Luar amenus

A poética refletia no macadame brilhante pela geada. Acho ótimo para enmarcar. O céu devia era estar enchido de estrelas, eu sabia, porém, não as conseguia ver: doiam apenas.

Enquanto eu olhava para o céu,e deslizava-me, ela olhava para mim. O que pensava, nem ela o sabe. Quero-a. Umas vezes mais do que outras, à noite às mais delas. Mas de cada vez eu vir a ser consciente do meu amor, este é maior. É o McGuffin de Hitchcock. Ela sabe mesmo quando acredita ser consciente de não saber. Eu sei ainda menos quando descobrir eu saber qualquer coisa: o Canto de Osanha traidor: vai, vai... vai, vai...

Linda como a mãe, inteligente como a mãe. A vida, o infinito, satisfazem-nos, no instante em que formos conscientes da insatisfação de morirmos: isso pode é acontecer de cada dia, de cada noite. É lindo assim, não é? Comunicação: isso que atingimos só no instante em que não identificamos a mensagem. Já sabemos o que não diz. Ahhh vai à merda meu caro. Tu queres não ser sendo, e isso é a única coisa que a vida, os sonhos, não dão opção de ser, nem mil anos que vivesses nem mil pessoas que fosses.

O Paulo, o tipo mais feliz que eu conheço, na altura com cinco anos, perguntou à mãe se ela iria morrer também um dia.

Meu deus, dá-me força, mesmo que não acredite em ti, nem nos teus acólitos, pelo facto de eu ser teu acólito também. Só me finanacie o tabaco, o moscatel e os durex avanti ultima. Primeiro de todo é querer. Quem não pode ser digno do nosso serviço? Logo a seguir... amor, bom, todos lembramos nos poros da face as nossas inquietações mais escondidas, para que demorar a confessão: caiamos todos na tentação: sejamos artistas, sejamos dignamente inúteis, comerciais, monoteístas e consumistas: e ééééé´!.

Eu também sei: Ulises nunca existiu; é sou muito provável: Circe soube logo. Dá-me a sombra, rápida, contraste, brilho, retórica antiga, jogo, vida. Dá-me a luz, só assim posso preencher de mim o sol, aquele que nem sequer eu só sei onde me vai cair em cima.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Fogo-se!

bom dia
esqueci-me de apagar o cigarro
sei como te incomoda o fumo de um cigarro quase apagado
sei como te irrita o cheiro a cartão queimado
ou talvez seja o perigo do vidro derreter que te chateia

boa tarde
já me lembro como se conduz
sei como colocar a chave na ignição sem fazer força
sei como pôr a embraiagem para meter a primeira
ou talvez saiba melhor como fazer o ponto

boa noite
cheguei, de cigarro mal apagado e queimei-te os estofos
sei que é a última vez que poderei conduzir fumando
sei que é o último cigarro que não apago em condições
ou talvez seja só a primeira vez que uso um extintor!

Despertares...

Dos ovários da manhã
arranco a raíz a que me seguro
para que possas despertar
sem arames nesses membros...
- que invento para ocasiões de vício -.
A tensão baixa de cair na calçada
à porta do disfarce
-hesitação habitual de quem
de raiva-a-raiva, extinto -
demora-se por defeito
na ferrugem do prematuro movimento
- primeiro grito anterior ao susto -.
Indecido-me por insensatez dialética,
conflito que de extremos sabe a face,
que de respirar prova mares
- oblíquos, opacos, outros... -.
A invenção de novos dias
traz no bolso pequenos ossos...
desequilibrios que o real
se esqueceu de estudar.

Agora que acordaste, digo-te "bom dia!"
Se ao menos me pudesses ver...

noite noite noite em 10 de Outubro, hoje

10 De Outubro de 2010
E já era noite nos meus dias.
Tive de acender a luz na estrela da minha manhã
E o peito foi-se rio abaixo nas ondas de um mar longe
Rolei no escuro como granito arredondado e trôpego
E esbarrei na ausência da vontade de ser sorriso todas as noites.
Que sonho foi este que me assaltou a felicidade
Para fingir ser verdade e afinal ser só noite sem lua cheia?
V

.pt

Eram corpos e ventos. E havia luz.
A luz dos olhos que olham com um olhar cintilante.
Numa sala vazia de quase tudo menos incerteza, onde reinava a confusão.
Saltitavam horrores e prazeres e emoções que nunca foram tuas.
Com mãos de cordas de guitarra, aquela que toca sem nada alcançar,
fez um gesto melódico, um gesto que de pouco adiantou.
Não havia propagação ou retorno, nem reverberação ou resposta.
Pelo que soou, perturbou e desvaneceu.
Havia um cheiro, cheirava a terra molhada e a café.
Os pés descalços e as mãos frias, agitados por natureza, eram agora calmos e pacientes.
E assim ficaram até tudo terminar.
Agora continuam corpos e ventos. Mas há menos luz.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sem assunto

Haja alguém que tenha coragem e que me grite aos ouvidos aquilo que eu quero ouvir,
 "A morte, amiga, é algo que trazes no bolso há tempo demais!"
 e o meu bolso sem fundo, descosido
(e a linha a entrar na agulha)
e sem sequer saber se valeria a pena remendar.
(e a linha que não quer enfiar)
- Joana, traz-me a agulha que tenho aí...
(mas nisto tentava...)
e o aí que a Joana procurava, à toa
(entrou!)
e um 
- Deixa, já não é preciso
e a Joana a ver do aí, onde talvez pudesse encontrar mais do que uma agulha
(pano duro, este...)
já lhe tinha dito que não era preciso
- Eu sei, ouvi, mas o que queres...
(e o pano que não ajuda)
- Talvez vá precisar...
(e a agulha torta, sem jeito, sem forma, sem ser dura e recta a entrar)
o aí finalmente revelado
- Queres mesmo?
(nem agulha, nem linha, nem pano...)
- Aqui tens outras calças, talvez...
(já perdida no pano, com a agulha e muita linha)
- Não, tem de ser este o bolso.
e a Joana a ver o torto da agulha nos jeitos da sua  mãe
- A morte só conhece um bolso
(e é nele que procura andar)















terça-feira, 6 de dezembro de 2011

AEQUUM

O blog aequum tem crescido significativamente, por isso,
acho importante convidar mais pessoas interessadas em fazer crescer ainda mais.

A tod@s @s que foram convidad@s escrevam o que queriam, como queiram, em que norma linguística queiram!

Abraços e obrigado a tod@s pela colaboração com o blog colectivo AEQUUM

terça-feira, 22 de novembro de 2011

dia 29

precisas de mais razões para além da morte
para gritar o que é teu, é nosso, e não da sorte
?
o sangue escorre como a chuva rasga
e há quem não se molhe

porquê? não vou compactuar com tudo o que é só mais fome
e manipulação

as pedras que caiem da tua mão não têm outro rumo
e os olhos que têm só esta saída são teus e não choras
!
e o desespero encharca as ruas
e há quem não se molhe

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

manda-lhe saudades minhas

no resultado da imensa fuga de informação que se extrai do meu cérebro
existe sempre um amanhecer nostálgico. o meu corpo, leve como esferovite
pesado como água, não se levanta, e os olhos colam

ligo a música e as notas fogem d'encontro às memória
há um cigarro semiapagado no cinzeiro, que ela deixou lá, fugido e solto
e um igorte estranho para comer antes de fumar

há um fim amargo no meio de todas as coisas que, como chuva, evaporam d'encontro ao chão do nosso preste
o passado torna-se o fumo que exalei entre estas paredes,
que certamente manchou as outras, onde o fumo das torradas quase queimadas servia de sinal para o despertar dum dia mais

o calor infernal e o frio que o acalma estão uníssono na rememoração
e há uma dor parecida a todas as outras que não se cala,
e eu - que ainda tenho o ouvido doente desde então - ainda tento chegar às 23h da noite nesse mesmo sofá onde tudo começou

sigam fumos e procurem onde tornar matéria a imagem mental das pedras que pisámos

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Não há.

O problema é que não corro mais que os passos, e tudo se resume a isso.
nem o binário, ou os 156 cavalos-vapor aumentam o rendimento.
desamarro gritos e palpitações e espero despedir-me da gravidade, de uma e de outra. As gravidades.
Agarro bem o que quero levar, mas não parto.
E nunca parti, mas um dia voltarei.
Talvez antes do outono, para ver o laranja das folhas.
"tens que ir(...) diz ele, "eu concordo!" diz a outra.
E ainda há mais uma que também apoia.
Mas acontece a perfeita engrenagem da apatia com o sedentarismo, e uma série de situações.
Sei lá se é o fado! Ou uma fase, ou o blues, ou o hip-hop.
Mecanismos de um pedaço de fraqueza feito vida.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

...voar...

É quando o rio aparece nas nuvens que se arrastam na terra do sonho que acorda de dia enquanto a noite adormeceu com as realidades dos dias de ausência de sol, de luz, de silêncios tranquilos, de escuros claros, de vontade de ser, apenas... é quando somos feitos de matéria flutuante e dançamos com os pássaros sem nos questionarmos porque o fazemos. É quando não questionamos que o céu é âmbar porque ele é feito de olhos; é quando não questionamos que a lua só nasce hoje e agora porque um desejo se tornou estrela de fogo e não queremos saber se ardemos lentamente até ao fim... o momento fica para lá de si, prolonga-se numa brisa que nasce do corpo levitado e inverte-se o peso da terra que fica suspensa por uma flor prateada na mão de uma criança que a roubou de uma senhora que lha oferecera e corre mais, mais longe, toca a brisa as águas e os céus, o fogo e o barro, o ar enfeitiçado de perfumes mil, a pele... é âmbar o crepúsculo dos olhos que me espelham num lago de luz e o sorriso é nuvem de algodão de uma feira de crianças onde os sonhos se confundem com a realidade, e para eles eterniza-se o tempo na breve efemeridade, arrastando-se pela brisa da metamorfose do mundo, para lá, leves, voam... sem saberem porque se questionar, voam... sem saberem voar, voam... os dois corpos que dançam ao sabor do vento...

contemporâneo de agora

Pré-Requerimento

Costumava expressar-me, como então acreditava, poeticamente...
Agora exigem do meu discurso uma tal formalidade que já nem me encontro nele, ele é apenas o que eles querem ouvir e voilá: teatro!
Os advogados recusam toda a minha imaginação e exigem que fale como eles, mais valia um espelho estéreo... vou ali e já volto e nem notavam... para os chefes, imagens pálidas mas aspirantes a grandes césares... hahhahaha... retribuo honestamente com o meu ser mais político, ainda que nem sequer entendam a possibilidade de que não sou eu quem ali esteve. À tarde, eis-me divertido no Parque dos Requerimentos: com tal delicadeza que poderiam imaginar-me sem barba! É o que se esconde nas palavras que me fode! Quando nem sei bem os papéis que desejam para mim naquele momento em que, seguramente, alguém se divertiu a pensar no mesmo...

Requerimento

Era tarde, uma tarde longa e tardia,
A vaca dentro do coração fazia azia,
Trabalhávamos em sentido oposto,
Eu punha tu tiravas: o rosto ao meu encosto,
O boi da vaca baloiçava a embriaguez,
Torpe, arrastava-se às tetas, uma de cada vez... e outra vez...
O sol paria uma tia do tamanho de uma lua que era uma puta nua, um festim que era assim assim... não acabava, era madrugada e chegava uma noite apressada, mascarada de máscara, não a entendi, não a vi, a teta aluava e eu encostava o meu rosto... a utopia e a puta que a paria: seria preciso tal harmonia que a bezerrisse adormeceria o medo que não se quer perdido no fio dental da sensualidade que se vivia na pele de uma pele de galinha e que arrotava a azedo quando no balão subia agarrado à teta da utopia que persistia em sê-lo e ninguém estava acordado... estavam todos a mamar na teta, a foder, ninguém se apercebeu que somos todos a vaca, o boi e a utopia! Deveria ser magia, encantamento, estupefacção, deveria ser um cão, uma pia, um jumento... deveria ser só a correria e a dor que fica na vaca da teta chupada, não tenho mais leite para vocês! Comam a vaca picada e o boi! E já agora caguem nas putas das utopias que são mulheres nuas que vocês não podem olhar, arde-vos os olhos do pecado que é mão de ferro vermelho sobre as tripas que vos enojam e arrepia no vermelho dos olhos do boi que arfa em cima da vaca das tetas chupadas, utopias enterradas... celebração!

domingo, 30 de outubro de 2011

SoNo

Tenho os pés frios e não me apetece pensar.
Os olhos fecham-se e eu vejo melhor assim.
Escrevo e apago inúmeras vezes. As ideias fogem.
Fico eu e todo o meu ser complicadinho, de barba por fazer.
Fazer fazer, fazia um chá, mas não há essências. Paciência.
Paciência, transparência, sinusite, tenho os pés frios e vou dormir.

á

Há dias que sim, há dias que não.
Há dias que não porque sim!
Há dias que sim, porque não?!